A PALAVRA GER A VIDA – PARTE II

” Após viver durante cinco ou seis anos as palavras do Evangelho, percebemos claramente que elas se assemelhavam: havia algo de comum entre todas; cada uma diria valia tanto quanto qualquer outra, porque os efeitos produzidos nas almas que as viviam eram idênticos, não importando qual fosse a palavra vivida. Por exemplo, para viver a palavra: “Quem vos ouve a mim ouve…”, não ficávamos esperando encontrar algum bispo ou superior para colocá-la em prática, mas a nossa vida toda, cada segundo da nossa existência, se transformava em obediência àquilo que os sacerdotes nos haviam ensinado através do catecismo, ou àquilo que havíamos aprendido de Deus e depois submetido à Igreja. De modo que, viver esta palavra equivalia a viver todas as outras, como as palavras que pedem para fazer a vontade de Deus, ou amar a Deus ou ao próximo. Por isso, tudo ia se tornando mais simples.

A esta altura, poderia parecer supérfluo continuar este costume de focalizar em cada semana uma palavra; todavia e esta pode ser uma experiência de todos, se correspondermos à graça Deus trabalha as almas e às vezes manda tão sublimes dons de luz que se tem a impressão de receber uma compreensão mais profunda do Evangelho.

Sob a influência destas graças, descobre se no Evangelho, por exemplo, que toda a vida de Jesus está orientada ao Pai. E então se lê o Evangelho com um novo interesse e se orienta a nossa vida também naquela direção.

Podem ainda sobrevir graças de trevas escuras como o inferno, onde se duvida de tudo. E a maior dúvida é contra a lógica do Evangelho. Dizemos a nós mesmos – ou melhor, alguém com uma luz diabólica nos insinua: Se voltar a amar, você verá novamente, E então entrará outra vez no sistema, na vida sobrenatural, que por sua vez será um perigo para a sua liberdade; portanto: Detenha se. Não ame e você será você mesmo… 0 demônio faz de tudo para que não amemos. Mas, se resistirmos e fizermos exatamente o contrário daquilo que a tentação sugere, eis que se abrirá diante dos olhos da alma uma visão ainda mais profunda do Evangelho, Então descobri-lo-emos como o único Livro da Vida, entendendo que jamais conseguiremos compreender – “qual é a largura e o comprimento, a altura e a profundidade…” da palavra.. Deste modo, o Evangelho permanece o livro eterno do nosso alimento espiritual.”

Chiara Lubich

A PALAVRA GERA CRISTO – Parte I

Diletos amigos,

Recebo sempre e-mails e comentários pedindo para dar mais ênfase ao tema bíblico, que foi nossa intenção primeira ao criar este blog. Sendo assim, gostaria de partilhar com vocês o testemunho de Chiara Lubich a respeito da alegria do encontro com o Evangelho e o significado de cada palavra em sua vida e na vida do movimento que surgiu a partir de sua experiência com a Palavra de Deus que se tornou vida = Palavra de vida.

Precisamos nos aproximar da Palavra do Senhor para aprender a amá-lo de verdade. Só se ama aquele que conhecemos, e não podemos amá-lo parcialmente, precisamos amá-lo por inteiro e de modo especial, nos aproximar dele cada vez mais afim de compreender qual é a sua vontade  em nossas vidas.

” E agora podemos nos perguntar: como conseguimos penetrar na palavra de Deus e compreendê-la a ponto de apresentá-la nova e portadora de uma força vital e revolucionária?

Sem dúvida agora podemos dizê-lo foi em virtude de uma graça especial, graça que ensinava a colocar e a viver em profundidade a presença de Cristo entre as almas.

0 Senhor agiu da seguinte maneira: com a sua pedagogia, de início nos indicou algumas palavras que podem parecer mais fáceis. Todavia, ele tinha um motivo bem determinado para escolher tais palavras. Em geral eram as que diziam respeito ao amor: “Ama ao próximo como a ti mesmo”, “amai vos uns aos outros”, “amai o inimigo”, “amai…”; sempre o amor.

Só mais tarde compreendemos o motivo desta escolha: quem ama, adquire a luz, porque o fruto do amor é a iluminação interior.

E tem mais: o amor que Deus coloca dentro da nossa alma é sobrenatural, faz participar o nosso amor do próprio amor de Deus; portanto, é recíproco por sua própria natureza. Na reciprocidade do amor, acontecia que o Senhor, aos poucos, nos acostumava a acolher a sua presença entre nós. E esta presença influía na compreensão da sua palavra. Era ele o nosso Mestre, que nos ensinava como deviam ser entendidas as suas palavras. Era uma espécie de exegese, feita não por um mestre de teologia, mas pelo próprio Cristo.

De fato, diz Santo Anselmo, Doutor da Igreja: “Uma coisa é possuir facilidade de eloqüência e esplendor de palavra, e outra é entrar nas veias e na medula das palavras celestes e contemplar com límpido olhar do coração os mistérios profundos e escondidos. Isto não pode ser dado, de maneira alguma, nem pela doutrina, nem pela erudição do mundo, mas somente pela pureza da mente através da erudição do Espírito Santo. E a presença de Jesus entre nós traz o seu Espírito.

Por outro lado, lembramos que uma das primeiras páginas do Evangelho que lemos foi o Testamento de Jesus. 0 acontecimento de grande importância. Está ainda presente em nossas mentes o fato de que, na medida em que passávamos de uma palavra a outra, cada um parecia iluminar se; e era agora percebemos como se alguém nos dissesse: Olha, na escola, vocês têm de aprender muitas coisas, mas o resumo é isto, isto, isto: consagra-os na verdade… que todos sejam um… tereis a plenitude da alegria… sereis todos um, como eu e o Pai,… etc. O Testamento se nos revelava como a síntese do Evangelho. E entendíamos esta realidade com uma compreensão que só podia ser fruto de uma graça especial. Tendo penetrado o “seu” Testamento como Deus quis e na medida em que quis depois nos foi mais fácil entender o resto do Evangelho.

Amiúde, dávamos este exemplo: imaginem o Evangelho como uma planície, um terreno onde estão todas as palavras: lá no fim, encontra-se o Testamento de Cristo, que sintetiza todas as outras palavras. 0 Senhor, ensinando-nos a unidade à qual todas as verdades evangélicas se ligam, fez como que uma perfuração no terreno, para fazer nos penetrar e entender o resto do Evangelho por dentro, colhendo-o na raiz de cada palavra, no seu sentido mais verdadeiro.”

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/palavra-gera-cristo.html

QUARESMA

Iniciamos hoje o tempo da quaresma. Momento propício para a reflexão e conversão, uma vez que é  tempo de parar para escutar o Senhor e aprender d´Ele o que é o melhor para cada um de nós.

Partilho com vocês a Catequese de hoje, apresentada pelo Papa Bento XVI na sala Paulo VI em Roma,  a respeito da Quaresma, de modo especial sobre o Jejum:

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, marcados pelo austero símbolo das Cinzas, entramos no tempo da Quaresma, iniciando o itinerário espiritual que nos prepara para celebrar dignamente os mistérios pascais. As cinzas abençoadas, impostas sobre a nossa cabeça, são um sinal que nos recorda nossa condição de criaturas, convida-nos à penitência e a intensificar os esforços de conversão de para seguir cada vez mais o Senhor.

A Quaresma é um caminho, é acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição; ela nos recorda que a vida cristã é um “caminho” a ser percorrido, que consiste não tanto em uma lei a ser observada, mas na própria pessoa de Cristo, a quem vamos encontrar, acolher, seguir. Jesus, de fato, fala: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc 9,23). Em outras palavras, diz-nos que, para chegar com Ele à luz e à alegria da ressurreição, à vitória da vida, do amor, do bem, também nós devemos carregar a cruz de cada dia, como nos exorta uma bela página da “Imitação de Cristo”: “Toma, pois, a tua cruz, segue a Jesus e entrarás na vida eterna. O Senhor foi adiante, com a cruz às costas, e nela morreu por teu amor, para que tu também leves a tua cruz e nela desejes morrer. Porquanto, se com Ele morreres, também com Ele viverás. E, se fores seu companheiro na pena, também o serás na glória” (L. 2, c. 12, n. 2). Na Santa Missa do 1º Domingo da Quaresma, rezaremos: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa” (Coleta). É uma invocação que dirigimos a Deus porque sabemos que só Ele pode converter o nosso coração. E é sobretudo na liturgia, na participação dos santos mistérios, que somos levados a percorrer este caminho com o Senhor; é um colocar-nos na escola de Jesus, percorrer os acontecimentos que nos trouxeram a salvação, mas não como uma simples comemoração, uma lembrança de fatos passados. Nas ações litúrgicas, Cristo se faz presente através da obra do Espírito Santo, e esses acontecimentos salvíficos se tornam atuais. Há uma palavra-chave muitas vezes usada na liturgia para indicar isso: a palavra “hoje”; e esta deve ser entendida no sentido original, não metafórico. Hoje, Deus revela a sua lei e nos permite escolher hoje entre o bem e o mal, entre vida e a morte (cf. Dt 30, 19); hoje, “o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15); hoje, Cristo morreu no Calvário e ressuscitou dos mortos; subiu ao céu e está sentado à direita do Pai; hoje, recebemos o Espírito Santo; hoje é o tempo favorável. Participar da liturgia significa, então, submergir a própria vida no mistério de Cristo, na sua presença permanente, percorrer um caminho pelo qual entramos em sua morte e ressurreição para ter a vida.

Fonte: Rádio Vaticano

Para ler o texto completo clica aqui.

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