Sínodo da Palavra – Uma guia essencial ao Livro dos livros

Inserida entre as iniciativas na abertura do Sínodo dos Bispos dedicado à “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, no dia 1º de outubro realizou-se em Roma, na Rádio Vaticano, a apresentação do livro “Guia essencial à Bíblia Sagrada” durante a qual falou o secretário do Sínodo, Dom Nikola Eterovic.

Inserida entre as iniciativas na abertura do Sínodo dos Bispos dedicado à “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, no dia 1º de outubro realizou-se em Roma, na Rádio Vaticano, a apresentação do livro “Guia essencial à Bíblia Sagrada” durante a qual falou o secretário do Sínodo, Dom Nikola Eterovic. O autor em seguida definiu assim a obra:“A Igreja deseja, guiada pelo Santo Padre Bento XVI, colocar-se em religiosa escuta da Palavra de Deus. Deus sempre fala e deseja falar também a nós hoje, sobretudo através de Jesus Cristo e do Espírito Santo”. “Eu espero que seja uma válida ajuda para muitos para ler a Bíblia, livro traduzido em muitas línguas, o mais traduzido no mundo, mas infelizmente não lido adequadamente”. “Esta è precisamente uma iniciação, o Abc para aproximar-se do Livro dos livros”.

O Povo tem Pouco Acesso à Bíblia

Acontecerá em Roma de 5 a 26 de outubro de 2008 o XII Sínodo dos Bispos.
O tema escolhido pelo Papa Bento XVI é: “A Palavra de Deus na vida e na Missão da Igreja”. Foi elaborado o Documento (Lineamenta) que é um estudo em preparação ao grande evento.

Vamos enfocar as questões e oferecer algumas conclusões práticas. Se o povo tem pouco acesso à Bíblia, precisamos deflagrar uma “mobilização bíblica” para sermos discípulos missionários. Bíblia na mão, no coração e pés na missão.

1. O Documento afirma: “são graves os fenômenos de ignorância que muitos cristãos têm em relação à Bíblia” (n.º 4). Sofremos na Igreja de uma ignorância bíblica, de um analfabetismo bíblico. Infelizmente esta é uma realidade grave, diz o Documento. Portanto, “torna-se urgente a necessidade de conhecer a Palavra de Deus e alargar o encontro com a Sagrada Escritura.” Fixemos estas duas palavras: ignorância e urgência. Constata-se a ignorância bíblica e propõe-se a urgência do acesso à Bíblia, para que a Palavra seja conhecida, servida, amada, aprofundada e vivida na Igreja.

2. Mais contundentes são estas quatro fortes afirmações: a finalidade do Sínodo é reforçar a prática do encontro com a Palavra de Deus, fonte de vida. Segunda, fazer com que os fiéis tenham amplo acesso à Bíblia. Terceira, dar ao povo uma Palavra que seja pão. Quarta, sublinhar a experiência com a Palavra de Deus em ato. Estas quatro finalidades do Sínodo estão focalizadas na direção do acesso à Bíblia, ou seja, oferecer oportunidade de o povo ter a Palavra de Deus em suas mãos e saber interpretá-la para bem vivê-la e anunciá-la (cf. Lineamenta, n. 5).

3. Nesta mesma direção o Documento recorda que desde a Dei Verbum, ou seja, desde o Concílio Vat. II se pede “um encontro com o Livro Sagrado”. Mas no n.º 15 há como que duas queixas: Primeira, a “Palavra de Deus circula pouco” no meio do povo. Segunda, “ainda não se favorece de modo adequado o encontro com o Livro Sagrado”. Estas duas constatações indicam que temos um longo caminho a percorrer até que nosso povo tenha o hábito de ter a Bíblia na mão e na vida.

4. É preciso reconhecer que “o maior dever da Igreja é passar a Palavra a todos” (n. 23).  E ainda, “tem papel importante na evangelização o encontro direto com a Sagrada Escritura”. Em outras palavras, o Documento volta a insistir sobre a necessidade urgente de o povo ter contato direto com a Bíblia. A Pontifícia Comissão Bíblia constata que é motivo de alegria ver a Bíblia nas mãos de gente humilde e pobre e (cf. Lineamenta, n.º 25, pág.36). É bom sabermos que existe esta manifestação de nossos biblistas maiores para fundamentar ainda mais a necessidade de uma mobilização bíblica. O Papa Bento XVI convida os jovens a terem “familiaridade com a Bíblia e a tê-la ao alcance das mãos” (n.º 25). Como vemos, é grande a insistência sobre o acesso à Bíblia.

5. Outra passagem do Documento que torna a fazer um forte apelo para que o povo tenha contato direto com a Bíblia é o n.º 27. O texto insiste: ”é necessário que os fiéis tenham amplo acesso à Sagrada Escritura”. Logo em seguida diz: “Temos que admitir que a maioria dos cristãos não têm contato efetivo e pessoal com a Bíblia”. Ressaltamos aqui a afirmação que a “maioria dos cristãos” não tem contato com a Bíblia. O Documento recorda ainda que a Federação Bíblica Católica, fundada por Paulo VI tem por objetivo difundir o texto da Bíblia e que esta difusão tem que levar em conta inclusive o preço acessível para a aquisição da Bíblia.

6. Por fim temos uma belíssima alusão a respeito do conhecimento da Sagrada Escritura. Assim afirma o Documento (n.º 34): “O conhecimento da Sagrada Escritura é obra de um carisma eclesial que é posto nas mãos dos crentes abertos ao Espírito Santo”. Portanto, é carisma da Igreja colocar a Palavra de Deus nas mãos do povo, facilitar o acesso de todos os fiéis à Bíblia. Daí a necessidade de uma mobilização bíblica para a primavera da Igreja.

Dom Orlando

Fonte: http://www.cnpf.org.br/novo_site/artigos/artigo.asp?id=500

ORIGEM E FORMAÇÃO DA BÍBLIA – 02

2. A tradição oral e a tradição escrita

A parte mais antiga da Bíblia remonta justamente deste tempo (1100 a.C.), quando a escrita ainda não estava bem definida, e é oral. Desde este tempo já se fora criando uma tradição, que existia oralmente e era transmitida aos novos pelos mais velhos nas reuniões que havia nos santuários. Por este tempo, só eram relatados os acontecimentos do deserto, do Sinai, da aliança de Deus com o povo. Mas os jovens queriam saber o que havia acontecido antes disto. Então foram sendo compostas as histórias dos Patriarcas. Mas, e antes deles, antes de Abraão? Passaram à história da criação do mundo. Por isso, se afirma que a parte mais antiga da Bíblia é o Cântico de Débora, no livro dos Juizes. A partir daí, fez-se um retrospecto didático-histórico. Como dissemos, estas histórias iam sendo passadas oralmente de pai a filho, nos santuários. Acontece que nem todos iam para os mesmos santuários, o que motivou a existência de pequenas diferenças na catequese do norte e na do sul.

A tradição do sul foi chamada de JAVISTA (J), pois Deus era tratado sempre por Javé; a do norte se chamou ELOISTA (E), porque Deus era tratado como Eloi. A tradição oral existiu até os tempos de Daví, quando foi escrita a tradição javista; meio século depois, foi escrita também a eloista. Por volta de 721 a.C., na época, da divisão dos reinos, quando Samaria foi destruída pelos assírios, muitos sacerdotes do norte fugiram para o sul e levaram consigo a sua tradição. A partir de então, as duas foram compiladas num só escrito. Falamos das duas tradições: uma do norte e outra do sul. Mas não existiam apenas estas duas, que são as principais. Há ainda a DEUTERONOMICA (D), encontrada casualmente em 622 a. C. por pedreiros, que trabalhavam num templo. Corresponde ao livro Deuteronômio da Bíblia atual. Após esta, surgiu a SACERDOTAL (P), nova compilação das catequeses antigas de Israel, datada do século VI a.C. Ao fim, estas quatro tradições foram combinadas entre si e compiladas em 5 volumes, dando origem ao Pentateuco da Bíblia atual. Na tradição Javista, Deus é antropomórfico. Na Sacerdotal, Deus é poderoso, está acima do tempo, o que significa um progresso no conceito de Deus que o povo tinha. A redação do Pentateuco se deu pelo ano 398 a.C. e compreendia a primeira parte da Bíblia judaica. A partir de Josué, a tradição continuou oral, para ser escrita somente por volta de 550 a.C. E foram escritas do modo como o povo contava. Por isso não se pode dar a mesma importância histórica aos fatos descritos nestes livros em relação a outros posteriores, pois alguns fatos narrados foram baseados na tradição popular, enquanto que outros foram baseados em documentos de arquivos (anais do Reino). Este é um grande desafio para os estudiosos e também uma fonte de divergências.

Fonte:

http://www.presbiteros.com.br/Biblia/Origem.htm

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