Corpo e transcendência na Teologia do Corpo de São João Paulo II

“Não sabeis, porventura, que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, que recebestes de Deus e que não vos pertenceis a vós mesmos? É que fostes comprados por um grande preço. Glorificai pois a Deus no vosso corpo” (I Cor 6, 19-20)
Vamos aprender um pouco mais a respeito da Teologia do Corpo de João Paulo II?
Participe da VIII Semana Acadêmica, a partir de 17 de outubro.

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Diletos amigos,

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Queremos alcançar nossa meta de formar cristãos comprometidos com o Evangelho e com a missão evangelizadora, bem como homens e mulheres abertos ao diálogo com o mundo contemporâneo sendo testemunhas de Jesus Cristo.

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Um relacionamento Divino

Por meio da vinda do Filho de Deus que se encarnou na nossa terra, pudemos tornar-nos filhos de Deus; filho, como ele, que é Filho do Pai, filho no Filho.
De fato, dentro de nós está presente um tesouro infinito. Nós o descrevemos como uma voragem, como um abismo, como a imensidão, como um sol divino dentro de nós: é a Santíssima Trindade. Temos, assim, a possibilidade de conviver com ela, podemos ouvir o apelo a nos perdemos nela, para nos encontrarmos mais “cristificados”.
E fechando a janela da alma do lado de fora e abrindo-a para dentro, podemos conversar com ela. Trata-se de um convite a permanecermos no Céu dentro de nós, onde vive o Eterno e é o Ser verdadeiro.
Mas não é somente a oração o que a Santíssima Trindade em nós pede. As três Pessoas Divinas, que são o único amor, desejam ter um relacionamento celestial com cada um de nós; e cada Um a seu modo.
O Pai.
Temos o Pai. No nosso íntimo está presente um Pai.
Aquele Pai Celeste – que deu origem e sustenta a imensa Criação, o cosmo, no qual estamos imersos como uma gota no oceano – está também no nosso pequeno coração.
E esse Pai é pai realmente. São vários os nossos contatos com Ele; Ele é, por exemplo, o destinatário da oração mais divina que podemos recitar: o Pai-Nosso. Nós o invocamos em nome de Jesus para obtermos as graças desejadas. Uma característica nossa é a que enfatiza o nosso carisma, a frase de são Pedro que sugere: lancemos nele todas as preocupações (cf. 1Pd 5,7). E quantas vezes, uma infinidade de vezes, lançamos com fé as preocupações no seu coração, fomos rapidamente libertados delas, que desapareceram, resolvidas pelo seu amor.
Porque é assim que se age com um Pai: confia-se nele com segurança, em relação a tudo. E este é um Pai, o amparo, a certeza do filho que, como uma criança, abandona-se, despreocupada, em seus braços.
O Verbo.
Dentro de nós há também o Filho: o Verbo, que, tendo-se encarnado, é Jesus.
É Jesus que está dentro de nós.
Aprendemos a amá-lo profundamente, por exemplo, nas suas diferentes presenças: na Eucaristia, na Palavra, na unidade entre os irmãos, no pobre, na autoridade que o representa, no fundo do nosso coração.
Mas Jesus está num aspecto particular, que nós reconhecemos e amamos como Esposo da nossa alma: Jesus no seu abandono. E sabemos que Esposo Ele foi e será para nós até o fim da nossa vida.
Foi Ele quem nos amparou em todas as provações da vida, em todas elas, sugerindo-nos como supera-las, como restituir à nossa vida a paz e a força.
Jesus Abandonado: o Esposo da nossa alma!
O Espírito Santo.
Aquele Espírito do qual conhecemos os efeitos divinos: nas pessoas, nas comunidades renovadas pela sua presença, pela sua atmosfera. Aquele com quem – como se fosse um outro “eu” – nós nos confidenciamos com a certeza de que sempre nos responde quando o invocamos, e que nos sugere palavras de sabedoria, que nos conforta, nos sustenta e nos ama com um amor especial como um amigo verdadeiro. É o nosso amigo, o Espírito Santo.
Pai, Esposo, amigo.
O que mais podemos querer? E os três são um, um só Amor, que fez morada no nosso coração.
Reflitamos juntamente com Maria, sobre a qual o Espírito Santo desceu, a potência do Altíssimo, o Pai, estendeu a sua sombra, em quem o Verbo se encarnou.
Mantenhamos e reforcemos com ela esses relacionamentos, enquanto, continuando a viver o momento presente, nos inserimos no presente eterno no qual está Deus, no qual os três vivem, assim como estão presentes no nosso pequeno coração.

Chiara Lubich

O que significa crer hoje?

Posto na íntegra  a Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta- feira 24 de outubro de 2012.

“CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 24 de outubro de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos as palavras de Bento XVI dirigidas aos fiéis e peregrino reunidos na Praça de São Pedro para a tradicional audiência de quarta-feira.

Queridos irmãos e irmãs,

Quarta-feira passada, com o início do Ano da Fé, comecei uma nova série de catequeses sobre a fé. E hoje gostaria de refletir com vocês sobre uma questão fundamental: o que é a fé? Ainda há um sentido para a fé em um mundo cuja ciência e a técnica abriram horizontes até pouco tempo impensáveis? O que significa crer hoje? De fato, no nosso tempo é necessária uma renovada educação para a fé, que inclua um conhecimento das suas verdades e dos eventos da salvação, mas que sobretudo nasça de um verdadeiro encontro com Deusem Jesus Cristo, de amá-lo, de confiar Nele, de modo que toda a vida seja envolvida.

Hoje, junto a tantos sinais do bem, cresce ao nosso redor também um certo deserto espiritual. Às vezes, tem-se a sensação, por certos acontecimentos dos quais temos notícia todos os dias, que o mundo não vai em direção à construção de uma comunidade mais fraterna e mais pacífica; as mesmas ideias de progresso e de bem estar mostram também as suas sombras. Apesar da grandeza das descobertas da ciência e dos sucessos da técnica, hoje o homem não parece  verdadeiramente mais livre, mais humano; permanecem tantas formas de exploração, de manipulação, de violência, de abusos, de injustiça…Um certo tipo de cultura, então, educou a mover-se somente no horizonte das coisas, do factível, a crer somente no que se vê e se toca com as próprias mãos. Por outro lado, cresce também o número daqueles que se sentem desorientados e, na tentativa de ir além de uma visão somente horizontal da realidade, estão dispostos a crer em tudo e no seu contrário. Neste contexto, surgem algumas perguntas fundamentais, que são muito mais concretas do que parecem à primeira vista: que sentido tem viver? Há um futuro para o homem, para nós e para as novas gerações? Em que direção orientar as escolhas da nossa liberdade para um êxito bom e feliz da vida? O que nos espera além do limiar da morte? 

Destas insuprimíveis perguntas emergem como o mundo do planejamento, do cálculo exato e do experimento, em uma palavra o saber da ciência, mesmo sendo importante para a vida do homem, sozinho não basta. Nós precisamos não apenas do pão material, precisamos de amor, de significado e de esperança, de um fundamento seguro, de um terreno sólido que nos ajude a viver com um senso autêntico também nas crises, na escuridão, nas dificuldades e nos problemas cotidianos. A fé nos dá exatamente isto: é um confiante confiar em um “Tu”, que é Deus, o qual me dá uma certeza diferente, mas não menos sólida daquela que me vem do cálculo exato ou da ciência.A fé não é um simples consentimento intelectual do homem e da verdade particular sobre Deus; é um ato com o qual confio livremente em um Deus que é Pai e me ama; é adesão a um “Tu” que me dá esperança e confiança. Certamente esta adesão a Deus não é privada de conteúdo: com essa sabemos que Deus mesmo se mostrou a nós em Cristo, mostrou a sua face e se fez realmente próximo a cada um de nós. Mais, Deus revelou que o seu amor pelo homem, por cada um de nós, é sem medida: na Cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus feito homem, nos mostra do modo mais luminoso a que ponto chega este amor, até a doação de si mesmo, até o sacrifício total. Com o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até o fundo na nossa humanidade para trazê-la de volta a Ele, para elevá-la à sua altura. A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, diante do mal e da morte, mas é capaz de transformar cada forma de escravidão, dando a possibilidade da salvação.Ter fé, então, é encontrar este “Tu”, Deus, que me sustenta e me concede a promessa de um amor indestrutível que não só aspira à eternidade, mas a doa; é confiar-se em Deus como a atitude de uma criança, que sabe bem que todas as suas dificuldades, todos os seus problemas estão seguros no “Tu” da mãe. E esta possibilidade de salvação através da fé é um dom que Deus oferece a todos os homens. Acho que deveríamos meditar com mais frequência – na nossa vida cotidiana, caracterizada por problemas e situações às vezes dramáticas – sobre o fato de que crer de forma cristã significa este abandonar-me com confiança ao sentido profundo que sustenta a mim e ao mundo, aquele sentido que nós não somos capazes de dar, mas somente de receber como dom, e que é o fundamento sobre o qual podemos viver sem medo. E esta certeza libertadora e tranquilizante da fé devemos ser capazes de anunciá-la com a palavra e de mostrá-la com a nossa vida de cristãos. 

Ao nosso redor, porém, vemos todos os dias que muitos permanecem indiferentes ou recusam-se a acolher este anúncio. No final do Evangelho de Marcos, hoje temos palavras duras do Ressuscitado que diz: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 16), perde a si mesmo. Gostaria de convidá-los a refletir sobre isso. A confiança na ação do Espírito Santo, nos deve impulsionar sempre a andar e anunciar o Evangelho, ao corajoso testemunho da fé; mas além da possibilidade de uma resposta positiva ao dom da fé, há também o risco de rejeição ao Evangelho, do não acolhimento ao encontro vital com Cristo.Santo Agostinho já colocava este problema em seu comentário da parábola do semeador: “Nós falamos – dizia – lançamos a semente, espalhamos a semente. Existem aqueles que desprezam, aqueles que reprovarão, aquelas que zombam. Se nós temos medo deles, não temos mais nada a semear e no dia da ceifa ficaremos sem colheita. Por isso venha a semente da terra boa” (Discurso sobre a disciplina cristã, 13, 14: PL 40, 677-678). A recusa, portanto, não pode nos desencorajar. Como cristãos somos testemunhas deste terreno fértil: a nossa fé, mesmo com nossos limites, mostra que existe a terra boa, onde a semente da Palavra de Deus produz frutos abundantes de justiça, de paz e de amor, de nova humanidade, de salvação. E toda a história da Igreja, com todos os problemas, demonstra também que existe a terra boa, existe a semente boa, e traz fruto.

Mas perguntamo-nos: de onde atinge o homem aquela abertura do coração e da mente para crer no Deus que se fez visível em Jesus Cristo morto e ressuscitado, para acolher a sua salvação, de forma que Ele e seu Evangelho sejam o guia e a luz da existência? Resposta: nós podemos crer em Deus porque Ele se aproxima de nós e nos toca, porque o Espírito Santo, dom do Ressuscitado, nos torna capazes de acolher o Deus vivo. A fé então é primeiramente um dom sobrenatural, um dom de Deus.O Concílio Vaticano II afirma: “Para que se possa fazer este ato de fé, é necessária a graça de Deus que previne e socorre, e são necessários os auxílios interiores do Espírito Santo, o qual mova o coração e o volte a Deus, abra os olhos da mente, e doe ‘a todos doçura para aceitar e acreditar na verdade’” (Cost. dogm. Dei Verbum, 5). Na base do nosso caminho de fé tem o Batismo, o sacramento que nos doa o Espírito Santo, fazendo-nos tornar filhos de Deus em Cristo, e marca o ingresso na comunidade de fé, na Igreja: não se crê por si próprio, sem a vinda da graça do Espírito; e não se crê sozinho, mas junto aos irmãos. A partir do Batismo cada crente é chamado a re-viver e fazer própria esta confissão de fé, junto aos irmãos.

A fé é dom de Deus, mas é também ato profundamente livre e humano. O Catecismo da Igreja Católica o diz com clareza: “É impossível crer sem a graça e os auxílios interiores do Espírito Santo. Não é, portanto, menos verdade que crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário nem à liberdade e nem à inteligência do homem” (n. 154). Mas, as implica e as exalta, em uma aposta de vida que é como um êxodo, isso é, um sair de si mesmo, das próprias seguranças, dos próprios esquemas mentais, para confiar na ação de Deus que nos indica a sua estrada para conseguir a verdadeira liberdade, a nossa identidade humana, a verdadeira alegria do coração, a paz com todos. Crer é confiar com toda a liberdade e com alegria no desenho providencial de Deus na história, como fez o patriarca Abraão, como fez Maria de Nazaré. A fé, então, é um consentimento com o qual a nossa mente e o nosso coração dizem o seu “sim” a Deus, confessando que Jesus é o Senhor. E este “sim” transforma a vida, abre a estrada para uma plenitude de significado, a torna nova, rica de alegria e de esperança confiável.

Caros amigos, o nosso tempo requer cristãos que foram apreendidos por Cristo, que cresçam na fé graças à familiaridade com a Sagrada Escritura e os Sacramentos. Pessoas que sejam quase um livro aberto que narra a experiência da vida nova no Espírito, a presença daquele Deus que nos sustenta no caminho e nos abre à vida que nunca terá fim. Obrigado.

Ao final o Santo Padre dirigiu a seguinte saudação em português:

Uma cordial saudação para todos os peregrinos de língua portuguesa, com menção particular dos grupos de diversas paróquias e cidades do Brasil, que aqui vieram movidos pelo desejo de afirmar e consolidar a sua fé e adesão a Cristo: o Senhor vos encha de alegria e o seu Espírito ilumine as decisões da vossa vida para realizardes fielmente o projeto de Deus a vosso respeito. Acompanha-vos a minha oração e a minha Bênção.”

Fonte: http://www.zenit.org/article-31622?l=portuguese

PARAISO NA TERRA

 A constituição pastoral Gaudíum et Spes postula a intervenção da Igreja para inspirar e amparar o desenvolvimento racional da civilização. Como cristianizar a ordem temporal? Em outras palavras: como inserir o divino no humano?

Não há necessidade de operações misteriosas. Aderindo ao racional, aderimos à ordem divina, ao Logos, que anima a criação. É sobre este fundamento que o cristão insere a animação evangélica. isto é, a caridade com sua conseqüente consciência de liberdade e de justiça para com os homens e para com Deus, de modo a direcionar o progresso rumo ao paraíso; realmente uma ascensão visando a perfeição. A terra serve, antes, de plataforma para a ascese, o humano serve de suporte para o divino, e a vida terrena de caminho para a vida celeste.
Assim fazia a jovem do Magnificat, assim age a mãe do Crucificado.
Nenhuma criatura jamais atingiu a altura espiritual da Virgem e nenhuma o fez com mais simplicidade. Não houve cursos complica­dos de ascese em sua vida; houve a cozinha, o galinheiro, os animais domésticos, a lavanderia, a oficina; houve o trabalho e a dor, elementos de que ela fez, minuto por minuto, as matérias da elevação a Deus, do holocausto ao Eterno.
Sua casa foi seu convento; sua regra foi o cumprimento de suas incumbências; servir a Jesus e a José, seu obséquio ao Eterno; sua modéstia foi o véu com o qual recobriu sua beleza; o silêncio, a cela em que fez penitência, trabalhando.
As palavras e coisas de origem divina, Maria as conservava em seu coração. As suas mãos trabalhavam; sua alma orava, amando, e dia-a­dia mais se aproximava de Deus.
Era contemplativa e ativa: modelo de pessoa forjada teandricamente por Deus para o conhecimento do Eterno, e para desenvolver a criação de acordo com os desígnios do Criador.
Imitando Maria, ou melhor, unindo-nos a Maria, mantendo-a presente durante as vinte e quatro horas do dia, a marcha da existência se toma uma scala paradisi (uma escalada ao paraíso) porque nela e para ela, segundo seu exemplo, tudo converge para o único fluxo da vontade de Deus. Vontade esta que, se desce do paraíso, a ele retorna. As dificuldades da subida se transformam em doçura, se nos deixarmos levar pela mão de Maria, sua mão pura de mãe que não conhece o cansaço. Não poderíamos encontrar preparativos mais apropriados, nem mais dignos do que este: o domínio da mãe de Jesus em nossa alma, para purificá-la e dispô-la a ser morada da divindade.
Ela nos prepara para a comunhão eucarística, nos acompanha através das provas do dia, limpa a nossa alma de toda ação feia que tivermos praticado; apresenta diante do trono de Deus nossa súplica com nossos suspiros; porque nós sempre aceitamos, humildes, gratos e obedientes, a sua presença materna.
Levemos para casa Maria, para que lá esteja Jesus. Cedendo a ela a direção, temos a certeza de termos em nossa pessoa, como em sua alma sobrenatural, o Espírito Santo. Aí então o Pai Nosso nos garante o pão cotidiano.
A piedade popular muitas vezes estimulou a fantasia para exprimir essa maternidade benfazeja, como quando imaginou que, tendo o Pai Eterno negado o perdão a algumas almas, enquanto Pedro fechava a porta do paraíso, Maria mandava que elas entrassem pela janela.
Desde a origem do cristianismo, servir a Maria sempre apareceu aos cristãos como ideal de paraíso. No início da Idade Média era comum a consagração a Maria, e ainda hoje existem epigrafes de catedrais nas quais papas se professam servos da Santa Mãe de Deus, assim como se definiam quais servos dos servos de Deus.
“Ó Maria – invocava Tomas de Kempis no século XV – ô doce mãe de meu Deus, peço-te que te dignes socorrer este pobre servo teu com tua compaixão toda maternal e tua caridade toda doçura”.
Mais tarde essa servidão foi chamada escravidão do amor.
Pode ser Maria e dar Jesus; viver Jesus, vivendo Maria.., ai então a vida é gozo, é paraíso na. terra.
Igino Giordani

Devemos não apenas pedir, mas também louvar e agradecer

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Catequese de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 20 de junho de 2012(ZENIT.org) – Seguem as palavras pronunciadas por Bento XVI na catequese de hoje, durante a Audiência Geral, aos fiéis e peregrinos reunidos na Sala Paulo VI.

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Queridos irmãos e irmãs,

A nossa oração, muitas vezes, é pedido de ajuda numa necessidade. E é normal para o homem, porque temos necessidade de ajuda, temos necessidade dos outros, temos necessidade de Deus. Assim, é normal pedir alguma coisa a Deus, buscar a ajuda Dele; e devemos lembrar que a oração que o Senhor nos ensinou, o “Pai Nosso”, é uma oração de pedido, e com esta oração, o Senhor nos ensina as prioridades da nossa oração, limpa e purifica os nossos desejos e, assim, limpa e purifica o nosso coração. Então, por si mesmo, é normal que na oração peçamos alguma coisa, mas não deveria ser exclusivamente assim.

Existe também motivos de agradecimento, se estamos um pouco atentos, vemos que de Deus recebemos tantas coisas boas: é tão bom para conosco que convém, é necessário, dizer obrigado. E deve ser também oração de louvor: se o nosso coração está aberto, vemos, apesar de todos os problemas, também as belezas de sua criação, a bondade que se revela na sua criação. Portanto, devemos não apenas pedir, mas também louvar e agradecer: somente assim a nossa oração será completa.

Na sua carta, São Paulo não apenas fala da oração, mostra certamente orações de pedido, mas também oração de louvor e de graças por tudo que Deus realiza e continua realizando na história da humanidade.

Hoje, gostaria de deter-me no primeiro capítulo da Carta aos Efésios, que começa exatamente com uma oração, que é um hino de benção, uma expressão de agradecimento, de alegria. São Paulo bendiz Deus, pai do Senhor Nosso Jesus Cristo, porque Nele nos deu a ‘conhecer  o mistério da sua vontade’ (Ef 1,9). Realmente existe motivo de agradecimento se Deus nos faz conhecer aquilo que é desconhecido: a sua vontade conosco, para nós; “o mistério de sua vontade”. “Mysterion”, “Mistério”: um termo que se repete muitas vezes na Sagrada Escritura e na Liturgia. Não gostaria agora de entrar na filologia, mas em linguagem comum indica o quanto não se pode conhecer, uma realidade que não podemos afirmar com nossa própria inteligência. O hino que abre a Carta aos Efésios nos conduz pela mão em direção a um significado mais profundo deste termo e da realidade que nos indica. Para os que crêem, “mistério” não é tanto o desconhecido, mas sim a vontade misericordiosa de Deus, o seu projeto de amor que em Jesus Cristo foi revelado plenamente e nos oferece a possibilidade de, “com todos os santos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo” (Ef 3,18-19). O “mistério desconhecido” de Deus é revelado, é que Deus nos ama e nos ama desde o início, da eternidade.

Reflitamos um pouco sobre esta solene e profunda oração. “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 1,3). São Paulo usa o verbo “euloghein”, que geralmente traduz o termo hebraico “barak”: é o louvar, glorificar, agradecer Deus Pai como fonte dos bens da salvação, como Aquele que “nos abençoou com toda a benção espiritual nos céus em Cristo”.

O apóstolo agradece e louva, mas reflete também sobre os motivos que impulsionam o homem a este louvor, a este agradecimento, apresentando os elementos fundamentais do plano divino e suas etapas. Antes de tudo, devemos bendizer Deus Pai, porque – assim escreve São Paulo – Ele “nos acolheu nele antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos” (v. 4).

Aquilo que nos faz santos e imaculados é a caridade. Deus nos chamou à existência, à santidade. E esta escolha precede a criação do mundo.Desde sempre estamos no seu projeto, no seu pensamento. Com o profeta Jeremias podemos afirmar também nós que antes de formar-nos no seio de nossa mãe, Ele já nos conhecia. (cfrJr 1,5); e conhecendo-nos, nos amou. A vocação à santidade, isto é à comunhão com Deus, pertence ao desenho eterno deste Deus, um desenho que se estende na história e compreende todos os homens e mulheres do mundo, porque é um chamado universal. Deus não exclui ninguém, o seu projeto é somente de amor. São João Crisóstomo afirma: “Deus mesmo nos fez santos, mas não somos chamados a permanecer santos. Santo é aquele que vive na fé (Homilia sobre a Carta aos Efésios, 1,1,4).

São Paulo continua: Deus nos predestinou, nos elegeu para sermos “adotados como filhos seus por Jesus Cristo”, a sermos incorporados em seu Filho Unigênito.O apóstolo destaca a gratuidade deste maravilhoso desenho de Deus sobre a humanidade. Deus nos escolhe não porque somos bons, mas porque Ele é bom.  E a antiguidade tinha uma palavra sobre a bondade: bonum est diffusivum sui; o bem se comunica, faz parte da essência do bem que se comunique, estenda-se. E assim, uma vez que Deus é bondade, é comunicação de bondade, deseja comunicar; Ele cria, porque quer comunicar a sua bondade a nós e nos fazer bons e santos.

No cento da oração de benção, o Apóstolo ilustra o modo em que se realiza o plano de salvação do Pai em Cristo, em seu Filhoamado. Escreve: “pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1,7).O sacrifício da cruz de Cristo é o evento único e irrepetível no qual o Pai mostrou de modo luminoso o seu amor por nós, não somente com palavras, mas de modo concreto.Deus é assim concreto e o seu amor é assim concreto que entra na história, se faz homem para sentir o que é, como é viver neste mundo criado, e aceita o caminho do sofrimento da paixão, sofrendo também a morte. É tão concreto o amor de Deus que participa não somente ao nosso ser, mas ao nosso sofrimento e morte. O Sacrifício da cruz faz com que nos tornemos “propriedade de Deus”, porque o sangue de Cristo nos resgatou da culpa, nos lavou do mal, nos subtraiu da escravidão do pecado e da morte. São Paulo convida a considerar o quanto é profundo o amor de Deus que transforma a história, que transformou sua própria vida, de perseguidor de cristãos a Apóstolo incansável do Evangelho. Repitamos ainda mais uma vez as palavras reconfortantes da Carta aos Romanos: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Ele que não poupou seu próprio filho, mas que por nós o entregou, como não nos dará também com ele todas as coisas?… Estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor(Rm8,31-32.38-39). Esta certeza – Deus é para nós, e nenhuma criatura pode nos separar Dele, porque o seu amor é mais forte – devemos inseri-la no nosso ser, na nossa consciência de cristãos.

Por fim, a benção divina se fecha com a indicação ao Espírito Santo que foi efuso em nossos corações; o Paráclito que recebemos selo prometido: Ele – diz Paulo – “é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória” (Ef 1,14). A redenção ainda não foi concluída – o sabemos –, mas terá seu pleno cumprimento quando aqueles que Deus adquiriu forem totalmente salvos. Nós estamos ainda no caminho da redenção, cuja realidade essencial é dada com a morte e a ressurreição de Jesus. Estamos no caminho em direção a redenção definitiva, em direção a plena libertação dos filhos de Deus. E o Espírito Santo é a certeza que Deus portará o cumprirá de seu designo de salvação, quando reconduzirá a “Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra” (Ef 1,10). São João Crisóstomo comenta sobre este ponto: “Deus nos elegeu pela fé e imprimiu em nós o selo para a heriditaridade da glória futura” (Homilia sobre a Carta aos Efésios 2,11-14).Devemos aceitar que o caminho da redenção é também um caminho nosso, porque Deus quer criaturas livres, que digam livremente ‘sim’; mas é, sobretudo e primeiramente, um caminho Seu.Estamos em Suas mãos e agora é nossa liberdade andar sobre a estrada aberta por Ele. Andemos nesta estrada da redenção, juntos a Cristo e sintamos que a redenção se realiza.

A visão que nos apresenta São Paulo nesta grande oração de benção nos conduziu a contemplação da ação das três Pessoas da Santíssima Trindade: o Pai, que nos escolheu antes da criação do mundo, pensou em nós e nos criou; o Filho, que nos redimiu com o seu sangue, e o Espírito Santo, penhor de nossa redenção e glória futura. Na oração constante, no relacionamento cotidiano com Deus, aprendemos também nós, como São Paulo, a ver cada vez mais claramente os sinais deste projeto e desta ação: na beleza do Criador que tudo emerge da sua criatura (cfr Ef 3,9), como canta São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas (FF 263). O importante é estarmos atentos exatamente agora, também no período de férias, à beleza da criação e ver transparecer nesta beleza o rosto de Deus. Em suas vidas os santos mostram, de modo luminoso, o que pode fazer a potência de Deus na fraqueza do homem. E pode fazer conosco. Em toda a história da salvação, na qual Deus se aproximou de nós e espera com paciência o nosso tempo, compreende as nossas infidelidades, incentiva os nossos esforços e nos guia.

 Na oração, aprendemos a ver os sinais deste projeto misericordioso no caminho da Igreja. Assim, crescemos no amor de Deus, abrindo a porta, a fim de que, a Santíssima Trindade venha habitar em nós, iluminando, aquecendo e guiando nossa existência.“Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23), disse Jesus prometendo aos discípulos o dom do Espírito Santo, que ensinará todas as coisas. São Irineu disse uma vez que, na Encarnação, o Espírito Santo se acostumou a estar no homem.Na oração, devemos nós habituar-nos a estar com Deus. Isso é muito importante, que aprendamos a estar com Deus e, assim, vemos como é belo estar com Ele, que é a redenção.

Queridos amigos, quando a oração alimenta a nossa vida espiritual nós nos tornamos capazes de conservar aquilo que São Paulo chama de “mistério da fé” numa consciência pura (cfr 1 Tm 3,9). A oração, como modo de “habituar-se” a estar junto com Deus, gera homens e mulheres inspirados não pelo egoísmo, pelo desejo de possuir, pela sede de poder, mas pela gratuidade, pelo desejo de amar, pela sede de servir, inspirados, isto é, por Deus, e somente assim é possível levar luz à escuridão do mundo.

Gostaria de concluir esta Catequese com o epílogo da Carta aos Romanos. Com São Paulo, também nós rendemos glória a Deus porque disse-nos tudo sobre siem Jesus Cristoe dou-nos o Consolador, o Espírito de verdade. Escreve São Paulo no final da Carta aos Romanos: “Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo meu Evangelho, na pregação de Jesus Cristo – conforme a revelação do mistério, guardado em segredo durante séculos, mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, por meio das Escrituras Proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência da fé –, a Deus, único, sábio, por Jesus Cristo, glória por toda a eternidade! Amém” (16,25-27). Obrigado.

Após a catequese Bento XVI dirigiu a seguinte saudação ao fiéis e peregrinos de língua portuguesa:

A minha saudação a todos os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente para os fiéis brasileiros da Arquidiocese de Campinas, a quem encorajo a intensificar a vida de oração para vos tornardes homens e mulheres movidos pelo desejo de amar, fazendo brilhar a luz de Deus na escuridão do mundo. E que Ele vos abençoe!

Fonte: http://www.zenit.org/article-30631?l=portuguese

A origem da festa de Corpus Christi

No ano 2000 fui visitar as cidades de Bolsena, Orvieto e ai descobri a origem da Festa de Corpus Christi. Hoje visitando o  facebook de um amigo vi que o Prof. Filipe Aquino estava  falando sobre este assunto, por isso resolvi ao invés de falar sobre a origem da Festa do Corpo de Deus, posto abaixo o vídeo. Bom proveito.

 

BOLSENA-ORVIETO, ITÁLIA

Em 1263, um padre alemão achava difícil acreditar que Cristo estivesse realmente presente na hóstia consagrada. Enquanto celebrava uma missa e dizia: “Este É o meu corpo…, Este É o meu sangue…”, então, sangue começou a jorrar da hóstia e a pingar sobre o altar.
O papa ouvindo a história mandou investigar imediatamente. Quando todos os fatos foram confirmados, ele fez uma grande celebração e colocou a hóstia milagrosa em exibição na Catedral de Orvieto.
Um ano após o milagre, em agosto de 1264, o papa Urbano IV instituiu a festa de Corpus Christi, celebrada até os dias de hoje em todo o mundo.

Fonte: http://www.koinonialivros.com.br/mensagens/eucaristia/index.html

“Certa vez, quando o padre Pedro de Praga, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou os fiéis caminhando na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.

Ainda hoje se conservam, em Orvieto, os corporais onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

Instituição da Festa

O Santo Padre movido pelo prodígio, e pelo pedido de vários bispos, fez com que se estendesse a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu logo em seguida (2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicando a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no Concílio Geral de Viena (1311) ordenou mais uma vez a adoção desta festa.

Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis, por João XXII, e assim a festa é estendida a toda a Igreja. Na diocese de Colônia na Alemanha, a festa de Corpus Christi é celebrada antes de 1270.”

Fonte: http://www.cantodapaz.com.br/blog/2008/10/22/milagre-eucaristico-bolsena-italia/

Estive neste santuário em outubro de 2000.

 

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