SER ORAÇÃO VIVA

Caríssimos irmãos (ãs),

Devemos melhorar sempre, em cada momento da nossa vida e em cada uma das suas expressões particulares.

Para nos ajudar nisso, veremos hoje como melhorar o nosso relacionamento com Deus. Como sabemos, a nossa espiritualidade, que é a um só tempo pessoal e comunitária, nos faz projetar o nosso amor verticalmente, como hoje se diz, em direção a Deus, e horizontalmente em direção ao próximo. E a santidade, que disso deriva, depende da presença equilibrada destes dois tipos de amor.

Para alguns (como revela a tendência ao ativismo que por vezes temos) é mais fácil desenvolver principalmente a dimensão horizontal do amor e – talvez – não igualmente aquela vertical.

É verdade que normalmente oferecemos ao Pai tudo aquilo que fazemos: é por Ele que amamos, trabalhamos, sofremos, rezamos… Todavia, se por um lado o nosso contínuo “fazer-nos um” com o próximo muitas vezes nos leva a amá-lo também com o coração, por outro estamos convencidos de amarmos também a Deus não só com a vontade, mas também com o coração?

No final da nossa vida não nos apresentaremos a Deus acompanhados por outras pessoas, pela nossa comunidade; nós nos apresentaremos sozinhos. E estamos certos de que, naquele momento, todo o amor recolhido no nosso coração durante a nossa existência transbordará espontaneamente – como seria lógico – sobre aquele a quem sempre deveríamos ter amado, que encontraremos e que nos julgará?

Ou seja, será que também nós, pelos menos um pouco, poderemos pronunciar palavras semelhantes àquelas de Santa Teresa d’Ávila, próxima à morte, como conseqüência lógica da sua vida de amor: “Meu Senhor e meu Esposo, chegou a hora tão desejada. É hora de nos vermos, meu Amado e Senhor. (…) Chegou a hora em que a minha alma poderá deliciar-se convosco como sempre sonhei”?

Será que no nosso coração existe algo que se assemelhe a esta aspiração, a este anseio? Também para nós chegará esse momento e, recordando-nos disso, é importante desde já procurar aprofundar melhor e ao máximo o nosso relacionamento com Deus.

Durante os exercícios espirituais feitos com os responsáveis regionais, em outubro do ano passado, surpreendeu-me um fato. Tendo estabelecido um momento de silêncio e de solidão para todos durante a manhã, muitos me exprimiram a alegria por terem encontrado imediatamente a plena união interior com Deus.

Sem dúvida era o efeito de terem amado constantemente os inúmeros próximos em quem serviram a Jesus por anos e anos. Porém, penso que eles ainda não tinham feito a forte experiência da grande verdade que: quanto mais a plantinha da nossa união com os outros cresce, mais se aprofunda a raiz do nosso amor por Deus.  E assim, graças ao amor vivido horizontalmente, eles agora encontravam no próprio coração o amor vertical, a união com Deus. De fato, podemos amar como servos e fazer tudo aquilo que o patrão deseja sem lhe dirigir a palavra. Ou podemos amar como filhos, com o coração plenificado pelo Espírito Santo de amor e de confiança no Pai.

Esta confiança nos leva a conversar sempre com Ele, a dizer-lhe tudo de nós: os nossos propósitos, os nossos projetos; é uma confiança, um divino desejo pelo qual esperamos ansiosos pelo momento dedicado exclusivamente a Deus, para nos colocarmos num contato profundo com Ele.

É a oração, a oração verdadeira! É a ela que devemos buscar até nos tornarmos oração viva.

Existe uma bela frase do teólogo Evdokimov a propósito da oração: “Não basta fazer a oração, é preciso tornar-se, ser oração, construir-se em forma de oração…”.

Edificar-se em forma de oração, ser oração, como Jesus quer, pois Ele disse: “Orai a todo o momento” (Lc 21, 36).

Eu creio que no coração de muitos de nós está depositado um verdadeiro patrimônio de amor sobrenatural que pode transformar a nossa vida em autêntica oração, que pode nos construir em oração. Trata-se de recolhê-lo nos momentos oportunos.

Neste próximo período empenhemo-nos então a dialogar freqüentemente com Deus, inclusive em meio à nossa atividade. Procuremos melhorar exatamente nesse ponto.

O fato de dizer “por ti” antes de cada ação já a transforma em oração. Porém, isso não é suficiente. Durante o mês que vem, vamos iniciar um diálogo intenso com Ele sempre que for possível. Somente assim é que no final da nossa vida poderão desabrochar dos nossos lábios expressões de amor a Deus semelhantes às dos santos.

Chiara Lubich

Fonte: Blog voluntário de São Paulo.

Uma resposta

  1. Oxalá chegue o dia em que adoremos e amemos o Senhor tal qual como o fizeram os santos. Rezemos uns pelos outro experimentando na prática o amor vertical e horizontal, pois um leva ao outro.

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