Como sacerdote sinto-me no dever de partilhar com vocês este texto de nossa amiga Chiara Lubich sobre o valor da mulher. Há pessoas que pensam que como consagrados não deveríamos ter nenhum contato com a mulher, pois pode ser para nós ocasião de pecado. Pois bem, depois de lerem o texto abaixo gostaria que refizessem seus conceitos. Nós homens consagrados precisamos da companhia e do apoio de vocês mulheres que se valorizam e são tementes a Deus. Sem a presença de mulheres maduras e realizadas ao nosso lado somos homens incompletos. Pois, o Senhor nos criou homens e mulheres para nos completarmos, não somente no campo afetivo/sexual, mas em todos os níveis de nossa vida. Dou graças ao Senhor por ter me dado a graça de nascer num lar cristão e recheado da presença feminina, de modo especial agradeço ao Senhor por minha mãe e minhas irmãs, do mesmo modo agradeço por todas as mães e irmãs que ele colocou no meu caminho. Deixo um pedido a todos as leitoras: valorizem-se, não se deixem ser tratadas como coisas. Tenham como modelo: “Maria, a mulher realizada”
(Pe. David de Jesus)

“Maria, a mulher realizada”
Quando a mulher é outra Maria, o que significa virgem, mãe, esposa… mas, sobretudo, “portadora de Deus”, ela pode fazer muito por todos os homens, porque a mulher – se é plenamente mulher – é o coração da humanidade.
Nos tempos atuais, saturados de ateísmo, de ódio, em que o espírito é freqüentemente sufocado e desvalorizado, a mulher, com sua natural inclinação para o divino, com sua perene tendência ao amor e sua capacidade de penetração na realidade cotidiana, tem uma tarefa de primeira ordem na sociedade, para renová-la e curá-la.
E pode fazê-lo.
Homens e mulheres, ainda crianças, são criados em seus braços.
Por tudo isso espera-se, hoje, muito da mulher para a renovação da sociedade.
Conscientes da própria identidade, as mulheres pretendem hoje – ao contrário do passado – dar a sua contribuição máxima, original e insubstituível, solidárias entre elas, mas também com os homens, a fim de tecer toda uma rede de relações entre os indivíduos e entre os povos, que deverá compor o futuro do mundo.
Mas, mesmo quando as mulheres tiverem obtido todas as reivindicações legítimas, elas se sentirão plenamente realizadas? Não.
Necessitam de algo mais profundo!
As mulheres atingirão a plenitude do próprio ser somente naquele Jesus que demonstrou um imenso amor por elas, restituindo-lhes a própria dignidade. (…) Elas deverão fazer a experiência de um encontro profundo com Jesus; devem deparar novamente com ele.
Só Cristo as realiza plenamente, como foi Cristo o único que as realizou no passado.
Quem pode negar que Catarina de Sena, Rita de Cássia, Rosa de Lima, Clara de Assis, Joana d’Arc foram mulheres no mais perfeito sentido da palavra, plenamente realizadas? Encontrar-se com Jesus!… Significa deixar-se iluminar, penetrar, inflamar, transformar pela Sua mensagem.
Jesus, Filho de Deus-Amor, veio à terra para viver e morrer por amor, para restaurar toda coisa e criatura com o amor, pois este é o ponto central de sua doutrina para chamar cada ser ao amor: vocação, que atrai a mulher em particular.
(…) A caridade é fundamentalmente sacrifício, é viver pelos outros no esquecimento de si mesmo.
E a mulher, afirma João Paulo II na encíclica Mulieris dignitatem , “com freqüência sabe resistir ao sofrimento mais do que o homem” (MD 19). Portanto, há uma especial predisposição da mulher ao amor, à caridade. Àquela caridade que é o maior carisma (cf. 1Cor 13,13). Carisma que a Igreja e a humanidade hoje parecem ser particularmente chamadas a viver, se quisermos reafirmar na Igreja, como fez o Vaticano II, que é preciso imitar a Igreja primitiva, quando os cristãos eram um só coração e uma só alma pelo amor; se quisermos falar e nos encaminhar rumo à civilização do amor.
Encontrando uma Obra da Igreja, estas mulheres encontram-se com Jesus, com Jesus vivo.
E, tal como no tempo em que ele estava fisicamente presente, elas sentem que seu amor, sua mensagem lhes dá o que existe de mais importante. (…) A mulher compreende que a história da humanidade é uma lenta e difícil descoberta da fraternidade universal em Cristo e trabalha para que esta se concretize em todos os níveis.
O amor que vive no seu coração é universal, ama a todos, não faz distinção nem acepção de pessoas.
E, por viverem o amor ao próximo e o amor recíproco, gerando assim espiritualmente Cristo entre os homens, as mulheres sentem-se particularmente próximas de Maria, que deu Jesus fisicamente ao mundo.
Maria é o modelo que elas imitam em tudo, porque é o tipo da virgem, da noiva, da esposa, da mãe, da viúva e, ao mesmo tempo, é aberta e se interessa pelos grandes problemas da humanidade, como revela o Magnificat. Aliás, talvez seja Maria mesma que, sentindo-se também hoje interpelada por Deus na tarefa de restituir a dignidade à mulher, como clamam os tempos, plasma estas mulheres na sua própria forma e lhes ensina, em primeiro lugar, qual é o principal segredo do verdadeiro amor cristão: a cruz, o sacrifício.
Foi desta forma, de um modo particular, que Jesus demonstrou o seu amor ao mundo.
Com esse amor, Maria, na participação da paixão do Filho, tornou-se mãe de todos os homens.
Estas mulheres, ao seguirem Maria, devem percorrer a mesma estrada dela a fim de serem também elas, de alguma forma, mães de muitos.
E de fato o são.
Que Maria lembre às mulheres que (…) o amor e a dor são fontes de inesgotável alegria, ambas condições para as mulheres se tornarem artífices de unidade e paz.
Chiara Lubich
fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/missao-da-mulher-realizar-o-amor.html