Educação familiar

Estamos iniciando o mês de férias e é chegado o momento dos pais terem um pouco mais de contato com seus filhos. Como sacerdote me preocupo com o futuro de nossos jovens. Tenho visto em tantas realidades familiares crianças que em nome de uma educação sem repressão mandam em seus pais e não tem limites. Sou ainda jovem, mas sou do século passado e sou muito grato pela educação que recebi. Talvez você amigo leitor não concorde comigo, mas vou postar um vídeo que editei e postei no meu canal do youtube, onde fazemos uma reflexão sobre a educação familiar.

Trata-se de um pedido de uma criança aos seus pais. Uma criança um tanto consciente dos seus limites e possibilidades de fracassos. Temos possibilidade de mudar nossa realidade se soubermos ler as entrelinhas de nossos relacionamentos com aqueles que amamos. De nada adianta trocar presença com presentes, permissivismo ao invés de educação.

Hoje nos preocupamos muito com o mundo que deixaremos para os nossos filhos, e creio que a pergunta que deveríamos fazer seria: ” que filhos deixaremos para o mundo futuro?” Se deixarmos pessoas frágeis e sem limites, teremos uma dívida imensa com a humanidade.

Boas férias a todos.

Pe. David

Sem etiqueta, sem preço

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.

Eis que o sujeito desce na estação do metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné.

Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.

Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares.

A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa, realizada pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num contexto.

Bell, no metrô, era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e a que não damos importância, porque não vêm com a etiqueta de preço.

Afinal, o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes?

É o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?

Será que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm o poder financeiro?

Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço?

Uma empresa de cartões de crédito vem investindo, há algum tempo, em propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e informa: Não tem preço.

E é isso que precisamos aprender a valorizar. Aquilo que não tem preço, porque não se compra.

Não se compra a amizade, o amor, a afeição. Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos.

Não se compra raio de sol, nem gotas de chuva.

A canção do vento que passa sibilando pelo tronco oco de uma árvore é grátis.

A criança que corre, espontânea, ao nosso encontro e se pendura em nosso pescoço, não tem preço.

O colar que ela faz, contornando-nos o pescoço com os braços não está à venda em nenhuma joalheria. E o calor que transmite dura o quanto durar a nossa lembrança.

O ar que respiramos, a brisa que embaraça nossos cabelos, o verde das árvores e o colorido das flores é nos dado por Deus, gratuitamente.

A VIDA DE UM SANTO

ESSE VIDEO NARRA UM POUCO DA HISTÓRIA DE NOSSO AMIGO KAROL

SER ORAÇÃO VIVA

Caríssimos irmãos (ãs),

Devemos melhorar sempre, em cada momento da nossa vida e em cada uma das suas expressões particulares.

Para nos ajudar nisso, veremos hoje como melhorar o nosso relacionamento com Deus. Como sabemos, a nossa espiritualidade, que é a um só tempo pessoal e comunitária, nos faz projetar o nosso amor verticalmente, como hoje se diz, em direção a Deus, e horizontalmente em direção ao próximo. E a santidade, que disso deriva, depende da presença equilibrada destes dois tipos de amor.

Para alguns (como revela a tendência ao ativismo que por vezes temos) é mais fácil desenvolver principalmente a dimensão horizontal do amor e – talvez – não igualmente aquela vertical.

É verdade que normalmente oferecemos ao Pai tudo aquilo que fazemos: é por Ele que amamos, trabalhamos, sofremos, rezamos… Todavia, se por um lado o nosso contínuo “fazer-nos um” com o próximo muitas vezes nos leva a amá-lo também com o coração, por outro estamos convencidos de amarmos também a Deus não só com a vontade, mas também com o coração?

No final da nossa vida não nos apresentaremos a Deus acompanhados por outras pessoas, pela nossa comunidade; nós nos apresentaremos sozinhos. E estamos certos de que, naquele momento, todo o amor recolhido no nosso coração durante a nossa existência transbordará espontaneamente – como seria lógico – sobre aquele a quem sempre deveríamos ter amado, que encontraremos e que nos julgará?

Ou seja, será que também nós, pelos menos um pouco, poderemos pronunciar palavras semelhantes àquelas de Santa Teresa d’Ávila, próxima à morte, como conseqüência lógica da sua vida de amor: “Meu Senhor e meu Esposo, chegou a hora tão desejada. É hora de nos vermos, meu Amado e Senhor. (…) Chegou a hora em que a minha alma poderá deliciar-se convosco como sempre sonhei”?

Será que no nosso coração existe algo que se assemelhe a esta aspiração, a este anseio? Também para nós chegará esse momento e, recordando-nos disso, é importante desde já procurar aprofundar melhor e ao máximo o nosso relacionamento com Deus.

Durante os exercícios espirituais feitos com os responsáveis regionais, em outubro do ano passado, surpreendeu-me um fato. Tendo estabelecido um momento de silêncio e de solidão para todos durante a manhã, muitos me exprimiram a alegria por terem encontrado imediatamente a plena união interior com Deus.

Sem dúvida era o efeito de terem amado constantemente os inúmeros próximos em quem serviram a Jesus por anos e anos. Porém, penso que eles ainda não tinham feito a forte experiência da grande verdade que: quanto mais a plantinha da nossa união com os outros cresce, mais se aprofunda a raiz do nosso amor por Deus.  E assim, graças ao amor vivido horizontalmente, eles agora encontravam no próprio coração o amor vertical, a união com Deus. De fato, podemos amar como servos e fazer tudo aquilo que o patrão deseja sem lhe dirigir a palavra. Ou podemos amar como filhos, com o coração plenificado pelo Espírito Santo de amor e de confiança no Pai.

Esta confiança nos leva a conversar sempre com Ele, a dizer-lhe tudo de nós: os nossos propósitos, os nossos projetos; é uma confiança, um divino desejo pelo qual esperamos ansiosos pelo momento dedicado exclusivamente a Deus, para nos colocarmos num contato profundo com Ele.

É a oração, a oração verdadeira! É a ela que devemos buscar até nos tornarmos oração viva.

Existe uma bela frase do teólogo Evdokimov a propósito da oração: “Não basta fazer a oração, é preciso tornar-se, ser oração, construir-se em forma de oração…”.

Edificar-se em forma de oração, ser oração, como Jesus quer, pois Ele disse: “Orai a todo o momento” (Lc 21, 36).

Eu creio que no coração de muitos de nós está depositado um verdadeiro patrimônio de amor sobrenatural que pode transformar a nossa vida em autêntica oração, que pode nos construir em oração. Trata-se de recolhê-lo nos momentos oportunos.

Neste próximo período empenhemo-nos então a dialogar freqüentemente com Deus, inclusive em meio à nossa atividade. Procuremos melhorar exatamente nesse ponto.

O fato de dizer “por ti” antes de cada ação já a transforma em oração. Porém, isso não é suficiente. Durante o mês que vem, vamos iniciar um diálogo intenso com Ele sempre que for possível. Somente assim é que no final da nossa vida poderão desabrochar dos nossos lábios expressões de amor a Deus semelhantes às dos santos.

Chiara Lubich

Fonte: Blog voluntário de São Paulo.

ESTE DEUS DESCONHECIDO

Quando o barquinho da vida faz água e a tempestade o ameaça, pronunciamos um nome que aflora aos lábios de quem sofre, até mesmo no derradeiro suspiro: mãe.

Não denota sempre a mãe terrena; aliás, para a pessoa um pouco familiarizada com as coisas eternas, significa Maria.

Isto é tão real que, freqüentemente, “mãe” é o grito dos corações de Deus nos momentos da provação. “Mãe!”

Eis aqui o segundo milagre de amor, depois da redenção: um Deus encanado e uma Mãe para todos.

Nela, toda a esperança para o cristão.

Muitas vezes ocorre-nos perguntar: como fez Maria para viver na terra, sem perder, nas longas agonias do seu coração traspassado, chamar uma, a Mãe? E o enxerto direto de seu espírito com Deus mostra o esplendor único, a grandeza, a singularidade daquela que é “elevada mais do que criatura”. Deus – sem dúvida – como para nós, e bem mais, foi o consolo do seu coração.

É possível que ela amasse alguém que lhe configurasse com mais propriedade – como para nós ela mesma, Maria – a identificação com o amor? Imagino que algo parecido e mais, infinitamente mais, do que encontramos em Maria, tenha ela – em sua labuta terrena a serviço do Pai, ocupando-se do filho -, encontrado repouso e refrigério, força e audácia, capacidade de viver, quando outras mortes a teriam esmagado, n’Aquela que sustentou a Igreja em sua época e em todas as épocas: o Espírito Santo.

O Espírito Santo, ente Deus desconhecido, que, em nossa prestação de contas final, perceberemos, com infinito pesar, não termos talvez suficientemente amado, e venerado, e agradecido.

Ele, a alma do corpo místico de Cristo, a firmeza dos mártires de todos os tempos, a fluência das águas vivas de todo sábio, a luz dos enviados de Deus, a certeza dos papas, o mestre dos bispos, o amigo dos ministros, o perfume das virgens.

Ele conviveu com a imaculada encontrando as suas delícias em plasmar, escondido, a flor das flores, e Maria, n’Ele e por Ele, elevou o anseio traduzido pelo coração humano com o doce termo “Mãe” à altura mesma de Deus.

 

Chiara

“QUEM NÃO PROGRIDE”, ISTO É, QUEM NÃO MELHORA NÃO FICA PARADO, RETROCEDE.

Caros amigos,

“Quem não progride, regride”. Este é o pensamento de São Bernardo e de diversos “Padres da Igreja” no que diz respeito à vida interior, ao caminho que leva à santidade ou, como costumamos dizer, ao nosso progredir na Santa Viagem.
“Quem não progride”, isto é, quem não melhora não fica parado, retrocede.
É por isso que temos realmente necessidade de permanecer todos unidos, como os alpinistas, unidos à mesma corda, para nos ajudarmos e estimularmo‑nos a caminhar, a dar sempre alguns passos e assim não corrermos o risco de retroceder.
Nesse sentido a Palavra de Vida nos dá grande ajuda, pois, como sabemos, ela é a “lâmpada para os nossos passos”.

Neste mês, ela nos diz: “Por causa de tua palavra lançarei as redes” (Lc 5,5). Esta é a resposta de Pedro a Jesus, que o convidava a pescar. Não era aquele o momento adequado, pelo contrário! Não existia, portanto, nenhum motivo humano para aceitar o convite de Jesus. Mas, já que o discípulo acolheu com fé a proposta do Mestre, eis que acontece a pesca milagrosa.

Também nós somos chamados a uma pesca extraordinária, e a sermos pescadores, não de peixes, mas de homens, de muitos homens: somos chamados a realizar o Testamento de Jesus: “Que todos sejam um”

E de que maneira podemos realizar esta pesca? São Pedro responde: “Por causa de tua palavra…”. O meio, a causa, o segredo da pesca milagrosa é acreditar naquilo que Jesus diz, acreditar na sua Palavra. E dar‑lhe a nossa adesão.

A Palavra, portanto, é “luz para o nosso caminho”; a Palavra, que nos dá a certeza de não retrocedermos, mas de progredirmos sempre, e é ela também a causa da pes­ca milagrosa. Devemos nos apoiar na palavra, fixar‑nos nela, permanecer em sua companhia.
Mas em qual Palavra de Jesus devemos nos apoiar, a qual delas aderir? Sem dúvida a cada uma das Palavras de Jesus, e é isto que procuraremos fazer todo mês. E neste mês, em que nos é oferecida a possibilidade de escolher, apontaremos o próprio Jesus como Palavra de Deus, ou melhor, Jesus crucificado e abandonado, no qual sempre contemplamos a Palavra plenamente revelada.

Nesses quinze dias, portanto, vamos aderir a Ele, per­manecendo com Ele durante o dia inteiro; ou melhor, di­gamos a Ele no momento Presente: “Contigo…”

Agindo assim, Ele nos sugerirá os atos de virtude que devemos praticar, os “cortes” que devemos fazer, as mortificações a serem praticadas para morrermos a nós mes­mos em cada momento e ressuscitarmos à sua vontade. E já que o irmão é o nosso caminho para chegarmos a Deus, Ele será a luz que nos orientará especialmente so­bre o modo de sermos nada diante dos nossos próximos para nos fazermos um com eles, dando assim a Jesus a possibilidade de conquistá‑los para o seu coração.

Será Ele que nos ensinará perfeitamente aquilo que nós chamamos de “técnica da Unidade”, que é o nosso modo de contribuir para a realização do Testamento de Jesus, e, de algum modo, veremos repetir‑se à nossa volta a pesca milagrosa.
Portanto, “com Ele”, abandonado, no momento presente, o nosso empenho nesses pró­ximos dias. Contigo, Jesus crucificado e abandonado, a fim de progredirmos na caminhada, pois “Quem não progride, regride”.

Rocca di Papa, 03 de Fevereiro 1983.

Chiara Lubich

 

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2009/05/contigo.html

Um convite que o próprio Senhor nos faz.

Muitas vezes pensamos que podemos levar a vida de qualquer jeito e que podemos preencher nosso vazio com tantas outras realidades. O vídeo abaixo nos recorda que somente o Senhor pode preencher o vazio do nosso coração. Tire um tempo do seu dia para a oração e se lhe é possível, visite o Senhor em alguma Igreja. Comece a dar tempo para o Senhor e tudo mais virá por acréscimo.

MISSÃO DA MULHER: REALIZAR O AMOR

Como sacerdote sinto-me no dever de partilhar com vocês este texto de nossa amiga Chiara Lubich sobre o valor da mulher. Há pessoas que pensam que como consagrados não deveríamos ter nenhum contato com a mulher, pois pode ser para nós ocasião de pecado. Pois bem, depois de lerem o texto abaixo gostaria que refizessem seus conceitos. Nós homens consagrados precisamos da companhia e do apoio de vocês mulheres que se valorizam e são tementes a Deus. Sem a presença de mulheres maduras e realizadas ao nosso lado somos homens incompletos. Pois, o Senhor nos criou homens e mulheres para nos completarmos, não somente no campo afetivo/sexual, mas em todos os níveis de nossa vida. Dou graças ao Senhor por ter me dado a graça de nascer num lar cristão e recheado da presença feminina, de modo especial agradeço ao Senhor por minha mãe e minhas irmãs, do mesmo modo agradeço por todas as mães e irmãs que ele colocou no meu caminho. Deixo um pedido a todos as leitoras: valorizem-se, não se deixem ser tratadas como coisas. Tenham como modelo: “Maria, a mulher realizada”

(Pe. David de Jesus)

“Maria, a mulher realizada”

 

Quando a mulher é outra Maria, o que significa virgem, mãe, esposa… mas, sobretudo, “portadora de Deus”, ela pode fazer muito por todos os homens, porque a mulher – se é plenamente mulher – é o coração da humanidade.

Nos tempos atuais, saturados de ateísmo, de ódio, em que o espírito é freqüentemente sufocado e desvalorizado, a mulher, com sua natural inclinação para o divino, com sua perene tendência ao amor e sua capacidade de penetração na realidade cotidiana, tem uma tarefa de primeira ordem na sociedade, para renová-la e curá-la.

E pode fazê-lo.

Homens e mulheres, ainda crianças, são criados em seus braços.

Por tudo isso espera-se, hoje, muito da mulher para a renovação da sociedade.

Conscientes da própria identidade, as mulheres pretendem hoje – ao contrário do passado – dar a sua contribuição máxima, original e insubstituível, solidárias entre elas, mas também com os homens, a fim de tecer toda uma rede de relações entre os indivíduos e entre os povos, que deverá compor o futuro do mundo.

Mas, mesmo quando as mulheres tiverem obtido todas as reivindicações legítimas, elas se sentirão plenamente realizadas? Não.

Necessitam de algo mais profundo!

As mulheres atingirão a plenitude do próprio ser somente naquele Jesus que demonstrou um imenso amor por elas, restituindo-lhes a própria dignidade. (…) Elas deverão fazer a experiência de um encontro profundo com Jesus; devem deparar novamente com ele.

Só Cristo as realiza plenamente, como foi Cristo o único que as realizou no passado.

Quem pode negar que Catarina de Sena, Rita de Cássia, Rosa de Lima, Clara de Assis, Joana d’Arc foram mulheres no mais perfeito sentido da palavra, plenamente realizadas? Encontrar-se com Jesus!… Significa deixar-se iluminar, penetrar, inflamar, transformar pela Sua mensagem.

Jesus, Filho de Deus-Amor, veio à terra para viver e morrer por amor, para restaurar toda coisa e criatura com o amor, pois este é o ponto central de sua doutrina para chamar cada ser ao amor: vocação, que atrai a mulher em particular.

(…) A caridade é fundamentalmente sacrifício, é viver pelos outros no esquecimento de si mesmo.

E a mulher, afirma João Paulo II na encíclica Mulieris dignitatem , “com freqüência sabe resistir ao sofrimento mais do que o homem” (MD 19). Portanto, há uma especial predisposição da mulher ao amor, à caridade. Àquela caridade que é o maior carisma (cf. 1Cor 13,13). Carisma que a Igreja e a humanidade hoje parecem ser particularmente chamadas a viver, se quisermos reafirmar na Igreja, como fez o Vaticano II, que é preciso imitar a Igreja primitiva, quando os cristãos eram um só coração e uma só alma pelo amor; se quisermos falar e nos encaminhar rumo à civilização do amor.

Encontrando uma Obra da Igreja, estas mulheres encontram-se com Jesus, com Jesus vivo.

E, tal como no tempo em que ele estava fisicamente presente, elas sentem que seu amor, sua mensagem lhes dá o que existe de mais importante. (…) A mulher compreende que a história da humanidade é uma lenta e difícil descoberta da fraternidade universal em Cristo e trabalha para que esta se concretize em todos os níveis.

O amor que vive no seu coração é universal, ama a todos, não faz distinção nem acepção de pessoas.

E, por viverem o amor ao próximo e o amor recíproco, gerando assim espiritualmente Cristo entre os homens, as mulheres sentem-se particularmente próximas de Maria, que deu Jesus fisicamente ao mundo.

Maria é o modelo que elas imitam em tudo, porque é o tipo da virgem, da noiva, da esposa, da mãe, da viúva e, ao mesmo tempo, é aberta e se interessa pelos grandes problemas da humanidade, como revela o Magnificat. Aliás, talvez seja Maria mesma que, sentindo-se também hoje interpelada por Deus na tarefa de restituir a dignidade à mulher, como clamam os tempos, plasma estas mulheres na sua própria forma e lhes ensina, em primeiro lugar, qual é o principal segredo do verdadeiro amor cristão: a cruz, o sacrifício.

Foi desta forma, de um modo particular, que Jesus demonstrou o seu amor ao mundo.

Com esse amor, Maria, na participação da paixão do Filho, tornou-se mãe de todos os homens.

Estas mulheres, ao seguirem Maria, devem percorrer a mesma estrada dela a fim de serem também elas, de alguma forma, mães de muitos.

E de fato o são.

Que Maria lembre às mulheres que (…) o amor e a dor são fontes de inesgotável alegria, ambas condições para as mulheres se tornarem artífices de unidade e paz.

Chiara Lubich

fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/missao-da-mulher-realizar-o-amor.html

O SILÊNCIO DE DEUS

É um assunto difícil, o mais difícil de enfrentar diante de pessoas pertencentes a um povo que, mais do que qualquer outro, experimentou neste século de sofrimento a dor indescritível da Shoah[1] , a terrível tragédia que levou um de seus grandes pensadores a cunhar a metáfora do “Eclipse de Deus”, pois Auschwitz[2] colocou em discussão a própria fé.

(…) Não foram os duros tempos de guerra que nos levaram a refletir sobre a dor.

Pelo contrário, devemos afirmar que a fé no amor de Deus era tão luminosa e gratificante, que fazia desaparecer para nós os horrores da guerra, embora vivêssemos no meio de todos, compartilhando as tragédias de quem estava ao nosso lado.

Um dia a nossa atenção foi atraída por aquele grito em aramaico de Jesus na cruz: “Eli, Eli, lemá sabactáni?”, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, que é o início do Salmo 22. Alguém nos dissera que tinha sido a expressão da maior dor de Jesus, pois, abandonado por todos, sentiu-se abandonado também pelo Pai.

Este fato nos fez refletir.

Como o Pai permitiu que Jesus experimentasse uma dor tão grande? Ele não amava infinitamente seu Filho? Então entendemos: ele permitiu isso porque havia um desígnio de amor particular sobre Jesus.

Ele devia sofrer por todos os homens e depois ressuscitar.

E os homens que acreditassem nele ressurgiriam com ele.

Jesus, elevado ao céu, gozaria por toda a eternidade também por aquilo que fizera na terra.

Assim, para nós, a dolorosa história humana de cada um foi iluminada pela história de Jesus.

Nós também somos filhos de Deus.

Também para nós existe um esplêndido desígnio.

Vale a pena sofrer para realizá-lo.

Penso que a tradição e a história do povo judeu não sejam alheias à meditação sobre a dor que Jesus experimentou.

Impressionou-me um trecho do Talmude[3] : ´Quem não experimenta o “ocultar-se” de Deus, não faz parte do povo judeu (Tb, Hagigah 5b). Toda a história hebraica, desde Abraão, é pontilhada por momentos e situações que parecem marcados pelo “ocultar-se da face de Deus”. Não é sem motivo que os Salmos, muitas vezes, exprimem a angústia pela experiência feita quando “Deus escondeu a sua face”.

Mas, o “ocultar-se” de Deus não significa ausência de Deus.

Talvez nesta terra permanecerá sempre um mistério o motivo pelo qual Deus permitiu essa escuridão.

Mas o eclipse passa.

A Shoah, esse trauma que marcou a história da humanidade, e não só do povo judeu, não foi a vitória definitiva do mal.

Então, é possível o surgimento de uma nova vida? É possível que a face de Deus apareça novamente depois de um eclipse tão terrível? Com esta esperança, “a memória”, que é tão importante, pode servir para dar um novo rumo à história e para construir um mundo novo.

A minha oração e os meus votos são: que se recorde a Shoah cada vez mais como uma passagem, como o fim de uma época e o início de outra, nova, justamente porque Deus nunca revogou a aliança com seu povo.

E nós estaremos todos os dias ao lado de vocês, neste caminho que também é nosso.

Chiara Lubich[4]

——————————————————————————–

[1] Shoah: tentativa, por parte do regime nazista, de exterminar o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial, também conhecido como Holocausto .

[2] Auschwitz: campo de extermínio na Polônia, protótipo dos campos de concentração nazistas.

[3] Talmude: doutrina e jurisprudência da lei mosaica.

[4] Chiara Lubich responde a uma pergunta feita por judeus participantes do Movimento dos Focolares sobre o significado da dor.

Fonte: Voluntários de São Paulo in: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/o-silencio-de-deus.html

OLHAR TODAS AS FLORES

Os cristãos, que almejam à perfeição, geralmente, buscam a união com Deus presente em seus corações.

Encontram-se como em um grande jardim florido, onde olham e admiram só uma flor. Olham-na com amor, nos detalhes e no todo, mas não prestam tanta atenção às demais flores.

Deus — graças à espiritualidade coletiva que nos deu — pede que olhemos todas as flores, pois em todas ele está. Assim, observando-as todas, é a ele que amamos, mais do que a cada uma das flores. Deus, que em mim reside, que a minha alma plasmou, que, sendo Trindade, nela repousa, também reside no coração dos irmãos.

Portanto, não basta que eu o ame só em mim. Se é assim que faço, meu amor ainda mantém um quê de pessoal e está inclinado ao egoísmo perante a espiritualidade que sou chamado a viver. Amo Deus em mim e não Deus em Deus, porquanto a perfeição é: Deus em Deus.

Por conseguinte, a minha cela — como dizem as almas íntimas de Deus — o meu céu — como dizemos nós — está em mim e, do mesmo modo que está em mim, está na alma dos irmãos. E, como o amo em mim, ao recolher-me nesse meu céu quando estou só, amo-o no irmão quando ele está junto de mim.

Então, não amo somente o silêncio, amo também a palavra, isto é, a comunicação de Deus em mim com Deus no irmão. Se os dois céus se encontram, existe aí uma única Trindade, em que os dois estão como o Pai e o Filho e, entre eles, o Espírito Santo.

É necessário, sim, recolher-se sempre, inclusive na presença do irmão sem, contudo, esquivar-me da criatura, mas recolhendo-a no meu próprio céu e recolhendo-me no céu dela.

Dado que esta Trindade reside nos corpos humanos, aí reside Jesus, o Homem-Deus.

E entre nós dois realiza-se a unidade, na qual somos um, sem, no entanto, estarmos sós. E aqui está o milagre trinitário e a beleza de Deus que não está só porque é Amor.

Quando, então, a alma, o dia inteiro, de bom grado perdeu Deus em si, a fim de se transferir para Deus no irmão (porque um equivale ao outro, como duas flores daquele jardim são obra do mesmo Criador), e assim tiver feito por amor a Jesus crucificado e abandonado, que perde Deus por Deus (e justamente Deus em si por Deus presente ou nascituro no irmão…), ao voltar-se a alma a si mesma, ou melhor, para Deus em si (porque estando só, recolhida na oração ou na meditação), reencontrará a carícia do Espírito Santo que — sendo Amor — é Amor verdadeiro, pois Deus não pode faltar à sua palavra e dá a quem deu; dá amor a quem amou.

Desse modo, desaparecem as trevas e a infelicidade junto com a aridez e todas as coisas amargas, perdurando apenas o gáudio pleno prometido a quem tiver vivido a Unidade.

O ciclo está completo.

Devemos dar vida continuamente a estas células vivas do Corpo Místico de Cristo, que são os irmãos unidos em seu nome, para reavivar todo o Corpo.

Olhar todas as flores é ter a visão de Jesus, de Jesus que, além de ser a Cabeça do Corpo Místico, é o tudo: toda a Luz, a Palavra, enquanto desse Corpo somos apenas palavras. Todavia, se cada um de nós se “perde” no irmão e forma com ele uma célula (célula do Corpo Místico), que se torna Cristo total, Palavra, Verbo. É por isso que Jesus diz: “…Eu lhes dei a glória que Tu me deste…” (Jo 17,22).

Mas é preciso saber perder Deus em si mesmo por Deus nos irmãos. Faz isto quem conhece e ama Jesus crucificado e abandonado.

E quando a árvore estiver toda coberta de flores —quando o Corpo Místico estiver completamente reavivado —  refletirá a semente da qual nasceu. Será una, porque todas as flores serão unas entre si, da mesma forma que cada um é uno em si mesmo. Cristo é a semente. O Corpo Místico é a copa.

Cristo é o Pai da árvore. Jamais foi tão Pai como no abandono em que nos gerou filhos seus; é no abandono que ele se anula, mas permanece: Deus.

O Pai é raiz para o Filho. O Filho é semente para os irmãos.

E foi também Maria, a Desolada, no consentimento tácito que a faz Mãe de outros filhos, co-redentora, quem lançou esta semente no céu; e a árvore floriu e floresce de contínuo na terra.

Chiara Lubich

 

In: (Abba — Revista de Cultura — Volume 1- número 2, 1998)

UMA PROVA DE AMOR

Gostaria de partilhar um texto de um amigo sobre o namoro cristão. O autor é um amigo virtual( Dado Moura) que trabalha na Canção Nova e tem um jeito especial de lidar com o assunto. Dedico essa reflexão, de modo especial, aos jovens que estão procurando ser fiéis a Deus e no namoro, afim de que possam perceber com muita maturidade, que a grande prova de amor é saber esperar.

Sou sacerdote há sete anos, entrei no seminário aos 22 anos, antes disso tive vários namoros (cristãos e não-cristãos), sendo assim posso manifestar com toda categoria nesse tema. Se eu não tivesse feito a minha última experiência de namoro de forma saudável e cristã, certamente não teria dado conta de viver a proposta de formação e talvez nem teria conseguido chegar ao sacerdócio. Sou muito grato à formação que recebi em casa, e de modo especial, à formação que recebi na Comunidade Católica Nova Aliança de Anápolis, onde fiz minha experiência com o Senhor e o discernimento vocacional.  Pe. David de Jesus

Segue o texto:

” Para saber se existe amor entre duas pessoas não é necessário fazer alguns testes. Um relacionamento verdadeiro não altera nosso organismo a ponto de algo ser detectado num exame laboratorial, nem pode ser medido pela quantidade de presentes valiosos que recebemos. Podemos nos encantar com a beleza de alguém, mas seus atributos e sua performance na intimidade não nos garantem que tal pessoa seja aquela que esperamos ser o (a) esposo (a) perfeito (a).

Quando compramos um produto, queremos nos certificar da garantia de qualidade desse item que estamos levando para casa. Contudo, num relacionamento a dois, a garantia de estarmos sendo correspondidos não se dará por meio de loucas manifestações de amor em público ou da pressão psicológica do namorado que insiste em querer uma “prova de amor”. Qualquer  proposta que desrespeite os direitos da outra pessoa apenas reforça a imaturidade do relacionamento e também da pessoa que exige tal comprovação. Há outras maneiras de provar que amamos alguém sem usar as palavras ou forçar uma situação na qual apenas um seja  beneficiado.

A atenção e o zelo pelo outro tendem a colocar a pessoa amada sempre em primeiro lugar.  Entre casais que dizem se amar não pode haver sentimentos ou atitudes de egoísmo. Há namorados que poderiam afirmar milhões de vezes amar a namorada, entretanto, nem sempre seus gestos refletem o que é falado, pois, com atitudes, muitas vezes, grosseiras, expõem-na a situações vexatórias, tanto em gestos como em palavras. Alguns nem mesmo se preocupam em reservar momentos oportunos para tratar de assuntos que dizem respeito somente ao casal. Em algumas circunstâncias, tratam a pessoa amada como alguém sem direito a expressar sua vontade ou opinião. Há outros ainda que tentam convencer a namorada de que, para  provar o seu amor, eles deveriam vivera intimidade.

Um namorado honesto não vai exigir da namorada nada em troca para que ele possa amá-la ou respeitá-la ainda mais.  Se o namorado deseja provar seu amor para a namorada ou vice-versa, penso que melhor seria, para ambos, aprenderem a ser suportes um para o outro, especialmente quando a pessoa amada não estiver vivendo uma boa fase em sua vida. Que o casal de namorados saiba ouvir ou procure entender o momento que o (a) outro (a) está vivendo ou, se for necessário, até mesmo adverti-lo (a) quando houver divergência de opiniões; porque nem sempre ele ou ela é o dono da verdade. Quem ama cuida e deseja o melhor para o outro. Se uma correção pode ajudar no crescimento da pessoa, por que não fazê-la?

A prova de que somos realmente amados aparecerá no crescimento e na maturidade que o namoro traz para a nossa vida.  Parafraseando a amiga Márcia Cohen, a melhor prova de amor que alguém poderia conceder à namorada seria, primeiramente, provar que a ama  não pedindo nada como comprovação ou troca. Que os gestos de afabilidade e carinho sobressaiam e provem por si que você é a pessoa que a namorada esperava encontrar. Do contrário, ainda que fosse dada uma prova de amor, essa pessoa não seria a mais indicada com quem ela gostaria de fazer seus votos eternos para a vida conjugal.

Um abraço,

Dado Moura

Fonte: http://dadomoura.com/

APRENDER COM AS CRIANÇAS

“Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus.” (Mc 10,14)

Jesus sempre surpreende com o seu modo de agir e de falar. Ele se distancia da mentalidade comum que considerava insignificantes as crianças sob o ponto de vista social. Os apóstolos não querem que elas fiquem perto dele, do mundo dos “adultos”: elas só iriam atrapalhar. Também “os sumos sacerdotes e os escribas ficaram indignados, ao ver […] as crianças que gritavam no templo: “Hosana ao Filho de Davi!” e pediram que Jesus restabelecesse a ordem. Mas Jesus tem uma atitude completamente diferente: chama as crianças, as abraça, estende as mãos sobre elas, as abençoa e as coloca até mesmo como modelo para os seus discípulos: “… a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus.”

Em outra passagem do Evangelho Jesus diz que, se não nos convertermos e não nos tornarmos como crianças, não entraremos no Reino dos Céus.

Mas por que o Reino de Deus pertence a quem se assemelha a uma criança? Porque a criança se abandona confiante aos cuidados do pai e da mãe: crê no amor deles. Quando está nos braços deles, se sente segura, não tem medo de nada. Mesmo quando percebe algum perigo ao seu redor, basta que ela abrace com mais força o pai ou a mãe para logo se sentir protegida.

Às vezes pode parecer que até mesmo o pai deixa o filho em dificuldades: por exemplo, para tornar mais emocionante um salto. Mesmo assim a criança se joga, confiante.

É assim que Jesus quer o discípulo do Reino dos Céus. Assim como a criança, o cristão autêntico acredita no amor de Deus, se lança nos braços do Pai celeste, tem uma confiança ilimitada nele; nada mais lhe faz medo, porque nunca se sente só. Mesmo nas provações, ele crê no amor de Deus, acredita que tudo aquilo que acontece é para o seu bem. Quando tem uma preocupação, ele a entrega ao Pai e, confiante como a criança, tem certeza de que Ele tudo resolverá. Assim, como uma criança, o cristão se abandona

completamente nele, sem pensar muito.

“… a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus.”

As crianças dependem dos pais em tudo: comida, roupa, casa, cuidados, instrução… Também nós, “crianças evangélicas”, dependemos em tudo do Pai: ele nos alimenta como alimenta os pássaros do céu, nos veste como veste os lírios do campo, conhece e nos dá aquilo de que precisamos, ainda antes que nós o peçamos. Até mesmo o Reino de Deus, não somos nós que o conquistamos; nós o recebemos como um dom das mãos do Pai.

E ainda mais: a criança não pratica o mal porque nem o conhece. O discípulo do Evangelho, quando ama, evita o mal, mantém-se puro e volta a ser inocente. A criança, não tendo experiência, enfrenta a vida confiante, como numa aventura sempre nova. A “criança evangélica” põe tudo na misericórdia de Deus e, esquecendo o passado, começa a cada dia uma vida nova, disponível diante das sugestões do Espírito, sempre criativo. A criança não aprende a falar sozinha, tem necessidade de alguém que a ensine. O discípulo de Jesus não segue os próprios raciocínios, mas aprende tudo da Palavra de Deus, até o ponto de falar e viver conforme o Evangelho.

O filho tende a imitar o próprio pai. Quando alguém lhe pergunta o que vai ser quando crescer, muitas vezes ele diz que seguirá a profissão do pai. Assim também a “criança evangélica” imita o Pai celeste que é o Amor, e ama como Ele ama: ama a todos, porque o Pai “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos” ; toma a iniciativa no amor, porque Ele nos amou quando éramos ainda pecadores; ama gratuitamente, sem interesses, porque o Pai celeste faz assim…

É por isso que Jesus gosta de estar rodeado pelas crianças e as apresenta como modelo:

“Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus.”

De fato, as crianças nos surpreendem continuamente. “Ontem papai me pediu que eu fosse ao depósito para pegar uma coisa”, me escreve Betty, uma menina de 6 anos, de Milão (Itália). “Estava escuro e desci os degraus com medo. Então rezei a Jesus e senti que ele estava perto de mim”.

Irene, Hilária e Laura, três irmãzinhas, de Florença (Itália), vão de carro com a mãe ao supermercado. Passando na frente da casa do avô, pedem para ir vê-lo. “Vão vocês — diz a mãe — eu espero aqui”. Quando elas voltam, perguntam: “Por que você não foi com a gente?” E ela: “O avô me tratou mal. Assim ele aprende!” E Hilária: “Mamãe! Nós devemos amar a todos, até mesmo os inimigos…” A mãe não sabe o que responder. Olha para a filha e sorri: “Vocês têm razão; me esperem aqui”! E vai sozinha falar com o avô.

Podemos aprender das crianças como acolher o Reino de Deus.

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/aprender-com-as-criancas.html

A PALAVRA GER A VIDA – PARTE II

” Após viver durante cinco ou seis anos as palavras do Evangelho, percebemos claramente que elas se assemelhavam: havia algo de comum entre todas; cada uma diria valia tanto quanto qualquer outra, porque os efeitos produzidos nas almas que as viviam eram idênticos, não importando qual fosse a palavra vivida. Por exemplo, para viver a palavra: “Quem vos ouve a mim ouve…”, não ficávamos esperando encontrar algum bispo ou superior para colocá-la em prática, mas a nossa vida toda, cada segundo da nossa existência, se transformava em obediência àquilo que os sacerdotes nos haviam ensinado através do catecismo, ou àquilo que havíamos aprendido de Deus e depois submetido à Igreja. De modo que, viver esta palavra equivalia a viver todas as outras, como as palavras que pedem para fazer a vontade de Deus, ou amar a Deus ou ao próximo. Por isso, tudo ia se tornando mais simples.

A esta altura, poderia parecer supérfluo continuar este costume de focalizar em cada semana uma palavra; todavia e esta pode ser uma experiência de todos, se correspondermos à graça Deus trabalha as almas e às vezes manda tão sublimes dons de luz que se tem a impressão de receber uma compreensão mais profunda do Evangelho.

Sob a influência destas graças, descobre se no Evangelho, por exemplo, que toda a vida de Jesus está orientada ao Pai. E então se lê o Evangelho com um novo interesse e se orienta a nossa vida também naquela direção.

Podem ainda sobrevir graças de trevas escuras como o inferno, onde se duvida de tudo. E a maior dúvida é contra a lógica do Evangelho. Dizemos a nós mesmos – ou melhor, alguém com uma luz diabólica nos insinua: Se voltar a amar, você verá novamente, E então entrará outra vez no sistema, na vida sobrenatural, que por sua vez será um perigo para a sua liberdade; portanto: Detenha se. Não ame e você será você mesmo… 0 demônio faz de tudo para que não amemos. Mas, se resistirmos e fizermos exatamente o contrário daquilo que a tentação sugere, eis que se abrirá diante dos olhos da alma uma visão ainda mais profunda do Evangelho, Então descobri-lo-emos como o único Livro da Vida, entendendo que jamais conseguiremos compreender – “qual é a largura e o comprimento, a altura e a profundidade…” da palavra.. Deste modo, o Evangelho permanece o livro eterno do nosso alimento espiritual.”

Chiara Lubich

A PALAVRA GERA CRISTO – Parte I

Diletos amigos,

Recebo sempre e-mails e comentários pedindo para dar mais ênfase ao tema bíblico, que foi nossa intenção primeira ao criar este blog. Sendo assim, gostaria de partilhar com vocês o testemunho de Chiara Lubich a respeito da alegria do encontro com o Evangelho e o significado de cada palavra em sua vida e na vida do movimento que surgiu a partir de sua experiência com a Palavra de Deus que se tornou vida = Palavra de vida.

Precisamos nos aproximar da Palavra do Senhor para aprender a amá-lo de verdade. Só se ama aquele que conhecemos, e não podemos amá-lo parcialmente, precisamos amá-lo por inteiro e de modo especial, nos aproximar dele cada vez mais afim de compreender qual é a sua vontade  em nossas vidas.

” E agora podemos nos perguntar: como conseguimos penetrar na palavra de Deus e compreendê-la a ponto de apresentá-la nova e portadora de uma força vital e revolucionária?

Sem dúvida agora podemos dizê-lo foi em virtude de uma graça especial, graça que ensinava a colocar e a viver em profundidade a presença de Cristo entre as almas.

0 Senhor agiu da seguinte maneira: com a sua pedagogia, de início nos indicou algumas palavras que podem parecer mais fáceis. Todavia, ele tinha um motivo bem determinado para escolher tais palavras. Em geral eram as que diziam respeito ao amor: “Ama ao próximo como a ti mesmo”, “amai vos uns aos outros”, “amai o inimigo”, “amai…”; sempre o amor.

Só mais tarde compreendemos o motivo desta escolha: quem ama, adquire a luz, porque o fruto do amor é a iluminação interior.

E tem mais: o amor que Deus coloca dentro da nossa alma é sobrenatural, faz participar o nosso amor do próprio amor de Deus; portanto, é recíproco por sua própria natureza. Na reciprocidade do amor, acontecia que o Senhor, aos poucos, nos acostumava a acolher a sua presença entre nós. E esta presença influía na compreensão da sua palavra. Era ele o nosso Mestre, que nos ensinava como deviam ser entendidas as suas palavras. Era uma espécie de exegese, feita não por um mestre de teologia, mas pelo próprio Cristo.

De fato, diz Santo Anselmo, Doutor da Igreja: “Uma coisa é possuir facilidade de eloqüência e esplendor de palavra, e outra é entrar nas veias e na medula das palavras celestes e contemplar com límpido olhar do coração os mistérios profundos e escondidos. Isto não pode ser dado, de maneira alguma, nem pela doutrina, nem pela erudição do mundo, mas somente pela pureza da mente através da erudição do Espírito Santo. E a presença de Jesus entre nós traz o seu Espírito.

Por outro lado, lembramos que uma das primeiras páginas do Evangelho que lemos foi o Testamento de Jesus. 0 acontecimento de grande importância. Está ainda presente em nossas mentes o fato de que, na medida em que passávamos de uma palavra a outra, cada um parecia iluminar se; e era agora percebemos como se alguém nos dissesse: Olha, na escola, vocês têm de aprender muitas coisas, mas o resumo é isto, isto, isto: consagra-os na verdade… que todos sejam um… tereis a plenitude da alegria… sereis todos um, como eu e o Pai,… etc. O Testamento se nos revelava como a síntese do Evangelho. E entendíamos esta realidade com uma compreensão que só podia ser fruto de uma graça especial. Tendo penetrado o “seu” Testamento como Deus quis e na medida em que quis depois nos foi mais fácil entender o resto do Evangelho.

Amiúde, dávamos este exemplo: imaginem o Evangelho como uma planície, um terreno onde estão todas as palavras: lá no fim, encontra-se o Testamento de Cristo, que sintetiza todas as outras palavras. 0 Senhor, ensinando-nos a unidade à qual todas as verdades evangélicas se ligam, fez como que uma perfuração no terreno, para fazer nos penetrar e entender o resto do Evangelho por dentro, colhendo-o na raiz de cada palavra, no seu sentido mais verdadeiro.”

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/palavra-gera-cristo.html

Novo link no Youtube sobre João Paulo II

Em vista  da beatificação do Papa João Paulo II, que acontecerá no próximo 1° de maio, foi lançada hoje no Facebook uma pagina dedicada a ele, www.facebook.com/vatican.johnpaul2.  Nesta página serão postados todos os  vídeos presentes na página do Youtube dedicada  também ao Papa Wojtyła.  Tais vídeos clips  referem-se ao  pontificado ano por ano, com a voz do futuro beato e em várias línguas. O link é www.youtube.com.giovannipaoloii.

Os áudio são fornecidos  e selecionados dos  programas  linguísticos da “Radio Vaticana”, com os  quais o Centro Televisivo Vaticano (Ctv) realizou uma montagem com os  vídeo.

O objetivo desses canais midiáticos é de diversificar os instrumentos “para dar  o máximo ressalto possível e a máxima difusão desta iniciativa”.

Fonte: http://www.zenit.org/article-25941?l=italian

Tradução: Pe. David de Jesus

A CONFISSÃO HOJE

 

Durante a Quaresma, uma atitude esperada de todos os católicos é a celebração penitencial. Para isso, além dos horários normais que os párocos têm em suas paróquias para atender as confissões, existem os “mutirões” de confissão, quando os padres de uma mesma região, setor ou forania são convidados a atender a todos, dando assim oportunidade para que todos se confessem. Pouco tempo atrás saiu, provindo de agências de notícias internacionais, o anúncio de uma provável “grande novidade” na Igreja: a confissão feita por intermédio do Iphone, Ipad e Ipod touch. Essa notícia chegou e foi divulgada como uma grande novidade! A rapidez hodierna dos meios de comunicação, num verdadeiro processo de globalização das notícias, faz com que fatos e ditos cheguem a muitos em pouquíssimo tempo e acabem confundindo as pessoas. Por isso, é preciso que estejamos atentos e confirmemos as fontes de onde provêm e como estão verdadeiramente postas na sua origem, no seu texto e em seu contexto. Um ditado popular (os sempre sábios dizeres de um povo) já atesta: ‘quem conta um conto, aumenta um ponto!’ e hoje esse ponto pode tornar-se uma bola de neve, que se não é correta espalha o erro, que se torna difícil de dissolver. A notícia vista com atenção e feita perceber em sua verdade não se tratava do que foi propagado, mas, na realidade, de um instrumento “desenhado para ser usado na preparação da confissão, e depois como auxílio na própria confissão. O aplicativo oferece o exame de consciência, um guia passo a passo do sacramento, ato de contrição e outras orações. Os múltiplos usuários acedem a seus perfis protegidos por senha, onde, através do exame de consciência, marcam os elementos pertinentes para sua confissão e podem fazer outras notas pessoais”. Este não é o primeiro e nem o último aplicativo ligado a temas religiosos. Porém, é interessante ver que poderá ser de utilidade para um exame de consciência se a autoridade eclesiástica deu seu aval com relação ao conteúdo do mesmo. Assim como no passado muitos utilizavam livrinhos para o exame de consciência e outros anotavam em papéis seus pecados para não esquecerem na hora da confissão auricular, hoje os meios eletrônicos podem ajudar nesse aprofundamento. Porém, nada disso substitui a confissão auricular com o ministro ordenado. Para a recepção do Sacramento, que possui ao menos três nomes, que são sinônimos e acabam mesmo por significar uma de suas fases: penitência, confissão ou reconciliação, a Igreja pede que o penitente cumpra ao menos três atos, que são: o ato da contrição (que precede), o ato da confissão (exposição dos pecados diante do confessor) e o ato da satisfação (cumprimento da penitência pelos pecados cometidos). O aplicativo a que nos referimos e outros que têm o mesmo conteúdo, embora sejam compostos para utilizar-se no Sacramento, não o é como canal para a confissão e a satisfação, mas simples e unicamente para preparar a contrição, que, entre os atos do penitente, ocupa o primeiro lugar, o qual, em verdade, é “uma dor da alma e um desprezo pelo pecado cometido, com o propósito de não pecar mais no futuro”. Para cessar o ruído da comunicação errônea, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé afirmou: “é essencial compreender bem que o sacramento da Penitência requer necessariamente a relação de diálogo pessoal entre penitente e confessor, assim como a absolvição por parte do confessor presente”. “Isso não pode ser substituído por nenhum aplicativo informático. Por isso não se pode falar de ‘Confissão pelo iPhone’”. Entretanto, em um mundo em que muitas pessoas utilizam suportes informáticos para ler e refletir (e inclusive textos para rezar), não se pode excluir que uma pessoa faça sua reflexão de preparação à Confissão (contrição) tomando a ajuda de instrumentos digitais. Isso, de forma parecida ao que se fazia no passado, como dissemos, “com textos e perguntas escritas em papel, que ajudavam a examinar a consciência… tratar-se-ia de um subsídio pastoral digital que “poderia ser útil”, mas sabendo que “não é um substituto do Sacramento”. No entanto, esse ruído de comunicação que quase causou confusões na cabeça de muitos, pode ser uma oportunidade de notar que, mesmo com um mundo digitalizado, também a confissão mereceu um espaço de preparação com aplicativos divulgados pela mídia mundial. Isso pode ser uma oportunidade de catequese que aprofunde o valor da Confissão. Se os jovens, que mais utilizam as mídias sociais, já têm um aplicativo para ajudar no exame de consciência, é sinal de que têm também interesse em celebrar este sacramento em sua igreja. É uma responsabilidade nossa acolher a todos aqueles que, nesta Quaresma, querem manifestar o seu arrependimento e iniciar uma vida nova, celebrando no Sacramento da Penitência o seu retorno a Deus. Que o tempo da Quaresma seja este tempo de renovação interior de todos na busca de viverem com generosidade sua vida batismal!

† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

QUARESMA

Iniciamos hoje o tempo da quaresma. Momento propício para a reflexão e conversão, uma vez que é  tempo de parar para escutar o Senhor e aprender d´Ele o que é o melhor para cada um de nós.

Partilho com vocês a Catequese de hoje, apresentada pelo Papa Bento XVI na sala Paulo VI em Roma,  a respeito da Quaresma, de modo especial sobre o Jejum:

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, marcados pelo austero símbolo das Cinzas, entramos no tempo da Quaresma, iniciando o itinerário espiritual que nos prepara para celebrar dignamente os mistérios pascais. As cinzas abençoadas, impostas sobre a nossa cabeça, são um sinal que nos recorda nossa condição de criaturas, convida-nos à penitência e a intensificar os esforços de conversão de para seguir cada vez mais o Senhor.

A Quaresma é um caminho, é acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição; ela nos recorda que a vida cristã é um “caminho” a ser percorrido, que consiste não tanto em uma lei a ser observada, mas na própria pessoa de Cristo, a quem vamos encontrar, acolher, seguir. Jesus, de fato, fala: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc 9,23). Em outras palavras, diz-nos que, para chegar com Ele à luz e à alegria da ressurreição, à vitória da vida, do amor, do bem, também nós devemos carregar a cruz de cada dia, como nos exorta uma bela página da “Imitação de Cristo”: “Toma, pois, a tua cruz, segue a Jesus e entrarás na vida eterna. O Senhor foi adiante, com a cruz às costas, e nela morreu por teu amor, para que tu também leves a tua cruz e nela desejes morrer. Porquanto, se com Ele morreres, também com Ele viverás. E, se fores seu companheiro na pena, também o serás na glória” (L. 2, c. 12, n. 2). Na Santa Missa do 1º Domingo da Quaresma, rezaremos: “Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa” (Coleta). É uma invocação que dirigimos a Deus porque sabemos que só Ele pode converter o nosso coração. E é sobretudo na liturgia, na participação dos santos mistérios, que somos levados a percorrer este caminho com o Senhor; é um colocar-nos na escola de Jesus, percorrer os acontecimentos que nos trouxeram a salvação, mas não como uma simples comemoração, uma lembrança de fatos passados. Nas ações litúrgicas, Cristo se faz presente através da obra do Espírito Santo, e esses acontecimentos salvíficos se tornam atuais. Há uma palavra-chave muitas vezes usada na liturgia para indicar isso: a palavra “hoje”; e esta deve ser entendida no sentido original, não metafórico. Hoje, Deus revela a sua lei e nos permite escolher hoje entre o bem e o mal, entre vida e a morte (cf. Dt 30, 19); hoje, “o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15); hoje, Cristo morreu no Calvário e ressuscitou dos mortos; subiu ao céu e está sentado à direita do Pai; hoje, recebemos o Espírito Santo; hoje é o tempo favorável. Participar da liturgia significa, então, submergir a própria vida no mistério de Cristo, na sua presença permanente, percorrer um caminho pelo qual entramos em sua morte e ressurreição para ter a vida.

Fonte: Rádio Vaticano

Para ler o texto completo clica aqui.

A DOR FAZ VER

A cruz, a dor, principalmente a dor continuada, é um dos maiores dons que Deus pode nos proporcionar. Imersos nela, parece-nos ser transferidos para a escuridão da atmosfera, onde é mais clara a visão das coisas longínquas.

Quando ela falta, é fácil termos a ilusão de que os vagalumes são astros e fazemos concessões ao nosso eu, à nossa vanglória, pensando que isso tudo está a serviço de Deus e é compatível, aliás útil, para a sua glória. De modo que lhe oferecemos uma vida que é uma mistura de incenso e fumaça.

Quando, no entanto, a dor nos visita e não nos deixa, compreendemos melhor as palavras dos santos, que convidam ao esquecimento e à anulação de si, à autenticidade diante dos homens e de Deus.

E esta constatação pode ser tão forte, que do profundo da alma surgem sinceros atos de gratidão para com Aquele que permite a dor.

A cruz nos dá a garantia de estarmos no caminho certo, assegura-nos de que tudo prossegue bem, porque se amplia o diâmetro das raízes da árvore de nossa vida: sinal evidente de que a copa está se abrindo para uma nova beleza.

E percebemos que as bem-aventuranças, anunciadas por Cristo, não são palavras de simples encorajamento ou apenas promessas, mas realidade.

E que não é de modo algum impossível, a quem chora, sentir-se “bem-aventurado” justamente naquele pranto. Uma bem-aventurança diferente da que há de vir, mas que não deixa de ser bem-aventurança.

 

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/dor-faz-ver.html

SUPERA A NATUREZA

“Ama o próximo como a ti mesmo”. É uma tensão continua porque a nossa natureza ama a si mesma.

Não raro, a imprensa noticia desastres, terremo­tos, ciclones que fazem vítimas, feridos, desabrigados.

Porém, uma coisa é quando isso acontece com os outros, e outra quando acontece com a gente.

E mesmo podendo oferecer algo para socorrer os outros, nós não somos eles.

Amanhã poderá acontecer o contrário: eu num leito de morte se isto me for concedido e os outros fora, ao sol, gozando a vida como podem.

“Ama o próximo como a ti mesmo”: tudo o que Cristo nos mandou fazer supera a natureza, assim como ela é agora.

Mas também o dom que Ele nos fez, aquele men­cionado à Samaritana, não é de natureza humana.

De modo que é possível o contato com a dor do irmão, com a alegria e as preocupações do outro, por­que temos em nós a caridade que é de natureza divina

Com este amor, isto é, o amor cristão, o irmão pode ser realmente confortado e, amanhã, posso eu mesmo ser confortado por ele.

Deste modo é possível viver; caso contrário, a vida seria bem dura, difícil, e às vezes poderia parecer impossível.

Chiara Lubich

fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/supera-natureza.html

Vontade de Deus – 1

No Evangelho de ontem o Senhor Jesus nos disse: ““Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!’, entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus.” (Mt 7,21) Temos uma certa dificuldade em entender a vontade de Deus, pois somos muito presos a nós mesmos. Chegamos até a afirmar que a vontade de Deus é tudo aquilo que é contrário à nossa vontade, mas isso não é verdade. Nesse primeiro artigo gostaria de partilhar com vocês algo da espiritualidade focolarina sobre a vontade de Deus.

Entrevista a Chiara Lubich

Maria, modelo de quem faz a vontade de Deus

[…]

O Movimento considera Maria um modelo no qual se inspirar para “fazer a vontade de Deus”. Por quê?

O Movimento não pode deixar de se inspirar em Maria no desejo de fazer a vontade de Deus. Maria, de fato, além de Jesus, é aquela que melhor e mais perfeitamente soube dizer sim a Deus. É sobretudo nisso que consiste a sua santidade e a sua grandeza.

No mundo nem todos podem fazer tudo, mas se cada um fizer a sua parte, participará do bem do conjunto; assim como o olho vê, o ouvido ouve, a mão pega, mas todos participam da vida do corpo, onde  cada um encontra o seu próprio sentido. Deus, que vê cada um de nós e a humanidade, sabe qual é o serviço que cada um deve prestar. Por isso é preciso a máxima atenção ao que Ele quer.
Os focolarinos veem em Maria aquela pessoa que, por ter sido fiel à própria função particular, participou da vida de toda a humanidade.
Maria não fundou nada na Igreja, porém deu vida ao seu Fundador e por ela é considerada Mãe.
Não fez obras particulares para irradiar a sua fé: trouxe ao mundo o Verbo feito carne e é considerada Rainha dos Apóstolos.
Não exerceu – que saibamos – ações particulares em favor dos pobres, dos deserdados, dos doentes, etc., mas é chamada “saúde dos enfermos”, “consoladora dos aflitos”, “refúgio dos pecadores”, “auxílio dos cristãos” e todos aqueles que a conhecem, recorrem a ela como a uma mãe.
Maria não deu vida a uma ordem contemplativa, mas contemplou o céu em seu seio. Uma sua definição é: “porta do céu”. Por ter dito sim a Deus e não a si mesma, tornou-se Mãe de Deus. E por ter dito sim a Deus, sabendo perder até o próprio filho-Deus na cruz, foi associada por Cristo à sua redenção.
Maria que, como todas as jovens hebreias, meditou em seu coração sobre aquela que teria sido Mãe  do Messias, nos ensina que, quem enxerta a sua vida no pensamento de Deus, realiza na sua existência tudo o que sonhou e certamente mais.
Imitá-la, ao fazer como ela fez a vontade do céu, é inserir-se o mais profundamente possível na história dos homens e ser seu protagonista.

Fonte: http://www.centrochiaralubich.org/br/documentos/textos/4-scritto/142-maria-modello-di-chi-fa-la-volonta-di-dio.html

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 4.157 outros seguidores