Significado da água benta

Vale a pena dar o exemplo.

O QUE SIGNIFICA A ORAÇÃO? (3ª e última parte)

O silêncio interior
Nos momentos de oração Ele nos falará, ainda que freqüentemente seja difícil saber escutá-Lo por deixarmo-nos envolver pelo corre-corre do cotidiano, que às vezes penetra até mesmo nesse espaço de tempo dedicado à contemplação. Mas, devemos habituar-nos ao silêncio para escutá-Lo, porque Ele nos falará sempre. Não se trata de realizar um silêncio exterior, mas de ter um silêncio interior; isto é, o domínio das nossas paixões, sempre relativo a nossa condição humana (paixão, não somente no sentido negativo do termo), o domínio de todas as nossas agitações, de todos os nossos tumultos psicológicos.
Somente se estivermos além de tudo isso, poderemos escutar quando Jesus nos falará.
A sua voz é sutilíssima. Por isso será necessário realmente um silêncio interior para colhê-la (e a meditação nos oferece a ocasião para um silêncio exterior, que é símbolo daquele interior necessário para escutar Jesus) . Ele nos dirá sempre coisas fundamentais. Poderá nos dizer quando estivermos cansados, confusos com os vários problemas da vida: “Não temas, sou Eu”. Poderá nos dizer também: “Não temam, Eu venci o mundo”. Ou ainda: “Eu estou convosco”.
Jesus apresentará a Si mesmo como modelo, apresentará a sua vida como modelo para a nossa. Uma vida que foi feita de sucessos humanos, de milagres, mas, aparentemente, concluída com um completo fracasso sobre a cruz. Os romanos não sabiam nem mesmo quem Ele era; dos seus correligionários, os israelitas, se sabe que alguns pensavam que fosse Elias ou um outro profeta.
E quando nós lhe dissermos: Jesus, fracassei nesta coisa, estou prestes a  sucumbir naquela outra, Ele nos responderá: “Eu gritei: “Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste? “Esta é a meta que te apresento. Ao restante deixe que Eu pense. Não é
importante o sucesso ou o fracasso, o importante para ti é permanecer neste relacionamento comigo.”
Estes são somente alguns exemplos daquilo que o Senhor nos dirá para levar-nos além da qüotidianidade da nossa existência, para introduzir-nos no mundo eterno. E, neste colóquio que poderemos ter com Ele, poderá ocorrer até mesmo milagres. Quem não recorda, a este propósito, o episódio da mulher que sofria de hemorragia e estava no meio de uma multidão que não lhe permitia aproximar-se de Jesus para pedir-lhe de curá-la? Esta mulher pensava: “se eu conseguir pelo menos tocar sua veste, ficarei curada”. Vai avante, consegue tocá-la com fé e fica curada. E Jesus sente sair de si uma força e diz aos apóstolos: “Quem me tocou?”. Os Apóstolos
responderam: “Senhor, estamos no meio de uma multidão e Tu perguntas quem Te tocou?” (cf. Mc 5, 25-31).
Muitos O tinham “suplicado’, mas uma somente tinha encontrado o modo de comunicar-se com Ele, tinha encontrado a “oração”, e Jesus tinha sentido que uma força se desprendera Dele por aquela oração humilde, silenciosa, plena de fé e de abandono.
A oração que nos transforma
Se rezarmos com esta fé, os outros nos encontrarão serenos, porque teremos uma paz que vai além de todos os sofrimentos, mesmo sofrendo como todas as demais pessoas deste mundo. Sentirão uma alegria por estarem conosco, aquela alegria que Jesus diz que o mundo não sabe dar, porque estaremos conduzindo em nosso coração um pedacinho daquele Céu no qual nós teremos vivido nos momentos de oração.
O mundo inteiro está sedento de Deus, e se nós não conseguirmos saciá-lo é porque lhe daremos somente nossas palavras, que “falam” de Deus. Mas o mundo precisa de Deus, mesmo sem as nossas palavras, até mesmo sem que se fale Dele. Conseguiremos isto, se ao ouvirmos a chamada de Jesus, nos colocarmos em um continuo colóquio com Ele.
Sabe-se que hoje são muitos os que desvalorizam a oração vocal, porque consideram a oração intelectual como mais importante. No entanto, o importante é o relacionamento com Deus, que pode ser estabelecido, seja na oração vocal, na mental, nas jaculatórias, no terço, em qualquer outra forma de piedade, mesmo as mais populares e simples (às vezes muito simples para a nossa soberba), mas todas ocasiões verdadeiras, possíveis para que se estabeleça um relacionamento com Deus. Um relacionamento que, naturalmente, não nascerá na oração se antes não tiver nascido da vida. Isto é, não se consegue “rezar” se não houver uma vida completamente direcionada a Deus.
A mais bonita realidade
Se tivermos este autêntico relacionamento com Jesus, a oração se tornará a coisa mais bonita e mais viva do dia. Tornar-se-á para nós uma fonte de água viva, que acontecerá como diz Jesus: “Quem crê em mim, jorrará dele uma torrente de água viva “(cf. Jo 7,38).
A nossa atitude deverá ser da mais completa paz:
deveremos conseguir ter aquela plenitude humana que somente Deus pode nos doar, e que irradiará a paz e a serenidade ao nosso redor. Por isso, repito: a oração será o momento mais bonito do dia; porque será o único momento no qual retornaremos à casa. Sairemos lentamente do mundo que nos circunda, mesmo permanecendo nele; será o momento no qual falaremos com Jesus, manteremos este relacionamento com Ele. Será um falar que não será feito de palavras, como Ele diz: “Quando rezarem digam poucas palavras” (cf. Mt 6, 7).
Será um relacionamento de profundo amor, de súplica profunda, de profundo abandono ao Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo, com a ajuda de Maria que, como nas bodas de Caná, pedirá por nós, quando nós não soubermos fazer. Esta será a nossa verdadeira vida. Nós fomos chamados a viver no seio do Pai. A nossa verdadeira vocação será seguir Jesus e viver esta família divina. A oração será o conversar em casa, na nossa verdadeira casa.
Esta quer ser e deverá se tornar a nossa oração. E, seguramente, se tornará, se na nossa vida formos totalmente voltados para Deus.
Pasquale Foresi (Chiaretto)

O QUE SIGNIFICA A ORAÇÃO? (2ª Parte)

“A forma substancial
Este relacionamento entre nós e Jesus se estabelecerá se conseguirmos realizar “uma escolha de Deus”, que consiste em colocá-Lo no primeiro lugar da nossa existência, em todas as nossas ações. Assim, as orações se tornarão “oração”, se tornarão a maneira substancial de rezar, porque nelas se exprimirá profundamente o ser humano no seu relacionamento com Jesus.
Podem ser vários os modos de rezar. Um tipo de “oração mental” é a meditação, que se faz seguindo diferentes métodos. Um dos mais simples é a leitura lenta e meditativa da Sagrada Escritura ou de escritos de santos. Mas, independentemente de qualquer método como é feita, a meditação deve ser uma ocasião para se encontrar um momento de quietude, de tranqüilidade com Jesus. Pode acontecer que durante esse momento nos sobrevenham preocupações; então falaremos com Jesus, dizendo-lhe: “Ocupa-Te Tu, eu não posso fazer nada, o que posso fazer é somente falar contigo”. E a este tipo de oração podemos chamá-la de “oração de súplica”, “oração de pedido”.
Mas, substancialmente, mesmo quando existe a súplica, a oração deve ser sempre de abandono, isto é, mesmo quando pedirmos alguma coisa, deveremos nos abandonar àquilo que Jesus quer. Se existirem experiências dolorosas, seja na nossa vida ou naquela de pessoas que nos são caras, confiaremo-lhe com tranqüilidade, porque sabemos que Ele nos ama e ama a todos as pessoas, muito mais do quanto podemos imaginar.
Certamente, a mais bonita oração, é aquela de quem é consciente de que Jesus conhece os seus problemas, as suas dificuldades, as suas necessidades e por isso se abandona em uma conversa íntima com Ele, em um estado de doação, de total entrega de si, de alegria pelo encontro que é possível manter com Ele (diz o Evangelho: “O Pai sabe daquilo que vocês têm necessidade, antes mesmo que Lhe seja pedido”: cf. Mt 6, 8). Rezar é dizer a Jesus, e Nele, à Santíssima Trindade: eis, Tu conheces todas as dificuldades que tenho, Tu conheces a minha miséria, a minha pouca fé, Tu conheces as minhas faltas, as dores e as dificuldades que encontro na vida: agora quero estar contigo e contemplar-Te.
O retorno a casa
É o momento no qual se sai de uma realidade contingente que nos afadiga e nos faz sofrer, para entrarmos em contato com Ele, para encontrá-Lo, para viver na nossa casa. De fato, a casa de cada um de nós é a Trindade – o Pai, o Filho, o Espírito Santo, e Neles, Maria e todos os santos. E nós, que vivemos imersos em um mundo que nos parece real, mas ao contrário, é apenas aparente, finalmente poderemos retornar à nossa casa, ao nosso verdadeiro mundo: o mundo da Trindade. A oração será o momento mais bonito da nossa vida terrena, porque naquele momento, conscientemente, viveremos em companhia do Pai, do Filho, do Espírito Santo e de Maria.
            Esta contemplação não quer dizer evasão da vida concreta; mas é a verdadeira vida, que nos possibilitará afrontar como cristãos a realidade concreta de todos os dias, com os seus desafios, as suas tribulações, as agitações, o cansaço físico, enfim, com todos os problemas, que poderemos nos deparar, mas que já saberemos afrontar, exatamente por já termos vivido por um momento, por meia hora que seja, na meditação, a nossa verdadeira vida: este colóquio com Jesus.
Pasquale Foresi (Chiaretto)

Continua…”

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/12/o-que-significa-oracao-2-parte.html

O QUE SIGNIFICA A ORAÇÃO? (1ª Parte)

Queridos leitores,

Há mais ou menos dois anos postei vários artigos sobre a oração e creio que fez bem a muitas pessoas. Hoje venho partilhar com vocês um material que encontrei no blog dos voluntários de São Paulo (movimento Focolares). O original está dividido em três partes, por isso respeitarei a ordem e a disposição. Vale a pena refletir sobre nossa vida de oração e como  e o que é orar.

forte abraço a todos e boa meditação.

 
“A oração não consiste, exatamente, no fato de dedicar algum tempo, durante o dia, à meditação ou à leitura de textos da Sagrada Escritura ou ainda à leitura de escritos de santos, ou até mesmo no procurar pensar em Deus ou em nós mesmos para uma nossa possível mudança interior. Isto não é essencialmente a oração.
Até mesmo a recitação do terço ou o realizar das orações da manhã e da noite podem não ser uma verdadeira oração. Uma pessoa pode ter feito tudo isso o dia inteiro e nunca ter rezado nem sequer um minuto.
A oração, para ser realmente tal, exige antes de tudo um relacionamento com Jesus: ir com o espírito além da nossa condição humana, das nossas ocupações, das nossas oraçôes, por mais belas e necessárias que sejam, e estabelecer um relacionamento intimo e pessoal com Ele.
É indispensável que façamos uma extraordinária descoberta que Jesus nos ama e nos chama. O que é na sua essência a “vocação”? Está descrita claramente, da melhor maneira possível, no encontro de Jesus com o “jovem rico”.
No Evangelho de Marcos se lê: Jesus, fitando-o, o amou e lhe disse: deixa tudo aquilo que tens… depois vem e segue-me (cf.. 10,21). Jesus tem este olhar para cada um de nós e nos ama, e nós sentiremos este seu amor e poderemos fazer a escolha de segui-Lo.
Essencialmente, a vida de oração consiste em manter este relacionamento filial e fraterno com Jesus o dia inteiro e todos os dias. A oração é um relacionar-se com Ele e, silenciosamente, escutar aquilo que Ele nos diz”.
 Pasquale Foresi (Chiaretto)

UM AMOR QUE CONTINUA

Sou seguidor do  blog dos voluntários de São Paulo (movimento dos Focolares) e sempre leio o que é postado ali, porém hoje encontrei um artigo que vem ao encontro do que estou experimentando nos últimos três dias, com a partida da minha querida amiga/irmã Sandra. Na verdade, os últimos 17 meses não tem sido fáceis. Desde o falecimento do meu pai, em 18 de junho de 2010, venho refazendo uma avaliação diária do modo de proceder com a vida e com os mortos. Uma coisa é ter conhecimento do que é perder, outra é fazer a experiência da perda. De uma hora para outra começamos a nos avaliar, a questionar cada instante e até mesmo brigar com Deus. Contudo, nada pode ser explicado, senão em Deus, que é Senhor dos vivos e dos mortos. Se você já fez a experiência da perda de um ente querido, sabe o que estou dizendo, se não fez, não tenha medo, Deus é maior que tudo e em nenhum momento lhe desampara. Porém, uma coisa é certa, a dor permanece até que saibamos reconhecer o que na verdade é a morte: um amor que continua.  Pe. David de Jesus

Segue na integra o texto que encontrei no blog dos focolarinos de São Paulo, lhe convido a fazer um bom proveito:

 “Quando algum amigo nosso, ou parente, parte para a Vida Eterna, dizemos que “desapareceu”, consideramo-lo perdido.

Mas não é assim. Se raciocinarmos deste modo, onde está a fé na comunhão dos santos?

Ninguém que entra em Deus se perde, porque, se alguma coisa tem realmente valor no irmão, que agora possui a vida [que] não [lhe] é tirada, mas transformada”16, esta é a caridade. É assim mesmo, porque tudo passa. Na cena deste mundo, até mesmo a fé e a esperança passam. A caridade permanece (cf. 1 Coríntios 13,8).

Ora, o amor que nosso irmão nos dedicava, amor verdadeiro porque radicado em Deus, este perdura. E Deus não é tão pouco generoso conosco, a ponto de nos tirar o que Ele mesmo, no irmão, nos havia dado.

Agora Ele no-lo dá de outra maneira. Aquele irmão, aqueles irmãos continuam a nos amar com uma caridade que agora não sofre mais altos e baixos.

Cabe a nós acreditar nesse amor dos nossos irmãos, e pedir a eles graças para nós que estamos a caminho, enquanto por eles fazemos a nossa parte com a obra de misericórdia que manda rezar pelos mortos.

Não, não perdemos os nossos irmãos. Eles estão do lado de lá, como se tivessem saído de casa para ir a um outro lugar.

Eles vivem na pátria celeste, e através de Deus, em quem estão, podemos continuar nos amando mutuamente, como ensina o Evangelho”.

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16 Prefácio da missa dos fiéis defuntos, I.

 Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/11/um-amor-que-continua.html

Por meio de Maria

Por meio de Maria

 

É por meio de Maria que devemos ir a Jesus.

Devemos aprender a conversar com ela como se conversa com a mais terna mãe, como a mais exigente guia, como a mais eficaz advogada. E, portanto, expor a ela as nossas questões.

A unidade, a obediência a um líder exige amor para que a unidade seja verdadeira, obediência sólida e construtiva. O amor se alimenta com o conhecimento.

É preciso meditar sobre os enormes privilégios da nossa Mãe. A meditação destes fará mais ágil a nossa confiança na sua onipotência por graça, na sua intercessão; será mais fácil estimar os seus conselhos e suas diretrizes.

É na imitação de Maria, nos diversos momentos da sua história, que alcançaremos o cumprimento do desígnio de Deus para nós.

Nova compreensão de Maria

 Vivendo a vontade de Deus, tivemos uma nova compreensão de Maria. Nela admirávamos a criatura mais perfeita que vivera sobre a terra, pois fez somente a vontade de Deus.

Se para nós, fazer a vontade de Deus significa “viver Jesus”, era também de uma certa maneira “reviver Maria”. Era esta a melhor maneira de lhe demonstrarmos nossa devoção e sermos filhos seus.

Suas palavras:m “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), tornaram-se também nossa.

Meditemos de novo a nossa vida à luz da sua vida e viveremos com ela para sermos todos de Jesus.

Chiara Lubich

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2009/12/por-meio-de-maria.html

O ENCONTRO COM O ABANDONADO

Primeiro passo: se predispor

Ao se despertar pela manhã, (como der naquele momento), eu me predisponho desse modo: “Hoje eu quero esperar por Ele”.Não sei o que esse dia poderá me trazer, mas sei que, sem poder fazer previsão alguma, Jesus Abandonado chegará até mim: nas dificuldades, nas desilusões, até mesmo em minhas faltas, quedas, e nas más e dolorosas noticias.

E eu Lhe digo que poderá vir tranquilamente , porque eu o espero.

Segundo passo: reconhecê-lo

Durante o dia me encontro com o negativo ao meu redor ou dentro de mim, quase sempre diferente da expectativa. Neste momento é importante reconhecê-lo imediatamente, sem hesitação.

Não existe necessidade ou culpa em que Ele, no seu abandono, já não esteja presente: de tal modo que cada dor é um de seus “sacramentos”, e o importante é, ali, diante deste sinal de dor, reconhecer a face do crucificado e abandonado e, amando-O, adorá-Lo imediatamente.

 Terceiro passo: chama-Lo pelo nome

Ao encontra-Lo, não apenas percebo algo, mas O observo e Lhe digo “como vai?”, e o chamo pelo nome. O fato de chamar pelo nome a cada expressão de Jesus Abandonado é um precioso exercício, muito mais do que apenas perceber o mundo superficial.Agora não se trata mais de “uma coisa” mas de um “Tu”, de Alguém.

E justamente por isso, toda ação minha torna-se contemplação.

Quarto passo: festejar a sua presença

Preparar uma festa a Jesus Abandonado.

Com isso quero dizer acolhê-Lo não apenas com hesitação, como se tratasse de um fato inevitável, ou como por exemplo, acolher alguém, que, mesmo se é um amigo, chega numa hora inoportuna. Pelo contrário, não quero que ele fique na sala de espera nem um segundo, mas acolhê-Lo imediatamente, com todo o meu amor, com toda a minha alegria e disponibilidade. Este passo (a passagem) que perpassa e atravessa a dor, transformando-a em amor, passando do abandono para a Páscoa . Somente quem ama desse modo o Abandonado, dará alegria ao mundo.

A festa que nós preparamos ao Abandonado é aquele dia de festa que não tem mais ocaso, porque é o seu próprio Sol, o próprio Amor, que nunca se põe.

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2009/03/o-encontro-com-o-abandonado.html

COMO CORRER NO CAMINHO DE DEUS

O que você diria a quem deseja seriamente empreender a caminhada rumo à santidade?
Nós escolhemos Jesus Abandonado, nós de fato optamos por ele, como amor de predileção: ele é o “Esposo” da nossa alma, não simplesmente um entre muitos.
Nós escolhemos Jesus Abandonado, mas o que permanece em nosso coração? Jesus, a união com Jesus.
E o que é essa união? É algo sobrenatural que, primeiro se assemelha a uma consolação, em relação à qual as alegrias do mundo nada são.
É como um clima que se difunde, que se intensifica, até se tornar uma Pessoa com quem trabalhamos. E tudo o que não é ele, é nada para você. Até mesmo o apego as coisas espirituais passa a pesar, incomoda. Por isso, encontrar a paz em Jesus Abandonado não é percebido como um ato de virtude, mas se torna uma necessidade.
Precisamos chegar a esse ponto. É um caminho exigente, mas é o caminho para o qual fomos chamados.
Depois, a certa altura, se passa a amar com agilidade cada vez maior e crescente, e por isso estamos quase sempre na paz, e a passamos aos outros.
O que mais desejo, neste momento, é que vocês também façam essa caminhada que a trilhassem sempre mais intensamente, que não se perdessem em sutilezas excessivas.
Vez por outra me perguntam: “O que fazer para caminhar depressa?” aí está o caminho pelo qual se deve correr.
Chiara Lubich
Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/09/como-correr-no-caminho-de-deus.html

Ser sacerdote, uma questão de muito amor

Santa Maria

Humilde como é, e de poucas palavras, amante como é da oração e do trabalho, Maria passa grande parte de seu tempo no silêncio e na solidão. Não na solidão desesperada e vazia de nossos tempos, na qual o homem perdido na massa urbana, na explosão demográfica, não consegue se comunicar, permanecendo solitário, mas na solidão como uma concha plena do Espírito Santo, no qual, se falta a presença dos homens, há presença Deus. Deus que quer a alma toda para si: solus cum sola.

Maria tece uma história que é um poema; subentende a teologia e entende os mistério da encarnação, as graças e os sacramentos, enquanto reúne e celebra todas as virtudes: a pureza até a Imaculada Conceição, a caridade até a oferta do Filho; a sabedoria e a fé, a piedade e a alegria, até tornar-se plena do espírito Santo. Dizendo Maria designa-se a mãe e a advogada de todos os seres humanos.

Se, como afirma São Bernardo, temos necessidade da mediação de Maria para chegar à mediação de Jesus, eis que Maria nos é necessária como o ar que respiramos: ela é o “hálito” do Espírito Santo.

Ao saudar Maria, na oração com a qual mais freqüentemente a invocamos, antepomos ao mais belo nome de mulher o atributo que lhe é mais familiar na cidade de Deus, onde, pela intercessão de Maria, nos tornaremos concidadãos dos santos: Santa Maria, é Santa por excelência porque mais do que qualquer outra pessoa, ela fez a vontade de Deus. Para nós também, é vontade de Deus que nos tornemos santos, porque Ele é o Santo.

A santidade é a subida do homem até Deus, com as asas da redenção, e corresponde à descida de Deus até o homem, com o prodígio da Encarnação. E a Encarnação foi possível inicialmente pela santidade de Maria. Sua santidade é o modelo de nossa santificação, o mais simples e familiar dos modelos, adaptado a toda pessoa, em todas asa condições.

“Santa Maria”! Invocando-a com este título e este nome, fazemos uma síntese das maravilhas do amor de Deus: os dons do Espírito Santo, de quem ela é esposa; o ministério de Cristo, do qual ela é a mãe; a onipotência do Pai, de quem ele é filha; o mistério da Trindade da qual ela é a flor; as verdades do Evangelho, das quais se fez guardiã em seu espírito, meditando-as; a maternidade virginal da Igreja, para a qual oferece o modelo mais apropriado; e ainda os carismas do sacerdócio, para os quais deu a vida gerando o Sacerdote; da virgindade, da qual ela é a sua raiz e seu coroamento; do casamento, do qual é o exemplo e a glória. Sempre santa, sob todo e qualquer aspecto, santa. A mais próxima de Deus, a mais próxima de nós.

“Santa Maria” era o nome da caravela com a qual Colombo, atravessando o oceano, descobriu um novo mundo. Santa Maria é a nave com a qual nós, desafiando as tempestades, aportamos no eterno Amor.

Se é verdade, como é verdadeiro tudo o que a teologia demonstra, que a Virgem é a “mãe da santidade”, então, invocando-a com familiaridade amorosa e assídua, continuada e premente, externamos um compromisso de viver como cultores da santidade, para sermos verdadeiros filhos Dela.

Maria segue direto pelo seu caminho: diz honestamente o que pensa, faz o que deve. Não usa de sofismas1, como Zacarias, que por isso fica mudo. Maria, porque é simples, enxerga o certo: vê a Deus, que é a simplicidade absoluta; e acolhe o divino, que é a transparência.

Opõe a beleza à fealdade; o espírito inerme às armas materiais; o sorriso ao cepo dos condenados; a verdade às exibições de armas. Ergue a simplicidade contra a carga imensa de complicações com as quais as pessoas vêm dificultando, quase até ao desespero, algo tão natural como é a vida.

Igino Giordani (Foco) (Co-fundador do Movimento dos Focolares)

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/07/santa-maria.html

Educação familiar

Estamos iniciando o mês de férias e é chegado o momento dos pais terem um pouco mais de contato com seus filhos. Como sacerdote me preocupo com o futuro de nossos jovens. Tenho visto em tantas realidades familiares crianças que em nome de uma educação sem repressão mandam em seus pais e não tem limites. Sou ainda jovem, mas sou do século passado e sou muito grato pela educação que recebi. Talvez você amigo leitor não concorde comigo, mas vou postar um vídeo que editei e postei no meu canal do youtube, onde fazemos uma reflexão sobre a educação familiar.

Trata-se de um pedido de uma criança aos seus pais. Uma criança um tanto consciente dos seus limites e possibilidades de fracassos. Temos possibilidade de mudar nossa realidade se soubermos ler as entrelinhas de nossos relacionamentos com aqueles que amamos. De nada adianta trocar presença com presentes, permissivismo ao invés de educação.

Hoje nos preocupamos muito com o mundo que deixaremos para os nossos filhos, e creio que a pergunta que deveríamos fazer seria: ” que filhos deixaremos para o mundo futuro?” Se deixarmos pessoas frágeis e sem limites, teremos uma dívida imensa com a humanidade.

Boas férias a todos.

Pe. David

Sem etiqueta, sem preço

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.

Eis que o sujeito desce na estação do metrô de Nova York, vestindo jeans, camiseta e boné.

Encosta-se próximo à entrada. Tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.

Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custaram a bagatela de mil dólares.

A experiência no metrô, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa, realizada pelo jornal The Washington Post, era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão é de que estamos acostumados a dar valor às coisas, quando estão num contexto.

Bell, no metrô, era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.

Esse é mais um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas, que são únicas, singulares e a que não damos importância, porque não vêm com a etiqueta de preço.

Afinal, o que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes?

É o que o mercado diz que podemos ter, sentir, vestir ou ser?

Será que os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado, pela mídia e pelas instituições que detêm o poder financeiro?

Será que estamos valorizando somente aquilo que está com etiqueta de preço?

Uma empresa de cartões de crédito vem investindo, há algum tempo, em propaganda onde, depois de mostrar vários itens, com seus respectivos preços, apresenta uma cena de afeto, de alegria e informa: Não tem preço.

E é isso que precisamos aprender a valorizar. Aquilo que não tem preço, porque não se compra.

Não se compra a amizade, o amor, a afeição. Não se compra carinho, dedicação, abraços e beijos.

Não se compra raio de sol, nem gotas de chuva.

A canção do vento que passa sibilando pelo tronco oco de uma árvore é grátis.

A criança que corre, espontânea, ao nosso encontro e se pendura em nosso pescoço, não tem preço.

O colar que ela faz, contornando-nos o pescoço com os braços não está à venda em nenhuma joalheria. E o calor que transmite dura o quanto durar a nossa lembrança.

O ar que respiramos, a brisa que embaraça nossos cabelos, o verde das árvores e o colorido das flores é nos dado por Deus, gratuitamente.

A VIDA DE UM SANTO

ESSE VIDEO NARRA UM POUCO DA HISTÓRIA DE NOSSO AMIGO KAROL

SER ORAÇÃO VIVA

Caríssimos irmãos (ãs),

Devemos melhorar sempre, em cada momento da nossa vida e em cada uma das suas expressões particulares.

Para nos ajudar nisso, veremos hoje como melhorar o nosso relacionamento com Deus. Como sabemos, a nossa espiritualidade, que é a um só tempo pessoal e comunitária, nos faz projetar o nosso amor verticalmente, como hoje se diz, em direção a Deus, e horizontalmente em direção ao próximo. E a santidade, que disso deriva, depende da presença equilibrada destes dois tipos de amor.

Para alguns (como revela a tendência ao ativismo que por vezes temos) é mais fácil desenvolver principalmente a dimensão horizontal do amor e – talvez – não igualmente aquela vertical.

É verdade que normalmente oferecemos ao Pai tudo aquilo que fazemos: é por Ele que amamos, trabalhamos, sofremos, rezamos… Todavia, se por um lado o nosso contínuo “fazer-nos um” com o próximo muitas vezes nos leva a amá-lo também com o coração, por outro estamos convencidos de amarmos também a Deus não só com a vontade, mas também com o coração?

No final da nossa vida não nos apresentaremos a Deus acompanhados por outras pessoas, pela nossa comunidade; nós nos apresentaremos sozinhos. E estamos certos de que, naquele momento, todo o amor recolhido no nosso coração durante a nossa existência transbordará espontaneamente – como seria lógico – sobre aquele a quem sempre deveríamos ter amado, que encontraremos e que nos julgará?

Ou seja, será que também nós, pelos menos um pouco, poderemos pronunciar palavras semelhantes àquelas de Santa Teresa d’Ávila, próxima à morte, como conseqüência lógica da sua vida de amor: “Meu Senhor e meu Esposo, chegou a hora tão desejada. É hora de nos vermos, meu Amado e Senhor. (…) Chegou a hora em que a minha alma poderá deliciar-se convosco como sempre sonhei”?

Será que no nosso coração existe algo que se assemelhe a esta aspiração, a este anseio? Também para nós chegará esse momento e, recordando-nos disso, é importante desde já procurar aprofundar melhor e ao máximo o nosso relacionamento com Deus.

Durante os exercícios espirituais feitos com os responsáveis regionais, em outubro do ano passado, surpreendeu-me um fato. Tendo estabelecido um momento de silêncio e de solidão para todos durante a manhã, muitos me exprimiram a alegria por terem encontrado imediatamente a plena união interior com Deus.

Sem dúvida era o efeito de terem amado constantemente os inúmeros próximos em quem serviram a Jesus por anos e anos. Porém, penso que eles ainda não tinham feito a forte experiência da grande verdade que: quanto mais a plantinha da nossa união com os outros cresce, mais se aprofunda a raiz do nosso amor por Deus.  E assim, graças ao amor vivido horizontalmente, eles agora encontravam no próprio coração o amor vertical, a união com Deus. De fato, podemos amar como servos e fazer tudo aquilo que o patrão deseja sem lhe dirigir a palavra. Ou podemos amar como filhos, com o coração plenificado pelo Espírito Santo de amor e de confiança no Pai.

Esta confiança nos leva a conversar sempre com Ele, a dizer-lhe tudo de nós: os nossos propósitos, os nossos projetos; é uma confiança, um divino desejo pelo qual esperamos ansiosos pelo momento dedicado exclusivamente a Deus, para nos colocarmos num contato profundo com Ele.

É a oração, a oração verdadeira! É a ela que devemos buscar até nos tornarmos oração viva.

Existe uma bela frase do teólogo Evdokimov a propósito da oração: “Não basta fazer a oração, é preciso tornar-se, ser oração, construir-se em forma de oração…”.

Edificar-se em forma de oração, ser oração, como Jesus quer, pois Ele disse: “Orai a todo o momento” (Lc 21, 36).

Eu creio que no coração de muitos de nós está depositado um verdadeiro patrimônio de amor sobrenatural que pode transformar a nossa vida em autêntica oração, que pode nos construir em oração. Trata-se de recolhê-lo nos momentos oportunos.

Neste próximo período empenhemo-nos então a dialogar freqüentemente com Deus, inclusive em meio à nossa atividade. Procuremos melhorar exatamente nesse ponto.

O fato de dizer “por ti” antes de cada ação já a transforma em oração. Porém, isso não é suficiente. Durante o mês que vem, vamos iniciar um diálogo intenso com Ele sempre que for possível. Somente assim é que no final da nossa vida poderão desabrochar dos nossos lábios expressões de amor a Deus semelhantes às dos santos.

Chiara Lubich

Fonte: Blog voluntário de São Paulo.

ESTE DEUS DESCONHECIDO

Quando o barquinho da vida faz água e a tempestade o ameaça, pronunciamos um nome que aflora aos lábios de quem sofre, até mesmo no derradeiro suspiro: mãe.

Não denota sempre a mãe terrena; aliás, para a pessoa um pouco familiarizada com as coisas eternas, significa Maria.

Isto é tão real que, freqüentemente, “mãe” é o grito dos corações de Deus nos momentos da provação. “Mãe!”

Eis aqui o segundo milagre de amor, depois da redenção: um Deus encanado e uma Mãe para todos.

Nela, toda a esperança para o cristão.

Muitas vezes ocorre-nos perguntar: como fez Maria para viver na terra, sem perder, nas longas agonias do seu coração traspassado, chamar uma, a Mãe? E o enxerto direto de seu espírito com Deus mostra o esplendor único, a grandeza, a singularidade daquela que é “elevada mais do que criatura”. Deus – sem dúvida – como para nós, e bem mais, foi o consolo do seu coração.

É possível que ela amasse alguém que lhe configurasse com mais propriedade – como para nós ela mesma, Maria – a identificação com o amor? Imagino que algo parecido e mais, infinitamente mais, do que encontramos em Maria, tenha ela – em sua labuta terrena a serviço do Pai, ocupando-se do filho -, encontrado repouso e refrigério, força e audácia, capacidade de viver, quando outras mortes a teriam esmagado, n’Aquela que sustentou a Igreja em sua época e em todas as épocas: o Espírito Santo.

O Espírito Santo, ente Deus desconhecido, que, em nossa prestação de contas final, perceberemos, com infinito pesar, não termos talvez suficientemente amado, e venerado, e agradecido.

Ele, a alma do corpo místico de Cristo, a firmeza dos mártires de todos os tempos, a fluência das águas vivas de todo sábio, a luz dos enviados de Deus, a certeza dos papas, o mestre dos bispos, o amigo dos ministros, o perfume das virgens.

Ele conviveu com a imaculada encontrando as suas delícias em plasmar, escondido, a flor das flores, e Maria, n’Ele e por Ele, elevou o anseio traduzido pelo coração humano com o doce termo “Mãe” à altura mesma de Deus.

 

Chiara

“QUEM NÃO PROGRIDE”, ISTO É, QUEM NÃO MELHORA NÃO FICA PARADO, RETROCEDE.

Caros amigos,

“Quem não progride, regride”. Este é o pensamento de São Bernardo e de diversos “Padres da Igreja” no que diz respeito à vida interior, ao caminho que leva à santidade ou, como costumamos dizer, ao nosso progredir na Santa Viagem.
“Quem não progride”, isto é, quem não melhora não fica parado, retrocede.
É por isso que temos realmente necessidade de permanecer todos unidos, como os alpinistas, unidos à mesma corda, para nos ajudarmos e estimularmo‑nos a caminhar, a dar sempre alguns passos e assim não corrermos o risco de retroceder.
Nesse sentido a Palavra de Vida nos dá grande ajuda, pois, como sabemos, ela é a “lâmpada para os nossos passos”.

Neste mês, ela nos diz: “Por causa de tua palavra lançarei as redes” (Lc 5,5). Esta é a resposta de Pedro a Jesus, que o convidava a pescar. Não era aquele o momento adequado, pelo contrário! Não existia, portanto, nenhum motivo humano para aceitar o convite de Jesus. Mas, já que o discípulo acolheu com fé a proposta do Mestre, eis que acontece a pesca milagrosa.

Também nós somos chamados a uma pesca extraordinária, e a sermos pescadores, não de peixes, mas de homens, de muitos homens: somos chamados a realizar o Testamento de Jesus: “Que todos sejam um”

E de que maneira podemos realizar esta pesca? São Pedro responde: “Por causa de tua palavra…”. O meio, a causa, o segredo da pesca milagrosa é acreditar naquilo que Jesus diz, acreditar na sua Palavra. E dar‑lhe a nossa adesão.

A Palavra, portanto, é “luz para o nosso caminho”; a Palavra, que nos dá a certeza de não retrocedermos, mas de progredirmos sempre, e é ela também a causa da pes­ca milagrosa. Devemos nos apoiar na palavra, fixar‑nos nela, permanecer em sua companhia.
Mas em qual Palavra de Jesus devemos nos apoiar, a qual delas aderir? Sem dúvida a cada uma das Palavras de Jesus, e é isto que procuraremos fazer todo mês. E neste mês, em que nos é oferecida a possibilidade de escolher, apontaremos o próprio Jesus como Palavra de Deus, ou melhor, Jesus crucificado e abandonado, no qual sempre contemplamos a Palavra plenamente revelada.

Nesses quinze dias, portanto, vamos aderir a Ele, per­manecendo com Ele durante o dia inteiro; ou melhor, di­gamos a Ele no momento Presente: “Contigo…”

Agindo assim, Ele nos sugerirá os atos de virtude que devemos praticar, os “cortes” que devemos fazer, as mortificações a serem praticadas para morrermos a nós mes­mos em cada momento e ressuscitarmos à sua vontade. E já que o irmão é o nosso caminho para chegarmos a Deus, Ele será a luz que nos orientará especialmente so­bre o modo de sermos nada diante dos nossos próximos para nos fazermos um com eles, dando assim a Jesus a possibilidade de conquistá‑los para o seu coração.

Será Ele que nos ensinará perfeitamente aquilo que nós chamamos de “técnica da Unidade”, que é o nosso modo de contribuir para a realização do Testamento de Jesus, e, de algum modo, veremos repetir‑se à nossa volta a pesca milagrosa.
Portanto, “com Ele”, abandonado, no momento presente, o nosso empenho nesses pró­ximos dias. Contigo, Jesus crucificado e abandonado, a fim de progredirmos na caminhada, pois “Quem não progride, regride”.

Rocca di Papa, 03 de Fevereiro 1983.

Chiara Lubich

 

Fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2009/05/contigo.html

Um convite que o próprio Senhor nos faz.

Muitas vezes pensamos que podemos levar a vida de qualquer jeito e que podemos preencher nosso vazio com tantas outras realidades. O vídeo abaixo nos recorda que somente o Senhor pode preencher o vazio do nosso coração. Tire um tempo do seu dia para a oração e se lhe é possível, visite o Senhor em alguma Igreja. Comece a dar tempo para o Senhor e tudo mais virá por acréscimo.

MISSÃO DA MULHER: REALIZAR O AMOR

Como sacerdote sinto-me no dever de partilhar com vocês este texto de nossa amiga Chiara Lubich sobre o valor da mulher. Há pessoas que pensam que como consagrados não deveríamos ter nenhum contato com a mulher, pois pode ser para nós ocasião de pecado. Pois bem, depois de lerem o texto abaixo gostaria que refizessem seus conceitos. Nós homens consagrados precisamos da companhia e do apoio de vocês mulheres que se valorizam e são tementes a Deus. Sem a presença de mulheres maduras e realizadas ao nosso lado somos homens incompletos. Pois, o Senhor nos criou homens e mulheres para nos completarmos, não somente no campo afetivo/sexual, mas em todos os níveis de nossa vida. Dou graças ao Senhor por ter me dado a graça de nascer num lar cristão e recheado da presença feminina, de modo especial agradeço ao Senhor por minha mãe e minhas irmãs, do mesmo modo agradeço por todas as mães e irmãs que ele colocou no meu caminho. Deixo um pedido a todos as leitoras: valorizem-se, não se deixem ser tratadas como coisas. Tenham como modelo: “Maria, a mulher realizada”

(Pe. David de Jesus)

“Maria, a mulher realizada”

 

Quando a mulher é outra Maria, o que significa virgem, mãe, esposa… mas, sobretudo, “portadora de Deus”, ela pode fazer muito por todos os homens, porque a mulher – se é plenamente mulher – é o coração da humanidade.

Nos tempos atuais, saturados de ateísmo, de ódio, em que o espírito é freqüentemente sufocado e desvalorizado, a mulher, com sua natural inclinação para o divino, com sua perene tendência ao amor e sua capacidade de penetração na realidade cotidiana, tem uma tarefa de primeira ordem na sociedade, para renová-la e curá-la.

E pode fazê-lo.

Homens e mulheres, ainda crianças, são criados em seus braços.

Por tudo isso espera-se, hoje, muito da mulher para a renovação da sociedade.

Conscientes da própria identidade, as mulheres pretendem hoje – ao contrário do passado – dar a sua contribuição máxima, original e insubstituível, solidárias entre elas, mas também com os homens, a fim de tecer toda uma rede de relações entre os indivíduos e entre os povos, que deverá compor o futuro do mundo.

Mas, mesmo quando as mulheres tiverem obtido todas as reivindicações legítimas, elas se sentirão plenamente realizadas? Não.

Necessitam de algo mais profundo!

As mulheres atingirão a plenitude do próprio ser somente naquele Jesus que demonstrou um imenso amor por elas, restituindo-lhes a própria dignidade. (…) Elas deverão fazer a experiência de um encontro profundo com Jesus; devem deparar novamente com ele.

Só Cristo as realiza plenamente, como foi Cristo o único que as realizou no passado.

Quem pode negar que Catarina de Sena, Rita de Cássia, Rosa de Lima, Clara de Assis, Joana d’Arc foram mulheres no mais perfeito sentido da palavra, plenamente realizadas? Encontrar-se com Jesus!… Significa deixar-se iluminar, penetrar, inflamar, transformar pela Sua mensagem.

Jesus, Filho de Deus-Amor, veio à terra para viver e morrer por amor, para restaurar toda coisa e criatura com o amor, pois este é o ponto central de sua doutrina para chamar cada ser ao amor: vocação, que atrai a mulher em particular.

(…) A caridade é fundamentalmente sacrifício, é viver pelos outros no esquecimento de si mesmo.

E a mulher, afirma João Paulo II na encíclica Mulieris dignitatem , “com freqüência sabe resistir ao sofrimento mais do que o homem” (MD 19). Portanto, há uma especial predisposição da mulher ao amor, à caridade. Àquela caridade que é o maior carisma (cf. 1Cor 13,13). Carisma que a Igreja e a humanidade hoje parecem ser particularmente chamadas a viver, se quisermos reafirmar na Igreja, como fez o Vaticano II, que é preciso imitar a Igreja primitiva, quando os cristãos eram um só coração e uma só alma pelo amor; se quisermos falar e nos encaminhar rumo à civilização do amor.

Encontrando uma Obra da Igreja, estas mulheres encontram-se com Jesus, com Jesus vivo.

E, tal como no tempo em que ele estava fisicamente presente, elas sentem que seu amor, sua mensagem lhes dá o que existe de mais importante. (…) A mulher compreende que a história da humanidade é uma lenta e difícil descoberta da fraternidade universal em Cristo e trabalha para que esta se concretize em todos os níveis.

O amor que vive no seu coração é universal, ama a todos, não faz distinção nem acepção de pessoas.

E, por viverem o amor ao próximo e o amor recíproco, gerando assim espiritualmente Cristo entre os homens, as mulheres sentem-se particularmente próximas de Maria, que deu Jesus fisicamente ao mundo.

Maria é o modelo que elas imitam em tudo, porque é o tipo da virgem, da noiva, da esposa, da mãe, da viúva e, ao mesmo tempo, é aberta e se interessa pelos grandes problemas da humanidade, como revela o Magnificat. Aliás, talvez seja Maria mesma que, sentindo-se também hoje interpelada por Deus na tarefa de restituir a dignidade à mulher, como clamam os tempos, plasma estas mulheres na sua própria forma e lhes ensina, em primeiro lugar, qual é o principal segredo do verdadeiro amor cristão: a cruz, o sacrifício.

Foi desta forma, de um modo particular, que Jesus demonstrou o seu amor ao mundo.

Com esse amor, Maria, na participação da paixão do Filho, tornou-se mãe de todos os homens.

Estas mulheres, ao seguirem Maria, devem percorrer a mesma estrada dela a fim de serem também elas, de alguma forma, mães de muitos.

E de fato o são.

Que Maria lembre às mulheres que (…) o amor e a dor são fontes de inesgotável alegria, ambas condições para as mulheres se tornarem artífices de unidade e paz.

Chiara Lubich

fonte: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/missao-da-mulher-realizar-o-amor.html

O SILÊNCIO DE DEUS

É um assunto difícil, o mais difícil de enfrentar diante de pessoas pertencentes a um povo que, mais do que qualquer outro, experimentou neste século de sofrimento a dor indescritível da Shoah[1] , a terrível tragédia que levou um de seus grandes pensadores a cunhar a metáfora do “Eclipse de Deus”, pois Auschwitz[2] colocou em discussão a própria fé.

(…) Não foram os duros tempos de guerra que nos levaram a refletir sobre a dor.

Pelo contrário, devemos afirmar que a fé no amor de Deus era tão luminosa e gratificante, que fazia desaparecer para nós os horrores da guerra, embora vivêssemos no meio de todos, compartilhando as tragédias de quem estava ao nosso lado.

Um dia a nossa atenção foi atraída por aquele grito em aramaico de Jesus na cruz: “Eli, Eli, lemá sabactáni?”, “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, que é o início do Salmo 22. Alguém nos dissera que tinha sido a expressão da maior dor de Jesus, pois, abandonado por todos, sentiu-se abandonado também pelo Pai.

Este fato nos fez refletir.

Como o Pai permitiu que Jesus experimentasse uma dor tão grande? Ele não amava infinitamente seu Filho? Então entendemos: ele permitiu isso porque havia um desígnio de amor particular sobre Jesus.

Ele devia sofrer por todos os homens e depois ressuscitar.

E os homens que acreditassem nele ressurgiriam com ele.

Jesus, elevado ao céu, gozaria por toda a eternidade também por aquilo que fizera na terra.

Assim, para nós, a dolorosa história humana de cada um foi iluminada pela história de Jesus.

Nós também somos filhos de Deus.

Também para nós existe um esplêndido desígnio.

Vale a pena sofrer para realizá-lo.

Penso que a tradição e a história do povo judeu não sejam alheias à meditação sobre a dor que Jesus experimentou.

Impressionou-me um trecho do Talmude[3] : ´Quem não experimenta o “ocultar-se” de Deus, não faz parte do povo judeu (Tb, Hagigah 5b). Toda a história hebraica, desde Abraão, é pontilhada por momentos e situações que parecem marcados pelo “ocultar-se da face de Deus”. Não é sem motivo que os Salmos, muitas vezes, exprimem a angústia pela experiência feita quando “Deus escondeu a sua face”.

Mas, o “ocultar-se” de Deus não significa ausência de Deus.

Talvez nesta terra permanecerá sempre um mistério o motivo pelo qual Deus permitiu essa escuridão.

Mas o eclipse passa.

A Shoah, esse trauma que marcou a história da humanidade, e não só do povo judeu, não foi a vitória definitiva do mal.

Então, é possível o surgimento de uma nova vida? É possível que a face de Deus apareça novamente depois de um eclipse tão terrível? Com esta esperança, “a memória”, que é tão importante, pode servir para dar um novo rumo à história e para construir um mundo novo.

A minha oração e os meus votos são: que se recorde a Shoah cada vez mais como uma passagem, como o fim de uma época e o início de outra, nova, justamente porque Deus nunca revogou a aliança com seu povo.

E nós estaremos todos os dias ao lado de vocês, neste caminho que também é nosso.

Chiara Lubich[4]

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[1] Shoah: tentativa, por parte do regime nazista, de exterminar o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial, também conhecido como Holocausto .

[2] Auschwitz: campo de extermínio na Polônia, protótipo dos campos de concentração nazistas.

[3] Talmude: doutrina e jurisprudência da lei mosaica.

[4] Chiara Lubich responde a uma pergunta feita por judeus participantes do Movimento dos Focolares sobre o significado da dor.

Fonte: Voluntários de São Paulo in: http://voluntariosdesaopaulo.blogspot.com/2011/03/o-silencio-de-deus.html

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