Exemplo de amor e de predileção divina.

Gostaria de partilhar com vocês meus amigos e fiéis leitores, a história de uma jovem mãe, que deu seu sim à vida acreditando estar fazendo a vontade de Deus. Em meio a todos os desafios, ela mesmo sabendo que estava com uma doença grave preferiu o filho exercer o direito de viver. É emocionantes a história, e dentro em breve, com certeza teremos uma biografia mais ampla. Pelo que foi possível pesquisar, podemos dizer que ela é um exemplor de amor a Deus e à vida. Segue o texto na íntegra, extraído do Zenit.org

“No último sábado(16), na igreja de Santa Francisca Romana, da capital italiana, foi celebrado o funeral da jovem Chiara Petrillo, falecida (quarta-feira 13) depois de dois anos de sofrimento provocado por um tumor.

A cerimônia não teve nada de fúnebre: foi uma grande festa em que participaram cerca de mil pessoas, lotando a igreja, cantando e aplaudindo desde a entrada do caixão até a saída.

A extraordinária história de Chiara se difundiu pela internet com um vídeo no YouTube, que registrou mais de 500 visualizações em apenas um dia.

A luminosa jovem romana de 28 anos, com o sorriso sempre nos lábios, morreu porque escolher adiar o tratamento que podia salvá-la. Ela preferiu priorizar a gravidez de Francisco, um menino desejado desde o começo de seu casamento com Enrico.

Não era a primeira gravidez de Chiara. As duas anteriores acabaram com a morte dos bebês logo após cada parto, devido a graves malformações.

Sofrimentos, traumas, desânimo. Chiara e Enrico, porém, nunca se fecharam para a vida. Depois de algum tempo, chegou Francisco.

As ecografias agora confirmavam a boa saúde do menino, mas, no quinto mês, Chiara teve diagnosticada pelos médicos uma lesão na língua. Depois de uma primeira intervenção, confirmou-se a pior das hipóteses: era um carcinoma.

Começou uma nova série de lutas. Chiara e o marido não perderam a fé. Aliando-se a Deus, decidiram mais uma vez dizer sim à vida.

Chiara defendeu Francisco sem pensar duas vezes e, correndo um grave risco, adiou seu tratamento para levar a maternidade adiante. Só depois do parto é que a jovem pôde passar por uma nova intervenção cirúrgica, desta vez mais radical. Vieram os sucessivos ciclos de químio e radioterapia.

Francisco nasceu sadio no dia 30 de maio de 2011. Mas Chiara, consumida até perder a vista do olho direito, não conseguiu resistir por mais do que um ano. Na quarta-feira passada, por volta do meio dia, rodeada de parentes e de amigos, a sua batalha contra o dragão que a perseguia, como ela definia o tumor em referência à leitura do apocalipse, terminou.

Mas na mesma leitura, que não foi escolhida por acaso para a cerimônia fúnebre, ficamos sabendo também que uma mulher derrota o dragão. Chiara perdeu um combate na terra, mas ganhou a vida eterna e deixou para todos um testemunho verdadeiro de santidade.

“Uma nova Gianna Beretta Molla”, definiu-a o cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, que prestou homenagem pessoalmente a Chiara, a quem conhecera havia poucos meses, juntamente com Enrico.

“A vida é um bordado que olhamos ao contrário, pela parte cheia de fios soltos”, disse o purpurado. “Mas, de vez em quando, a fé nos faz ver a outra parte”. É o caso de Chiara, segundo o cardeal: “Uma grande lição de vida, uma luz, fruto de um maravilhoso desígnio divino que escapa ao nosso entendimento, mas que existe”.

“Eu não sei o que Deus preparou para nós através desta mulher”, acrescentou, “mas certamente é algo que não podemos perder. Vamos acolher esta herança que nos lembra o justo valor de cada pequeno gesto do cotidiano”.

“Nesta manhã, estamos vendo o que o centurião viveu há dois mil anos, ao ver Jesus morrer na cruz e proclamar: Este era verdadeiramente o filho de Deus”, afirmou em sua homilia o jovem franciscano frei Vito, que assistiu espiritualmente Chiara e a família no último período.

“A morte de Chiara foi o cumprimento de uma prece. Depois do diagnóstico de 4 de abril, que a declarou doente terminal, ela pediu um milagre: não a própria cura, mas o milagre de viver a doença e o sofrimento na paz, junto com as pessoas mais próximas”.

“E nós”, prosseguiu frei Vito, visivelmente emocionado, “vimos morrer uma mulher não apenas serena, mas feliz”. Uma mulher que viveu desgastando a vida por amor aos outros, chegando a confiar a Enrico: “Talvez, no fundo, eu não queira a cura. Um marido feliz e um filho sereno, mesmo sem ter a mãe por perto, são um testemunho maior do que uma mulher que venceu a doença. Um testemunho que poderia salvar muitas pessoas…”.

A esta fé, Chiara chegou pouco a pouco, “seguindo a regra assumida em Assis pelos franciscanos que ela tanto amava: pequenos passos possíveis”. Um modo, explicou o frade, “de enfrentar o medo do passado e do futuro perante os grandes eventos, e que ensina a começar pelas coisas pequenas. Nós não podemos transformar a água em vinho, mas podemos começar a encher os odres. Chiara acreditava nisto e isto a ajudou a viver uma vida santa e, portanto, uma morte santa, passo a passo”.

Todas as pessoas presentes levaram da igreja uma plantinha, por vontade de Chiara, que não queria flores em seu funeral. Ela preferia que cada um recebesse um presente. E no coração, todos levaram um “pedacinho” desse testemunho, orando e pedindo graças a esta jovem mulher que, um dia, quem sabe, será chamada de beata Chiara Corbela”.

Tradução: Salvatore Cernuzio

Fonte: http://www.zenit.org/article-30612?l=portuguese acessado em 21 de junho de 2012.

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Ao filho doente se dá amor, e não a morte

 Nos últimos dias 11 e 12 de abril, os ministros da Suprema Corte Brasileira decidiram em favor da legalidade do Descumprimento de Preceito Fundamental n.54. Este processo estava correndo no Supremo Tribunal Federal desde o ano de 2004, quando foi apresentada uma proposta formulada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Saúde, que indicava a possibilidade de uma mulher, após receber o diagnóstico de anencefalia para seu filho, poder solicitar a antecipação do parto com consequente morte da criança. Neste caso, seria aplicada a teoria de que o feto diagnosticado com esta anomalia não teria condições de vida, sendo assim, o processo de gestação seria oneroso e desnecessário à mãe, uma vez que a possibilidade de vida pós-parto seria de apenas alguns instantes, talvez dias ou meses. Todos nós que acompanhamos a votação sabemos que o resultado foi de 08 votos a favor da descriminalização e apenas 02 contra.

Embora surja a sensação de termos perdido uma batalha, faz-se mister que apresentemos algumas considerações e que recordemos que como cristãos não queremos subjugar o estado. Ao contrário, somos cônscios da necessidade de um estado laico, mas a laicidade não lhe dá direito de intervir e legislar contra os direitos humanos fundamentais, principalmente no tocante à vida intrauterina de alguém que não pediu para nascer, antes, pela sua própria condição, precisa muito mais de carinho e atenção.

Estamos vivendo uma grande reviravolta de valores, vemos todos os dias pessoas levantando bandeiras em favor de liberdade, de direitos a tantas coisas, mas quando lutamos pelo direito à vida, isso gera assombro e somos chamados de radicais. É louvável a luta pela preservação das espécies animais, da mesma forma que preservação da fauna e flora. Mas nos perguntamos, e a espécie humana, quem vai preservá-la? Depois de ouvir o Ministro Marco Aurélio dizer que “o anencéfalo é um natimorto cerebral e que jamais se tornará uma pessoa”, bem como reforçar que, “não se cuida de vida em potencial, mas da morte segura, pois esses bebês resistem muito pouco tempo fora do útero”, não vejo outro modo que recordar a todos algo muito importante. Não podemos nos calar ante esse resultado, embora pela lei o aborto de anencéfalos não seja um crime, isso não quer dizer que esse ato se torne agora moral. Ao contrário, é imoral e bárbaro, pois: “o bebê anencéfalo é um ser humano vivo, único e irrepetível. É um filho ou filha fragilizado(a), falta-lhe, em maior ou menor grau, parte do encéfalo, mas está presente o garantidor da vida, o tronco cerebral”. Por isso, é uma pessoa inocente, com direito de viver o tempo que lhe for possível, com dignidade como todas as outras pessoas.

Diante de tudo isso, vale lembrar também que o princípio reforçado pelos que votaram a favor da descriminalização é o de preservar a saúde da mulher, em detrimento do direito do nascituro. Entretanto, sabemos que a mãe que tira a vida do seu filho sofrerá traumas pelo resto de sua vida. Pois, ao filho doente se dá amor e não a morte. Vale Lembrar o que nos disse o Beato João Paulo II: “Nada e ninguém pode autorizar que se dê a morte a um ser humano inocente seja ele feto ou embrião, criança ou adulto, velho, doente incurável ou agonizante”.(EV57)

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