TODOS OS HOMENS SÃO CANDIDATOS À UNIDADE

A cada dia tenho me encantado com o ideal da UNIDADE. Sendo assim, hoje gostaria de partilhar com vocês o eixo central da espiritualidade focolarina. Tenho vários amigos que fazem parte do Movimento dos Focolares e nesse momento que estou vivendo, mais do que nunca tenho percebido como eles procuram viver Jesus em meio me visitando no meu quarto, carregando meus pertences para uma reunião ou até mesmo como sou grato àqueles que assumiram Jesus abandonado dormindo comigo no hospital ou cuidando de mim quando ainda não era possível caminhar. Segue abaixo a linha central da espitualidade da Obra de Maria : Movimento dos Focolares, cuja fundadora é esta encantadora serva de Deus, falecida há três anos e que em breve será elevada aos altares.

I – TODOS OS HOMENS SÃO CANDIDATOS À UNIDADE

“Dirigir sempre o olhar ao único Pai de muitos filhos, e depois, olhar todas as criaturas, como sendo filhas do único Pai. Ultrapassar sempre, com o pensamento e com o coração, todo limite colocado por causa da natureza humana e tender constantemente e por hábito adquirido à FRATERNIDADE UNIVERSAL, num único Pai: Deus!”

“Eis a primeira idéia, que pode desde já revolucionar a nossa alma se formos sensíveis ao sobrenatural: A FRATERNIDADE UNIVERSAL, que liberta-nos da escravidão. Somos de fato escravos das divisões entre pobres e ricos, entre pais e filhos, entre raças, entre nacionalidades, até mesmo entre bairros; nos criticamos, existem obstáculos, barreiras…” aquilo que devemos fazer é desligarmo-nos de todas estas escravidões e ver  em todos os homens, candidatos à Unidade. “’Também meu filho? – poderia perguntar a mãe.’, ‘Também aquela mulher tagarela?’, ‘Também aquele velho?’, ‘E aquela pobrezinha?’;  …Será possível? SIM, em todos devemos ver possíveis candidatos à Unidade com Deus e à Unidade entre nós. É preciso escancarar o coração, romper com todas as amarras e colocar no coração a fraternidade Universal e dizer: EU VIVO PELA FRATERNIDADE UNIVERSAL”.

“Nós somos chamados a colaborar para realizar o “Ut Omnes” (Que todos sejam um) e então, antes de tudo, reavivemos a nossa fé de que cada homem é chamado à Unidade, porque Deus ama a todos. E não coloquemos desculpas dizendo: aquele nunca entenderá… aquele é muito pequeno para compreender… Não. Coloquemos de lado todos estes juízos. Deus Ama a todos, Deus espera por todos”.

II – QUEM É O PRÓXIMO?

“O importante é termos uma única idéia a respeito do próximo. O próximo é o irmão que passa ao nosso lado no momento presente da vida”.

“Portanto, o Amor não deve ser abstrato, Ideal, mas um Amor concreto: o meu próximo é este que está ao meu lado, é este que senta atrás de mim na escola… É preciso amar não de um modo ideal (abstrato) e futuro, mas de um modo concreto e presente, AGORA. É preciso amar, é preciso Amar.”

Aquilo que mais nos impressionou, olhando uma destas biografias, foi de que o novo Santo (Pe. Maximiliano Kolbe), …diante de um prisioneiro, destinado a morrer de fome no Bunker da morte, desconhecido dele, mas que se tornou, num momento presente da sua vida, seu próximo, esqueceu-se de imediato toda a grande obra (que estava realizando não por interesse próprio, mas em favor do Reino de Deus), toda a vasta atividade cultural, as suas cidadelas da Imaculada, os seus filhos espirituais, os seus escritos, para tomar o lugar de um outro.

Pe. Maximiliano Kolbe não podia pensar que, com aquela obra, que tinha feito com que surgisse na Igreja, podia glorificar a Deus mais vivo do que morto?

Ele, pelo contrário, não hesitou e ofereceu a sua vida para salvar a de um pai de família”.

III – O SERVIÇO

“Quem quer realizar a unidade deve ter um único direito: Servir a todos, porque em todos serve a Deus”.

“A Unidade… com Deus… pressupõe o anulamento total, a humildade mais heróica… A Unidade com os outros é alcançada ainda através da humildade: ASPIRAR constantemente ao PRIMADO, colocando-se o mais possível a serviço do próximo”.

“Poderia dizer: Mas devo realmente dar-lhe uma camisa quando ele está sem camisa? devo realmente levar-lhe o prato à mesa?”. Olhe, o serviço que Jesus pede, não é um serviço ideal, não é um sentimento de serviço. Se vocês estudarem bem o Evangelho, verão que Jesus falava de um serviço concreto: com os músculos, com as pernas, com a cabeça… É preciso realmente servir”.

“Toda a Sabedoria do cristianismo encontra-se numa única palavra, e também toda a sua revolução, e esta palavra é: SERVIR. No mundo procura-se estar em evidência, oprimir os outros, mandar; Jesus disse-nos justamente o contrário e deu-nos o exemplo com o lava-pés, ele que era o ‘Mestre e Senhor’. Ele quer que nós sirvamos a todos”.

“Façamos tudo o que devemos fazer com espírito de serviço, tanto se o nosso trabalho é dirigido à expansão do reino de Deus, quanto se é realizado entre as paredes domésticas, ou voltado ao bem da comunidade civíl.

Se virmos Cristo em cada próximo com que tratamos: dependentes, superiores, iguais (Ele considera feito a si tudo aquilo que fazemos aos outros, em particular aos mais necessitados), será mais fácil termos este comportamento.

Sirvamos sempre, sirvamos a todos, sirvamos bem.

Que Deus nos conceda a graça de deixar pasmado o mundo, repleto de soberba, faminto de domínio, com o nosso comportamento cristão desinteressado, de serviço a todos”.

IV – FAZER-SE UM

“A alma que quiser levar a Unidade, deve manter-se, constantemente, num total abismo de humildade ao ponto de perder até mesmo a sua alma em favor do próximo e a serviço de Deus nele”.

“Naturalmente é preciso servir com inteligência. Eis o porquê da quarta idéia que devemos ter em mente: como se faz para servir bem, para servir com inteligência?

São duas palavras ‘mágicas’, também isto é cristianismo: FAZER-SE UM COM O OUTRO. O outro sofre? Devemos sentir com ele suas dores; o outro está contente? Devemos sentir as suas alegrias; o outro tem uma preocupação? Devemos sentir a sua preocupação. FAZER-SE UM com o outro.

Em resumo: devemos dissolver este coração  que é de pedra e ter um coração de carne para amar os outros, para sentir com os outros, para viver os outros, isto é importante, isto é servir”.

“Fazer-se um em tudo, em tudo, exceto no pecado. Você poderia dizer: ‘Mas que perda de tempo, olhar aquilo na televisão, que perda de tempo dar um passeio…’. Não, o tempo não é perdido, é todo amor, é tudo tempo ganho, porque é preciso fazer-se um por amor. Se hoje todos nós levássemos estas palavras: FAZER-SE UM POR AMOR, isto é, DESINTERESSADAMENTE, seríamos bastante felizes. Fazer-se Um por Amor, não para ganhá-los a Cristo, nem mesmo por um interesse sobrenatural. Nada! Fazer-se Um. Fazer-se Um. Além do mais constatei que com pessoas que talvez não queiram saber nada de Jesus Cristo, o que sucede? Aquelas pessoas retornam, porque se sentem livres.

Este fazer-se um exige a morte de nós mesmos, porque não podemos mais viver por nós mesmos, mas para os outros. Mas, esta nossa morte é vida em nós, é Cristo em nós. E então, se é Cristo em nós, sobre a nossa morte, todos, pouco a pouco, cedo ou tarde, são atraídos por Cristo. Jesus disse: “Quando eu for levantado sobre a cruz, atrairei TODOS A MIM.” E então, também a Cruz, isto é, o matarmos para deixarmos com que Cristo viva em nós, pouco a pouco todos são conquistados. Esta é a grande experiência do Movimento dos Focolares.”

V – COM OS IRMÃOS DE IDEAL, MANTER Jesus NO MEIO, O RESSUCITADO

“Fazer-se um com os irmãos de Ideal para não obscurecer NUNCA a presença de Jesus no meio, mas para mantê-La sempre vivíssima”.

“Jesus quer que nos amemos até o ponto de morrer um pelo outro. Ele não quer que nos amemos esperando morrer amanhã, ou depois de amanhã, ou no próximo ano, quer que morramos AGORA. Quer que vivamos mortos, mortos a nós mesmos, porque estamos vivos para o Amor. Então quando encontram-se duas pessoas que se amam desse modo, eis que acontece um fato extraordinário… “Onde dois ou mais estão unidos no meu nome – disse Jesus – (que quer dizer: neste Amor) Eu estou no meio deles” (que quer dizer: Neles).

Dois ou mais que se amam desta maneira, levam no mundo, geram no mundo uma nova chama: o próprio Jesus, o mesmo, o mesmo Jesus. É FABULOSO!!!

“Veio-me muitíssimo em relevo a importância deste modo de viver para manter em nós a Igreja viva, para levar conosco o Ressuscitado, como verdadeiros ‘Cristóforos’. Nós devemos ter continuamente esta tensão pacífica de fazer-se um com os outros, sem nenhuma outra preocupação além daquela de ‘viver o outro’. Para poder, sempre na nossa a vida, imitar de certo modo, Maria, que deu Jesus ao mundo… EE esta é a única obra útil que podemos realizar na vida”.

“Para chegarmos a isto é preciso a plena comunhão de alma, de idéias, de bens, etc. sabendo, no entanto, que isto pode significar perder, recomeçar, sofrer algo errado, para salvar a unidade dos espíritos: ‘É melhor o menos perfeito na unidade, que o mais perfeito na desunidade’”.

“Este ano entendemos que Ele queria ser encontrado pelos membros do nosso Movimento num lugar: EM MEIO A ELES. É isto o que Ele quer, é isto o que deseja. Podemos, de fato, pensar que um dos objetivos que Ele tinha em mente quando suscitou a nossa Obra, era justamente o de poder se estabelecer em todas as apartes, também fora das igrejas (construções), no meio das pessoas, nos lugares onde elas vivem, onde se encontram.

Então, abramos espaço para Ele no nosso meio, sobretudo entre as a pessoas do nosso ‘cacho’. De lá, Ele poderá irradiar amor e luz entre as muitas outras pessoas no mundo. Reavivando o nosso dever de serviço, fazendo-nos um reciprocamente, entre nós, tornamos possível a Sua Vida entre nós, facilitamos a Sua Vida entre nós”.

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/02/candidatos-unidade.html

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Uma resposta

  1. Que pena, mas percebo que não somos todos capazes de amar com tamanha intensidade. Infelizmente não consigo amar assim. Será que um chegarei a amar assim???
    Espero, em Deus, que sim.

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