PARAISO NA TERRA

 A constituição pastoral Gaudíum et Spes postula a intervenção da Igreja para inspirar e amparar o desenvolvimento racional da civilização. Como cristianizar a ordem temporal? Em outras palavras: como inserir o divino no humano?

Não há necessidade de operações misteriosas. Aderindo ao racional, aderimos à ordem divina, ao Logos, que anima a criação. É sobre este fundamento que o cristão insere a animação evangélica. isto é, a caridade com sua conseqüente consciência de liberdade e de justiça para com os homens e para com Deus, de modo a direcionar o progresso rumo ao paraíso; realmente uma ascensão visando a perfeição. A terra serve, antes, de plataforma para a ascese, o humano serve de suporte para o divino, e a vida terrena de caminho para a vida celeste.
Assim fazia a jovem do Magnificat, assim age a mãe do Crucificado.
Nenhuma criatura jamais atingiu a altura espiritual da Virgem e nenhuma o fez com mais simplicidade. Não houve cursos complica­dos de ascese em sua vida; houve a cozinha, o galinheiro, os animais domésticos, a lavanderia, a oficina; houve o trabalho e a dor, elementos de que ela fez, minuto por minuto, as matérias da elevação a Deus, do holocausto ao Eterno.
Sua casa foi seu convento; sua regra foi o cumprimento de suas incumbências; servir a Jesus e a José, seu obséquio ao Eterno; sua modéstia foi o véu com o qual recobriu sua beleza; o silêncio, a cela em que fez penitência, trabalhando.
As palavras e coisas de origem divina, Maria as conservava em seu coração. As suas mãos trabalhavam; sua alma orava, amando, e dia-a­dia mais se aproximava de Deus.
Era contemplativa e ativa: modelo de pessoa forjada teandricamente por Deus para o conhecimento do Eterno, e para desenvolver a criação de acordo com os desígnios do Criador.
Imitando Maria, ou melhor, unindo-nos a Maria, mantendo-a presente durante as vinte e quatro horas do dia, a marcha da existência se toma uma scala paradisi (uma escalada ao paraíso) porque nela e para ela, segundo seu exemplo, tudo converge para o único fluxo da vontade de Deus. Vontade esta que, se desce do paraíso, a ele retorna. As dificuldades da subida se transformam em doçura, se nos deixarmos levar pela mão de Maria, sua mão pura de mãe que não conhece o cansaço. Não poderíamos encontrar preparativos mais apropriados, nem mais dignos do que este: o domínio da mãe de Jesus em nossa alma, para purificá-la e dispô-la a ser morada da divindade.
Ela nos prepara para a comunhão eucarística, nos acompanha através das provas do dia, limpa a nossa alma de toda ação feia que tivermos praticado; apresenta diante do trono de Deus nossa súplica com nossos suspiros; porque nós sempre aceitamos, humildes, gratos e obedientes, a sua presença materna.
Levemos para casa Maria, para que lá esteja Jesus. Cedendo a ela a direção, temos a certeza de termos em nossa pessoa, como em sua alma sobrenatural, o Espírito Santo. Aí então o Pai Nosso nos garante o pão cotidiano.
A piedade popular muitas vezes estimulou a fantasia para exprimir essa maternidade benfazeja, como quando imaginou que, tendo o Pai Eterno negado o perdão a algumas almas, enquanto Pedro fechava a porta do paraíso, Maria mandava que elas entrassem pela janela.
Desde a origem do cristianismo, servir a Maria sempre apareceu aos cristãos como ideal de paraíso. No início da Idade Média era comum a consagração a Maria, e ainda hoje existem epigrafes de catedrais nas quais papas se professam servos da Santa Mãe de Deus, assim como se definiam quais servos dos servos de Deus.
“Ó Maria – invocava Tomas de Kempis no século XV – ô doce mãe de meu Deus, peço-te que te dignes socorrer este pobre servo teu com tua compaixão toda maternal e tua caridade toda doçura”.
Mais tarde essa servidão foi chamada escravidão do amor.
Pode ser Maria e dar Jesus; viver Jesus, vivendo Maria.., ai então a vida é gozo, é paraíso na. terra.
Igino Giordani

Por meio de Maria

Por meio de Maria

 

É por meio de Maria que devemos ir a Jesus.

Devemos aprender a conversar com ela como se conversa com a mais terna mãe, como a mais exigente guia, como a mais eficaz advogada. E, portanto, expor a ela as nossas questões.

A unidade, a obediência a um líder exige amor para que a unidade seja verdadeira, obediência sólida e construtiva. O amor se alimenta com o conhecimento.

É preciso meditar sobre os enormes privilégios da nossa Mãe. A meditação destes fará mais ágil a nossa confiança na sua onipotência por graça, na sua intercessão; será mais fácil estimar os seus conselhos e suas diretrizes.

É na imitação de Maria, nos diversos momentos da sua história, que alcançaremos o cumprimento do desígnio de Deus para nós.

Nova compreensão de Maria

 Vivendo a vontade de Deus, tivemos uma nova compreensão de Maria. Nela admirávamos a criatura mais perfeita que vivera sobre a terra, pois fez somente a vontade de Deus.

Se para nós, fazer a vontade de Deus significa “viver Jesus”, era também de uma certa maneira “reviver Maria”. Era esta a melhor maneira de lhe demonstrarmos nossa devoção e sermos filhos seus.

Suas palavras:m “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), tornaram-se também nossa.

Meditemos de novo a nossa vida à luz da sua vida e viveremos com ela para sermos todos de Jesus.

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2009/12/por-meio-de-maria.html

Santa Maria

Humilde como é, e de poucas palavras, amante como é da oração e do trabalho, Maria passa grande parte de seu tempo no silêncio e na solidão. Não na solidão desesperada e vazia de nossos tempos, na qual o homem perdido na massa urbana, na explosão demográfica, não consegue se comunicar, permanecendo solitário, mas na solidão como uma concha plena do Espírito Santo, no qual, se falta a presença dos homens, há presença Deus. Deus que quer a alma toda para si: solus cum sola.

Maria tece uma história que é um poema; subentende a teologia e entende os mistério da encarnação, as graças e os sacramentos, enquanto reúne e celebra todas as virtudes: a pureza até a Imaculada Conceição, a caridade até a oferta do Filho; a sabedoria e a fé, a piedade e a alegria, até tornar-se plena do espírito Santo. Dizendo Maria designa-se a mãe e a advogada de todos os seres humanos.

Se, como afirma São Bernardo, temos necessidade da mediação de Maria para chegar à mediação de Jesus, eis que Maria nos é necessária como o ar que respiramos: ela é o “hálito” do Espírito Santo.

Ao saudar Maria, na oração com a qual mais freqüentemente a invocamos, antepomos ao mais belo nome de mulher o atributo que lhe é mais familiar na cidade de Deus, onde, pela intercessão de Maria, nos tornaremos concidadãos dos santos: Santa Maria, é Santa por excelência porque mais do que qualquer outra pessoa, ela fez a vontade de Deus. Para nós também, é vontade de Deus que nos tornemos santos, porque Ele é o Santo.

A santidade é a subida do homem até Deus, com as asas da redenção, e corresponde à descida de Deus até o homem, com o prodígio da Encarnação. E a Encarnação foi possível inicialmente pela santidade de Maria. Sua santidade é o modelo de nossa santificação, o mais simples e familiar dos modelos, adaptado a toda pessoa, em todas asa condições.

“Santa Maria”! Invocando-a com este título e este nome, fazemos uma síntese das maravilhas do amor de Deus: os dons do Espírito Santo, de quem ela é esposa; o ministério de Cristo, do qual ela é a mãe; a onipotência do Pai, de quem ele é filha; o mistério da Trindade da qual ela é a flor; as verdades do Evangelho, das quais se fez guardiã em seu espírito, meditando-as; a maternidade virginal da Igreja, para a qual oferece o modelo mais apropriado; e ainda os carismas do sacerdócio, para os quais deu a vida gerando o Sacerdote; da virgindade, da qual ela é a sua raiz e seu coroamento; do casamento, do qual é o exemplo e a glória. Sempre santa, sob todo e qualquer aspecto, santa. A mais próxima de Deus, a mais próxima de nós.

“Santa Maria” era o nome da caravela com a qual Colombo, atravessando o oceano, descobriu um novo mundo. Santa Maria é a nave com a qual nós, desafiando as tempestades, aportamos no eterno Amor.

Se é verdade, como é verdadeiro tudo o que a teologia demonstra, que a Virgem é a “mãe da santidade”, então, invocando-a com familiaridade amorosa e assídua, continuada e premente, externamos um compromisso de viver como cultores da santidade, para sermos verdadeiros filhos Dela.

Maria segue direto pelo seu caminho: diz honestamente o que pensa, faz o que deve. Não usa de sofismas1, como Zacarias, que por isso fica mudo. Maria, porque é simples, enxerga o certo: vê a Deus, que é a simplicidade absoluta; e acolhe o divino, que é a transparência.

Opõe a beleza à fealdade; o espírito inerme às armas materiais; o sorriso ao cepo dos condenados; a verdade às exibições de armas. Ergue a simplicidade contra a carga imensa de complicações com as quais as pessoas vêm dificultando, quase até ao desespero, algo tão natural como é a vida.

Igino Giordani (Foco) (Co-fundador do Movimento dos Focolares)

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/07/santa-maria.html

ESTE DEUS DESCONHECIDO

Quando o barquinho da vida faz água e a tempestade o ameaça, pronunciamos um nome que aflora aos lábios de quem sofre, até mesmo no derradeiro suspiro: mãe.

Não denota sempre a mãe terrena; aliás, para a pessoa um pouco familiarizada com as coisas eternas, significa Maria.

Isto é tão real que, freqüentemente, “mãe” é o grito dos corações de Deus nos momentos da provação. “Mãe!”

Eis aqui o segundo milagre de amor, depois da redenção: um Deus encanado e uma Mãe para todos.

Nela, toda a esperança para o cristão.

Muitas vezes ocorre-nos perguntar: como fez Maria para viver na terra, sem perder, nas longas agonias do seu coração traspassado, chamar uma, a Mãe? E o enxerto direto de seu espírito com Deus mostra o esplendor único, a grandeza, a singularidade daquela que é “elevada mais do que criatura”. Deus – sem dúvida – como para nós, e bem mais, foi o consolo do seu coração.

É possível que ela amasse alguém que lhe configurasse com mais propriedade – como para nós ela mesma, Maria – a identificação com o amor? Imagino que algo parecido e mais, infinitamente mais, do que encontramos em Maria, tenha ela – em sua labuta terrena a serviço do Pai, ocupando-se do filho -, encontrado repouso e refrigério, força e audácia, capacidade de viver, quando outras mortes a teriam esmagado, n’Aquela que sustentou a Igreja em sua época e em todas as épocas: o Espírito Santo.

O Espírito Santo, ente Deus desconhecido, que, em nossa prestação de contas final, perceberemos, com infinito pesar, não termos talvez suficientemente amado, e venerado, e agradecido.

Ele, a alma do corpo místico de Cristo, a firmeza dos mártires de todos os tempos, a fluência das águas vivas de todo sábio, a luz dos enviados de Deus, a certeza dos papas, o mestre dos bispos, o amigo dos ministros, o perfume das virgens.

Ele conviveu com a imaculada encontrando as suas delícias em plasmar, escondido, a flor das flores, e Maria, n’Ele e por Ele, elevou o anseio traduzido pelo coração humano com o doce termo “Mãe” à altura mesma de Deus.

 

Chiara

MISSÃO DA MULHER: REALIZAR O AMOR

Como sacerdote sinto-me no dever de partilhar com vocês este texto de nossa amiga Chiara Lubich sobre o valor da mulher. Há pessoas que pensam que como consagrados não deveríamos ter nenhum contato com a mulher, pois pode ser para nós ocasião de pecado. Pois bem, depois de lerem o texto abaixo gostaria que refizessem seus conceitos. Nós homens consagrados precisamos da companhia e do apoio de vocês mulheres que se valorizam e são tementes a Deus. Sem a presença de mulheres maduras e realizadas ao nosso lado somos homens incompletos. Pois, o Senhor nos criou homens e mulheres para nos completarmos, não somente no campo afetivo/sexual, mas em todos os níveis de nossa vida. Dou graças ao Senhor por ter me dado a graça de nascer num lar cristão e recheado da presença feminina, de modo especial agradeço ao Senhor por minha mãe e minhas irmãs, do mesmo modo agradeço por todas as mães e irmãs que ele colocou no meu caminho. Deixo um pedido a todos as leitoras: valorizem-se, não se deixem ser tratadas como coisas. Tenham como modelo: “Maria, a mulher realizada”

(Pe. David de Jesus)

“Maria, a mulher realizada”

 

Quando a mulher é outra Maria, o que significa virgem, mãe, esposa… mas, sobretudo, “portadora de Deus”, ela pode fazer muito por todos os homens, porque a mulher – se é plenamente mulher – é o coração da humanidade.

Nos tempos atuais, saturados de ateísmo, de ódio, em que o espírito é freqüentemente sufocado e desvalorizado, a mulher, com sua natural inclinação para o divino, com sua perene tendência ao amor e sua capacidade de penetração na realidade cotidiana, tem uma tarefa de primeira ordem na sociedade, para renová-la e curá-la.

E pode fazê-lo.

Homens e mulheres, ainda crianças, são criados em seus braços.

Por tudo isso espera-se, hoje, muito da mulher para a renovação da sociedade.

Conscientes da própria identidade, as mulheres pretendem hoje – ao contrário do passado – dar a sua contribuição máxima, original e insubstituível, solidárias entre elas, mas também com os homens, a fim de tecer toda uma rede de relações entre os indivíduos e entre os povos, que deverá compor o futuro do mundo.

Mas, mesmo quando as mulheres tiverem obtido todas as reivindicações legítimas, elas se sentirão plenamente realizadas? Não.

Necessitam de algo mais profundo!

As mulheres atingirão a plenitude do próprio ser somente naquele Jesus que demonstrou um imenso amor por elas, restituindo-lhes a própria dignidade. (…) Elas deverão fazer a experiência de um encontro profundo com Jesus; devem deparar novamente com ele.

Só Cristo as realiza plenamente, como foi Cristo o único que as realizou no passado.

Quem pode negar que Catarina de Sena, Rita de Cássia, Rosa de Lima, Clara de Assis, Joana d’Arc foram mulheres no mais perfeito sentido da palavra, plenamente realizadas? Encontrar-se com Jesus!… Significa deixar-se iluminar, penetrar, inflamar, transformar pela Sua mensagem.

Jesus, Filho de Deus-Amor, veio à terra para viver e morrer por amor, para restaurar toda coisa e criatura com o amor, pois este é o ponto central de sua doutrina para chamar cada ser ao amor: vocação, que atrai a mulher em particular.

(…) A caridade é fundamentalmente sacrifício, é viver pelos outros no esquecimento de si mesmo.

E a mulher, afirma João Paulo II na encíclica Mulieris dignitatem , “com freqüência sabe resistir ao sofrimento mais do que o homem” (MD 19). Portanto, há uma especial predisposição da mulher ao amor, à caridade. Àquela caridade que é o maior carisma (cf. 1Cor 13,13). Carisma que a Igreja e a humanidade hoje parecem ser particularmente chamadas a viver, se quisermos reafirmar na Igreja, como fez o Vaticano II, que é preciso imitar a Igreja primitiva, quando os cristãos eram um só coração e uma só alma pelo amor; se quisermos falar e nos encaminhar rumo à civilização do amor.

Encontrando uma Obra da Igreja, estas mulheres encontram-se com Jesus, com Jesus vivo.

E, tal como no tempo em que ele estava fisicamente presente, elas sentem que seu amor, sua mensagem lhes dá o que existe de mais importante. (…) A mulher compreende que a história da humanidade é uma lenta e difícil descoberta da fraternidade universal em Cristo e trabalha para que esta se concretize em todos os níveis.

O amor que vive no seu coração é universal, ama a todos, não faz distinção nem acepção de pessoas.

E, por viverem o amor ao próximo e o amor recíproco, gerando assim espiritualmente Cristo entre os homens, as mulheres sentem-se particularmente próximas de Maria, que deu Jesus fisicamente ao mundo.

Maria é o modelo que elas imitam em tudo, porque é o tipo da virgem, da noiva, da esposa, da mãe, da viúva e, ao mesmo tempo, é aberta e se interessa pelos grandes problemas da humanidade, como revela o Magnificat. Aliás, talvez seja Maria mesma que, sentindo-se também hoje interpelada por Deus na tarefa de restituir a dignidade à mulher, como clamam os tempos, plasma estas mulheres na sua própria forma e lhes ensina, em primeiro lugar, qual é o principal segredo do verdadeiro amor cristão: a cruz, o sacrifício.

Foi desta forma, de um modo particular, que Jesus demonstrou o seu amor ao mundo.

Com esse amor, Maria, na participação da paixão do Filho, tornou-se mãe de todos os homens.

Estas mulheres, ao seguirem Maria, devem percorrer a mesma estrada dela a fim de serem também elas, de alguma forma, mães de muitos.

E de fato o são.

Que Maria lembre às mulheres que (…) o amor e a dor são fontes de inesgotável alegria, ambas condições para as mulheres se tornarem artífices de unidade e paz.

Chiara Lubich

fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/missao-da-mulher-realizar-o-amor.html

OS MISTÉRIOS DA VIDA E DO ROSÁRIO

” A vida é complexa. Chegam ás alegrias, as consolações, porém, freqüentemente, naufragamos na escura atmosfera quotidiana e não raro apresentam-se dores físicas e espirituais de toda espécie.

Deveríamos estar preparados para qualquer acontecimento. Jamais deveríamos ser colhidos de surpresa diante de qualquer fato.

A vida cristã que se espelha na vida de Cristo, se é autêntica, oferece esta desconcertante possibilidade: enfrentar alegrias e dores de modo ideal, sem que as primeiras se esterilizem logo na futilidade e no nada, e as outras cheguem à exasperação.

A vida cristã, por isso, se enxerta magnificamente, perfeitamente, na vida do homem.

Ela o atualiza, o realiza. Adere às suas aspirações mais variadas e profundas, sublima-as e responde a todo porquê.

E, sejamos sinceros — mesmo se hoje em dia costuma-se falar demasiadamente uma linguagem moderna, nova, tachando quase tudo de antiquado — o que pode ajudar o cristão a viver deste modo, é meditar de novo cada dia os mistérios de alegria, de dor e de glória do Cristo que se encontram inseridos, como pérolas, no rosário.

A Virgem convida os homens a rezá-lo todos os dias. E talvez o faça justamente a fim de que se encontrem sempre preparados para aquilo que a Providência dispõe em seu favor, harmonizando consolações e amarguras, venham de onde vierem.”

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/search/label/Chiara%20Lubich

Para rezar o terço (rosário) agora, clica aqui

PALAVRA DE VIDA – MARÇO 2011

Olá amigos, mais uma vez venho com um precioso tesouro.  O texto que seguirá foi publicada originalmente  por Chiara Lubich em junho de 2000. Após sua morte, seus filhos espirituais sentiram o desejo de continuar meditando a Palavra com sua ajuda, pois sempre foi um meio de permanecerem unidos.  Sendo assim, vos apresento a Palavra de Vida. Aproveitem, meditem, degustem e tomem a decisão de permanecer no Senhor.

 

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Como fez com Maria, Deus quer revelar também a nós tudo o que Ele projetou para cada um, quer dar-nos a conhecer nossa verdadeira identidade. É como se nos dissesse: “Quer que eu faça de você e de sua vida uma obra-prima? Siga o caminho que estou lhe mostrando, e você se tornará o que você sempre foi e é no meu coração. Pois desde toda a eternidade eu o concebi e amei, pronunciei o seu nome. Quando lhe digo a minha vontade, estou lhe revelando seu verdadeiro eu”.

É por isso que a vontade Dele não é uma imposição que nos oprime, mas a manifestação do seu amor por nós, do seu projeto para nós; ela é sublime como o próprio Deus, fascinante e extasiante como a sua face; é Ele mesmo que se doa. A vontade de Deus é um fio de ouro, uma trama divina que tece toda a nossa vida terrena e a eterna; vai desde a eternidade até a eternidade – primeiro, na mente de Deus; depois, nesta terra e, enfim, no Paraíso.

Mas, para que o desígnio de Deus possa se cumprir plenamente, Deus pede a minha e a sua adesão, como a pediu a Maria. Só assim é possível que a palavra que Ele pronunciou para mim e para você se realize. Portanto, também nós somos chamados a dizer, como Maria:

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

É verdade que a vontade Dele nem sempre nos é clara. Como Maria, também nós teremos de pedir a luz para entender o que Deus quer. É preciso escutar bem a sua voz em nosso íntimo, com toda a sinceridade, aconselhando-nos, se necessário for, com alguém que nos ajude. Porém, uma vez compreendida a sua vontade, queremos dar-lhe imediatamente o nosso sim.

De fato, tendo entendido que a sua vontade é o que de maior e de mais bonito pode existir na vida, não vamos nos resignar a “ter de fazer” a vontade de Deus, mas vamos nos alegrar por “podermos fazer” a vontade de Deus e seguirmos seu projeto, de modo que o que Ele imaginou para nós se realize. É a melhor coisa que podemos fazer, a mais inteligente.

As palavras de Maria – “Eis aqui a serva do Senhor” – são, portanto, nossa resposta de amor ao amor de Deus. Elas nos mantêm sempre orientados a Ele, numa atitude de escuta e de obediência, com o único desejo de cumprir a sua vontade, a fim de sermos como Ele quer.

No entanto, às vezes, o que Ele nos pede parece absurdo. Podemos achar que seria melhor agir de outra forma; gostaríamos nós mesmos de segurar as rédeas da nossa vida. Gostaríamos até de aconselhar a Deus, de dizer-lhe o que deve ou não ser feito. Mas se acreditamos que Deus é amor e confiamos Nele, sabemos que tudo o que Ele predispõe, na nossa vida e na de todos os que estão ao nosso lado, é para o nosso bem, para o bem deles. Então nos entregamos a Ele, abandonamo-nos com plena confiança à sua vontade, desejando-a com todo o nosso ser, a ponto de nos tornarmos um com ela, sabendo que acolher a sua vontade significa acolher a Ele, abraçá-lo, alimentarmo-nos Dele.

Acreditemos que nada acontece por acaso. Nenhum acontecimento alegre, indiferente ou doloroso, nenhum encontro, nenhuma situação de família, de trabalho, de escola, nenhuma condição de saúde física ou moral é sem sentido. Mas tudo – acontecimentos, situações, pessoas – é portador de uma mensagem de Deus; tudo contribui para a realização do desígnio Dele, que vamos descobrindo aos poucos, dia após dia, fazendo a vontade de Deus, como Maria.

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

De que modo podemos, então, viver esta Palavra? Nosso sim à Palavra de Deus significa, concretamente, fazer bem, na íntegra e a cada momento, a ação que a vontade de Deus requer de nós. Significa fazer essa atividade de corpo e alma, eliminando qualquer outra coisa, renunciando a pensamentos, desejos, lembranças ou ações que se refiram a outra coisa.

Diante de cada vontade de Deus, seja ela dolorosa, alegre ou indiferente, podemos repetir: “Aconteça-me segundo a tua palavra” ou, como Jesus ensinou no pai-nosso: “Seja feita a tua vontade”. Digamos isso antes de cada ação nossa: “Aconteça”, “seja feita”. E estaremos compondo, momento após momento, pedrinha após pedrinha, o mosaico maravilhoso, único e irrepetível, da nossa vida, que o Senhor desde sempre imaginou para cada um de nós.

Chiara Lubich

%d bloggers like this: