Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo

“‘Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14).

Essa frase está no cerne do hino que são Paulo canta à beleza da vida cristã, à sua novidade e liberdade, efeitos do Batismo e da fé em Jesus que nos inserem plenamente Nele e, por Ele, no dinamismo da vida trinitária. Tornando-nos uma única pessoa com Cristo, compartilhamos com Ele o Espírito e todos os seus frutos, o primeiro dos quais é a filiação divina.
Paulo fala em “adoção” (cf. Rm 8,15; Gl 4,5), mas somente para distingui-la da posição de filho natural, que cabe somente ao Filho único de Deus.
Nossa relação com o Pai não é meramente jurídica, como no caso dos filhos adotivos, mas é substancial, muda nossa própria natureza, como que por um novo nascimento. Pois toda a nossa vida passa a ser animada por um princípio novo, por um espírito novo, que é o próprio Espírito de Deus.
E vem o desejo de cantar incessantemente, com Paulo, o milagre da morte e da ressurreição que a graça do Batismo realiza em nós.

“Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.
Essa frase afirma algo que tem a ver com a nossa vida de cristãos, na qual o Espírito de Jesus introduz um dinamismo, uma tensão, resumida por Paulo na contraposição entre carne e espírito. E ele entende por carne o homem inteiro (corpo e alma), com toda a fragilidade que o constitui e com o seu egoísmo, em luta contínua com a lei do amor, ou melhor, com o próprio Amor que foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5).

De fato, aqueles que são guiados pelo Espírito precisam enfrentar todos os dias o “bom combate da fé” (1Tm 6,12) para conseguir dominar todas as inclinações ao mal e viver de acordo com a fé que professaram no Batismo.
Mas como?
Sabemos que o Espírito Santo só poderá agir se correspondermos. São Paulo, ao escrever essa frase, pensava sobretudo naquele dever dos seguidores de Cristo que é justamente renegar-se a si mesmo, lutar contra o egoísmo nas suas mais variadas formas.
Mas, é essa morte a nós mesmos que produz vida; por isso, cada corte, cada poda, cada não ao nosso eu egoísta é fonte de nova luz, de paz, de alegria, de amor, de liberdade interior; é porta aberta ao Espírito.
Se deixarmos o Espírito Santo, que habita em nossos corações, mais livre, Ele poderá nos conceder seus dons com mais abundância e nos guiar nos caminhos da vida.

“Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.
Como podemos, então, viver essa Palavra de Vida?

Antes de tudo, conscientizando-nos cada vez mais da presença do Espírito Santo em nós. Carregamos em nosso íntimo um tesouro imenso, mas não nos damos suficientemente conta disso. Possuímos uma riqueza extraordinária, que geralmente não utilizamos.
Além disso, para que possamos ouvir e seguir a voz do Espírito Santo, devemos dizer não a tudo o que é contrário à vontade de Deus e sim a tudo aquilo que é sua vontade: não às tentações, cortando sem hesitar o que elas sugerem; sim às tarefas que Deus nos confiou; sim ao amor para com todos os próximos; sim às provações e dificuldades que encontramos…
Se agirmos assim, o Espírito Santo nos guiará, dando à nossa vida cristã aquele sabor, aquele vigor, aquela força de atração, aquela luminosidade que ela não pode deixar de ter se for autêntica.

Assim, também quem estiver ao nosso lado perceberá que não somos simples filhos de nossa família humana, mas somos filhos de Deus.”

Este texto é da Palavra de Vida que foi publicada originalmente em junho de 2000.

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com.br/2011/02/palavra-de-vida-fevereiro-de-2011.html

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OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Na nossa vida várias vezes acontece de consolar uma pessoa, de sugerir-lhe a solução adequada para o seu problema e sentimos que aquela palavra não vem de nós mesmos. Agora sabemos que é o Espírito Santo em ação com o dom do Conselho.

Também o dom da Fortaleza está presente e o experimentamos desde o principio. De fato, mesmo se antes éramos bons cristãos, não éramos capazes, pôr exemplo de manter pôr muito tempo o propósito de fazer a vontade de Deus e não a nossa. Depois, percebemos uma transformação. Brota em nós uma força nova, força que nos ajuda a superar todas as dificuldades da vida e que se torna evidente naqueles nossos irmãos que se preparam para concluir a existência terrena.

É então o dom da Fortaleza que nos torna capazes de ir contra a corrente do mundo, de resistir também na dor, que nos ajuda a manter-nos sempre no amor.

É ainda o dom da Ciência que nos ajuda a dar o justo valor aos homens e as coisas, de modo que Deus esteja no primeiro lugar da nossa vida.

Não podemos nos deixar confundir pelas coisas deste mundo, mas pelo contrario, devemos Vê-las como Deus as vê. E mesmo se não estudamos possuímos dentro de nós um conhecimento sobre o verdadeiro valor das coisas.

Em tempos como este em que, devido Ao desenvolvimento das ciências, se corre o risco de quase divinizar, de dar um valor absoluto às coisas, a ponto de fazer delas o objetivo maior da vida, o Espírito Santo nos impulsiona com força a colocar Deus no Primeiro lugar e através do dom da Ciência olhar todo o resto de modo justo, avaliando-o na sua dependência e distância do Criador.

A Piedade é um outro dom especial que podemos ter particularmente para nós que somos chamados a caminhar na estrada do amor. Este nos leva a união com Deus. Para usar uma expressão do evangelho, é a Piedade que transforma o nosso coração capaz de amar. E com o amor ao próximo faz crescer em nós também o relacionamento com Jesus.

Precisamos querer bem verdadeiramente a Deus, a Ele que vive em nossos irmãos. Às vezes sentimos o dever de estar com Jesus para confiar-lhe tudo… O amamos nos nossos irmãos e isto é possível graças ao dom da Piedade que elimina do nosso coração toda forma de dureza e lhes faz adquirir a mansidão.

Os dons do Espírito Santo são aqueles dons que a igreja propõe segundo o texto de Isaias a respeito do ”Espírito do senhor” (cf Is 11, 1-2): “… Espírito de Sabedoria e do Entendimento, Espírito de Conselho e de Fortaleza Espírito de Ciência e de Piedade (…) de Temor do Senhor”.

Certamente será uma grande alegria para cada um descobri-los na nossa vida pessoal e ver que pelo menos alguma vez os experimentamos. Vejamos então se os possuímos.

“O primeiro e o mais sublime desses dons – diz João Paulo II – é o da Sabedoria que é uma luz que se recebe do Alto. (…) É um conhecimento impregnado de caridade, graça ao qual a alma adquire, por assim dizer, familiaridade com as coisas divinas e as sabedorias”.

Quando amamos “vemos”, entendemos os fatos com os olhos de Deus, possuímos uma luz que nos faz entender os planos de Deus sobre nós e sobre as outras pessoas. Esta luz (que se possui quando se ama) é a Sabedoria.

Depois, ha o dom do Intelecto ou Entendimento, através do qual o Espírito Santo abre o nosso coração e nos faz entender o desígnio do amor de Deus.

É mediante o dom do intelecto que podemos entender o Evangelho como ele é, sem ter medo da verdade. Pôr exemplo, quando lemos “ama o teu próximo como a ti mesmo”, entendemos que aquele “como” significa “como” e não “quase como…”.

É ainda em virtude deste dom e também do dom da Sabedoria que compreendemos o sentido da nossa vida, o plano de Deus sobre cada um de nós. É graças a ele que se fala e se descobrem os sinais dos tempos nos acontecimentos da História da Humanidade.

E ainda, precisamos ser bem orientados interiormente para conseguirmos viver o Evangelho e para orientar também os outros. Para isso o Espírito Santo nos doou o dom do Conselho. É muito necessário tê-lo. Vemos que Ele nos doa com generosidade também este dom.

É por causa do amor ao próximo, exercitado quotidianamente, que as pessoas conhecem e encontram Deus também no Intimo do próprio coração, naqueles momentos de união com Ele que se pode ter desde o inicio da vida espiritual e que são expressão do dom da Piedade.

Pôr fim, o Temor de Deus. Este não é medo, mas vontade de recomeçar. Este e o dom que o Espírito Santo nos dá depois de cada vez que “caímos”, que erramos.

Não queremos jamais sair fora da Vontade do Deus, não queremos ofender a Deus (porque nos sentimos imensamente amados) pôr nada neste mundo.

Quando este dom está presente reconheceremos o mal que cometemos e nos assustamos diante do que mereceríamos.

Assim como o coração bate sempre, também nós, devemos recomeçar sempre. A nossa vida deve ser um continuo palpitar, devemos dizer constantemente: recomeço, recomeço, recomeço.

Este “recomeçar sempre”, demonstra a consciência do próprio nada e a confiança total em Deus. E este é o Temor de Deus.

Podemos assim conhecer melhor o Espírito Santo, ter uma maior consciência que Ele estar sempre ali, pronto a nos ajudar, a nos guiar, a nos manter no verdadeiro amor.

Esperamos que deste modo possamos aprofundar, intensificar ainda mais o nosso relacionamento pessoal com Ele, para que nos guie na nossa Santa Viagem (que é tornasse santo, como Ele é Santo), e nosso empenho cada vez maior de construir um mundo unido.

Fonte:http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com.br/2010/01/os-efeitos-e-dons-do-espirito-santo.html

“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.” (Cl 3,1)

Diletos irmãos, seu corpo não se encontra no sepulcro. Ele não está mais ali, o Senhor  Jesus ressuscitou. Essa é a certeza de nossa fé. Ele vive e nos dá vida. Por isso a Palavra de vida que segue é de suma importância para todos nós. Desejo a todos os leitores e seguidores uma santa e abençoada Páscoa.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.” (Cl 3,1)

 

Estas palavras, dirigidas por são Paulo à comunidade de Colossos, revelam a existência de um mundo no qual reina o amor verdadeiro, a comunhão perfeita, a justiça, a paz, a santidade, a alegria; um mundo onde o pecado e a corrupção já não podem ingressar, um mundo onde a vontade do Pai é realizada com perfeição. É o mundo ao qual pertence Jesus. É o mundo que Ele escancarou para nós com a sua ressurreição, após ter passado pela dura prova da Paixão.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”
 Entretanto – como afirma são Paulo – nós não somos apenas chamados ao mundo de Cristo mas já pertencemos a Ele. A fé nos diz que mediante o batismo nós somos inseridos Nele e, por isso, participamos da sua vida, dos seus dons, da sua herança, da sua vitória sobre o pecado e sobre as forças do mal: nós, de fato, ressuscitamos com Ele.
Mas, diversamente das almas santas que já alcançaram a meta, a nossa pertença a este mundo de Cristo não é ainda plena e manifesta, nem tampouco estável e definitiva. Enquanto vivermos nesta terra estaremos expostos a mil perigos, dificuldades e tentações que podem fazer-nos vacilar, podem frear a nossa caminhada ou até mesmo desviá-la para falsas metas.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”
 Compreende-se então a exortação do Apóstolo: “Procurai as coisas do alto”. Isto é, procurai sair deste mundo – não no sentido material mas espiritual – abandonando as regras e as paixões do mundo para deixar-se guiar em todas as situações pelos pensamentos e sentimentos de Jesus. Com efeito, “as coisas do alto” indicam a lei do alto, a lei do Reino dos céus que Jesus trouxe à terra e quer que realizemos desde já.
“Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.”
 Como viver então esta Palavra de Vida? Ela nos alerta contra a tentação de ficarmos satisfeitos com uma vida medíocre, feita de meias medidas e ambiguidades, e nos estimula – com a graça de Deus – a aderir à lei de Cristo com a nossa vida. Impele-nos a viver e a nos empenharmos em testemunhar no nosso ambiente os valores que Jesus trouxe à terra: o serviço aos irmãos, a compreensão e o perdão, a honestidade, a justiça, a retidão no nosso trabalho, a fidelidade, a pureza, o respeito pela vida, o espírito de concórdia e de paz etc.
Trata-se, como se vê, de um programa vasto quanto a vida; por isso – para não ficarmos apenas em considerações abstratas – procuremos colocar em prática durante este mês aquela lei de Cristo que é a síntese de todas as outras.
De que modo? Reconhecendo o próprio Jesus em cada irmão e irmã e colocando-se a seu serviço. Não é exatamente isso que nos será pedido ao término da nossa existência terrena?
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em abril de 1988

TRÍDUO PASCAL – QUINTA-FEITA SANTA

Queridos amigos,

Creio que muitos de vocês tenham se perguntado o porque do sumiço do Pe. David. Pois bem, digo que não sumi, só tenho estado mais ocupado que antes. Todavia, não poderia deixar passar este momento tão rico da nossa liturgia sem postar algo no blog. Sendo assim, lhes ofereço o conteúdo que foi apresentado na formação litúrgica da nossa Paróquia Menino Jesus.

Hoje iniciamos o Tríduo Pascal com muita alegria. Pela manhã renovei, juntamente com os sacerdotes que trabalham na Arquidiocese de Goiânia, as promessas sacerdotais. Daqui há uma hora vou presidir a Santa Missa (Coena Domini), na oportunidade também vamos fazer memória do gesto grandioso do Senhor, que veio para servir e não ser servido. Que o Lava pés nos ensine a colocar-nos à disposição dos irmãos, de modo especial, os mais necessitados.

História do tríduo  Pascal.

1-      No século III, a tradição de Hipólito de Roma, fala do jejum da sexta e do sábado que termina com a Eucaristia da vigília Pascal.

2-      O jejum em toda a semana Santa dando maior importância aos três últimos dias (sexta, sábado e domingo).

3-      O sentido do jejum pascal é viver mais plenamente a passagem da morte a ressurreição.

4-      Santo Ambrosio e Agostinho, falam do tríduo de Cristo: Crucificado, sepultado e ressuscitado.

5-      No século XIII o tríduo pascal fica determinado, devido uma viagem de uma monja espanhola a Jerusalém, onde em seu diário conta toda a trajetória do Cristo.

Estrutura do tríduo Pascal.

1-      Começa com a missa vespertina (quinta-feira) da Ceia do Senhor e termina nas vésperas do domingo da ressurreição.

2-      A sexta-feira é o único dia do ano que não se celebra a Eucaristia, mas acontece a distribuição da comunhão.

3-      A intenção da liturgia de celebrar o mistério Pascal é unir e não de fragmentar a totalidade do mistério.

4-      O sábado santo é um dia de silêncio e meditação, na antiguidade era de jejum.

5-      A páscoa inaugura um tempo de alegria que duram 50 dias.

6-      Os primeiro oito dias se chamam oitava de Páscoa, formando um só dia.

 O Tríduo Pascal: quinta-feira Santa

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PALAVRA DE VIDA – MARÇO 2011

Olá amigos, mais uma vez venho com um precioso tesouro.  O texto que seguirá foi publicada originalmente  por Chiara Lubich em junho de 2000. Após sua morte, seus filhos espirituais sentiram o desejo de continuar meditando a Palavra com sua ajuda, pois sempre foi um meio de permanecerem unidos.  Sendo assim, vos apresento a Palavra de Vida. Aproveitem, meditem, degustem e tomem a decisão de permanecer no Senhor.

 

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Como fez com Maria, Deus quer revelar também a nós tudo o que Ele projetou para cada um, quer dar-nos a conhecer nossa verdadeira identidade. É como se nos dissesse: “Quer que eu faça de você e de sua vida uma obra-prima? Siga o caminho que estou lhe mostrando, e você se tornará o que você sempre foi e é no meu coração. Pois desde toda a eternidade eu o concebi e amei, pronunciei o seu nome. Quando lhe digo a minha vontade, estou lhe revelando seu verdadeiro eu”.

É por isso que a vontade Dele não é uma imposição que nos oprime, mas a manifestação do seu amor por nós, do seu projeto para nós; ela é sublime como o próprio Deus, fascinante e extasiante como a sua face; é Ele mesmo que se doa. A vontade de Deus é um fio de ouro, uma trama divina que tece toda a nossa vida terrena e a eterna; vai desde a eternidade até a eternidade – primeiro, na mente de Deus; depois, nesta terra e, enfim, no Paraíso.

Mas, para que o desígnio de Deus possa se cumprir plenamente, Deus pede a minha e a sua adesão, como a pediu a Maria. Só assim é possível que a palavra que Ele pronunciou para mim e para você se realize. Portanto, também nós somos chamados a dizer, como Maria:

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

É verdade que a vontade Dele nem sempre nos é clara. Como Maria, também nós teremos de pedir a luz para entender o que Deus quer. É preciso escutar bem a sua voz em nosso íntimo, com toda a sinceridade, aconselhando-nos, se necessário for, com alguém que nos ajude. Porém, uma vez compreendida a sua vontade, queremos dar-lhe imediatamente o nosso sim.

De fato, tendo entendido que a sua vontade é o que de maior e de mais bonito pode existir na vida, não vamos nos resignar a “ter de fazer” a vontade de Deus, mas vamos nos alegrar por “podermos fazer” a vontade de Deus e seguirmos seu projeto, de modo que o que Ele imaginou para nós se realize. É a melhor coisa que podemos fazer, a mais inteligente.

As palavras de Maria – “Eis aqui a serva do Senhor” – são, portanto, nossa resposta de amor ao amor de Deus. Elas nos mantêm sempre orientados a Ele, numa atitude de escuta e de obediência, com o único desejo de cumprir a sua vontade, a fim de sermos como Ele quer.

No entanto, às vezes, o que Ele nos pede parece absurdo. Podemos achar que seria melhor agir de outra forma; gostaríamos nós mesmos de segurar as rédeas da nossa vida. Gostaríamos até de aconselhar a Deus, de dizer-lhe o que deve ou não ser feito. Mas se acreditamos que Deus é amor e confiamos Nele, sabemos que tudo o que Ele predispõe, na nossa vida e na de todos os que estão ao nosso lado, é para o nosso bem, para o bem deles. Então nos entregamos a Ele, abandonamo-nos com plena confiança à sua vontade, desejando-a com todo o nosso ser, a ponto de nos tornarmos um com ela, sabendo que acolher a sua vontade significa acolher a Ele, abraçá-lo, alimentarmo-nos Dele.

Acreditemos que nada acontece por acaso. Nenhum acontecimento alegre, indiferente ou doloroso, nenhum encontro, nenhuma situação de família, de trabalho, de escola, nenhuma condição de saúde física ou moral é sem sentido. Mas tudo – acontecimentos, situações, pessoas – é portador de uma mensagem de Deus; tudo contribui para a realização do desígnio Dele, que vamos descobrindo aos poucos, dia após dia, fazendo a vontade de Deus, como Maria.

“Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

De que modo podemos, então, viver esta Palavra? Nosso sim à Palavra de Deus significa, concretamente, fazer bem, na íntegra e a cada momento, a ação que a vontade de Deus requer de nós. Significa fazer essa atividade de corpo e alma, eliminando qualquer outra coisa, renunciando a pensamentos, desejos, lembranças ou ações que se refiram a outra coisa.

Diante de cada vontade de Deus, seja ela dolorosa, alegre ou indiferente, podemos repetir: “Aconteça-me segundo a tua palavra” ou, como Jesus ensinou no pai-nosso: “Seja feita a tua vontade”. Digamos isso antes de cada ação nossa: “Aconteça”, “seja feita”. E estaremos compondo, momento após momento, pedrinha após pedrinha, o mosaico maravilhoso, único e irrepetível, da nossa vida, que o Senhor desde sempre imaginou para cada um de nós.

Chiara Lubich

Curiosidades sobre a Bíblia

Você Sabia Que?
Existem mais de 12000 povos etnolinguísticos no mundo e falam mais de 6.000 línguas diferentes?
Que dessas 6.000 línguas, 4% possui a Bíblia completa, 10% possui O Novo Testamento e 62% não possui nem João 3:16?
Que demora-se em média de 15 a 20 anos para traduzir a Bíblia para uma língua?
Há mais de 224 línguas indígenas faladas no Brasil?
Que existe uma área entre os paralelos 10 e 40 (chamada janela 10-40), que poderia levar o título de “Onde o Evangelho não Existe”?

* A Bíblia já foi escrita com capítulos numerados, como temos hoje? Não.
Nenhum livro da Bíblia foi escrito com capítulos numerados. Em 1551, Robert Etiene, redator e editor em Paris, fez a experiência dividindo o NT de língua grega em versículos. Teodoro de Beza gostou da idéias e em 1565 dividiu toda a Bíblia em versículos.
* Qual o significado da palavra “Bíblia”? É uma palavra de origem grega e significa “livros”. Ler 2Tm 3,16
AS PRIMEIRAS TRADUÇÕES
Sempre houve empenhos para que a Bíblia fosse traduzida para línguas comuns. Há três traduções que são importantes por serem antigas , são testemunhas primitivas dos textos antigos.
1 – VERSÃO DOS SETENTA – É uma tradução em grego do V.T., feita entre os anos 280 e 130 A.C., e é conhecida por “Septuaginta”, porque a tradição diz que é o resultado de setenta sábios hebreus, convocados em Alexandria, no Egito, pelo rei Ptolomeu Filadelfo. Esta versão era muito usada pelos apóstolos.
2 – VULGATA LATINA – Versão foi feita por Jerônimo no fim do Século IV. No Século IV havia diversas versões em latim, divergentes entre si, e a igreja entregou a Jerônimo, grande conhecedor do hebraico e do grego, a tarefa de preparar uma versão confiável em latim. Os colegas de Jerônimo preferiam as antigas versões defeituosas. Somente no Século VI que a Vulgata Latina de Jerônimo começou a receber a aceitação da maioria. A Igreja Católica Romana, desde o fim do Século XVI, tem adotado esta versão como oficial.
5.4 – VERSÃO SIRÍACA PESHITO
Esta versão é a terceira de interesse, facilitada para o idioma da Síria. Provavelmente a primeira tradução do N.T. tenha sido esta. Estas versões citadas são importantes porque foram usadas para traduções mais recentes.
5.5 – LIVROS APÓCRIFOS
Nas versões dos Setenta e na Vulgata Latina encontram-se outros livros (I Esdras, II Esdras, Tobias, Judite, o resto de Ester, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, a Epístola de Jeremias, o Canto do Três Mancebos, a História de Suzana, Bel e o Dragão, A Oração de Manassés, I Macabeus, II Macabeus, O Códice Alexandrino acrescenta ainda III e IV Macabeus, num total de 16 livros) que são considerados “apócrifos” (ocultos); os próprios judeus não aceitaram esses livros inspirados por Deus mesmo aparecendo na Vulgata Latina, o próprio Jerônimo não os aceitou como inspirados. A Igreja Evangélica considera esses livros fora do Cânon Sagrado pelas razões básicas: contem erros históricos geográficos e cronológicos, aprovam a mentira, o suicídio, o assassinato, os encantamentos mágicos, as orações aos mortos, salvação por meio de gratificações, descrição do sobrenatural de uma forma grotesca e ridícula. No Concílio de Trento (1546 D.C.) a Igreja Ocidental passou a considerá-los autoritários com o voto de 53 prelados sem conhecimentos históricos destacados sobre documentos orientais, encontrando oposição de grandes homens como o cardeal Polo que afirmou que assim agira o Concílio a fim de dar maior ênfase às diferenças entre católicos romanos e os evangélicos. Outro destacado líder católico, Tanner afirmou que a Igreja Católica Romana encontrou nesses livros o seu próprio espírito (apud Introdução ao Antigo Testamento, Dr. Donaldo D. Turner, IBB).
5.6 – VERSÕES PORTUGUESAS
Portugal com todo o seu valor histórico e sentimento religioso não deixou uma tradução da Bíblia em língua popular. O primeiro esforço para divulgação das Escrituras em português foi da rainha d. Leonora, esposa de D. João, rei de Portugal que em 1495 mandou imprimir uma tradução da Vida de Cristo, escrita em latim por Ludolfo da Saxônia. Em 1505 a mesma rainha mandou imprimir uma versão dos Atos dos Apóstolos e das Epístolas Universais de São Tiago, São Pedro, São João e São Judas. Em 1495 apareceu uma edição litúrgica da Epístolas e Evangelhos traduzidos por Gonçalo Garcia.
5.7 – A VERSÃO DE ALMEIDA
João Ferreira de Almeida nasceu em Lisboa em 1628, filho de católicos e entre os holandeses aceitou a fé na Igreja Reformada,aos treze anos de idade, cuja conversão se atribui à leitura de um folheto em espanhol sobre a diferença entre a Igreja Reformada e a Romana. Antes de completar quinze anos de idade traduziu de espanhol para o português um resumo dos Evangelhos e Epístolas. E aos dezesseis anos traduziu o N.T. do latim, consultando as versões espanholas, italianas e francesa, como também a Liturgia e Catecismo de Heidelberg. Em 1656 foi ordenado ministro, falecendo em 1691. Escreveu várias obras, sendo o destaque a Bíblia em português.. A primeira edição do Novo Testamento de Almeida foi impressa em Amsterdã, em 1681. A primeira edição completa do V.T. do padre Almeida foi impressa de 1748 a 1753 em dois volumes. A parte que Almeida não chegou a traduzir, de Ez 48:21, em diante, foi obra de Jacob Ofden Akkar, ministro na Batávia. Almeida levou sua vida pregando o Evangelho em Java, Ceilão e na Costa de Malabar. Grande exemplo Bibliografia 1 Estudo Panorâmico da Bíblia – Henrietta C. Mears, Editora Vida
A MENOR BÍBLIA
A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20 gramas. Este fabuloso exemplar da Bíblia mede 4,5cm de comprimento, 3cm de largura e 2cm de espessura. Apesar de ser tão pequenina, contém 878 páginas, possui uma série de gravuras ilustrativas e pode ser lida com o auxílio de uma lente.
A MAIOR BÍBLIA
A maior Bíblia que se conhece, contém 8048 páginas, pesa 547 kg e tem 2,5m de espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de Los Angeles, durante dois anos de trabalho ininterrupto. Cada página é uma delgada tábua de 1m de comprimento, em cuja superfície estão gravados os textos.
VAMOS LER A BÍBLIA?
A Bíblia contém 31.000 versículos e 1.189 capítulos. Para sua leitura completa são necessárias 49 horas, a saber, 38 horas para a leitura do Velho Testamento e 11 para o Novo Testamento. Para lê-la audivelmente, em velociade normal de fala, são necessárias cerca de 71 horas. Se você deseja lê-la em 1 ano, deve ler apenas 4 capítulos por dia.
A BÍBLIA NO MUNDO
O velho e Novo Testamento, já atravessou mais de 3 mil anos, sendo traduzida em 2167 línguas.
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