NÃO SE PODE AMAR A DOR

Como devemos nos comportar quando surge uma dor? É possível amar a dor?
A dor não pode ser amada em si mesma, porque é um não-ser: a doença é a não-saúde; a dor, angústia são a não-alegria. A dor é sempre uma negação de algo.
Quem deve ser amado é Jesus crucificado e abandonado, que está presente em qualquer sofrimento e em cada pessoa que sofre.
Conta-se que santa Catarina de Sena, quando ­era ainda menina, fazia muitas obras de caridade. Certo dia, porém, ao encontrar um pobre, obrigada a responder-lhe: «Não tenho nada». No entanto, em seguida se lembrou de que carregava uma correntinha no pescoço. Tirou-a e deu-a ao pobre.
Durante a noite apareceu-lhe Jesus com uma cruzinha maravilhosa na mão, toda incrustada de pedras preciosas, e disse: «Conheces esta cruzinha?»
«Não», respondeu ela.
«É aquela que me deste ontem, na pessoa daquele pobre», acrescentou Jesus.
Jesus escondera-se na figura do pobre, como se esconde na figura do faminto, do sedento, do des­nudo… E não só na figura do irmão, mas também em nós; se estamos doentes, por exemplo, Jesus está presente. E o que for feito a nós, nessa ocasião, será feito a Jesus.
Portanto, como devemos nos comportar quando a dor se apresenta? Deve-se ir ao fundo do coração e dizer: «Jesus, eu quero seguir-te, mesmo na cruz, mesmo abandonado, e esta é a oportunidade. Ofereço-te esta dor, estou feliz por ter esta dor para te doar».
E, em seguida, nos lançamos no amor ao próximo, ou continuamos a fazer alguma outra vontade de Deus.
Em geral, se forem sofrimentos espirituais, passam; e assim podemos de novo retomar a caminhada da vida na paz e na alegria.
Chiara Lubich
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CHIARA “LUCE” BADANO: EXEMPLO DE AMOR NA DOR

Depois de mais de três meses em silêncio, decidi sair do armário da dor. Por mais que minha fé me leve adiante, a dor da separação do meu pai não tem sido fácil. Fiquei calado e não chorei desesperado. Ao contrário, soube louvar a Deus por todas as graças que me concedeu, principalmente de ter o pai que tenho. Homem simples, de um coração grande, cheio de Deus. Isso é o que posso definir meu querido pai. Administrar a chuva de sentimentos que brotou em meu coração nos últimos noventa dias não é muito fácil. Houve momentos em que agi com tranqüilidade e a fé na ressurreição me deu tranqüilidade. Porém, houve momentos em que a saudade me assaltou e senti-me só, desamparado e com vontade de fugir. Talvez tenha até fugido para dentro do meu coração angustiado e consequentemente me fechei. Mas aqui estou de volta.

No último final de semana a Igreja elevou aos altares uma jovem de apenas dezoito anos: Chiara Luce Badano. E assistir à cerimônia mexeu profundamente comigo. A realidade da morte, a dor da separação, a fé na ressurreição, a felicidade ante o sofrimento, o descanso e de modo especial o testemunho de profundo amor e caridade em meio à dor de sua enfermidade me convidou a reencontrar o frescor e o entusiasmo da fé. Continuar a ler

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